Numa derradeira tentativa de salvar a Rodada Doha de negociações da OMC – Organização Mundial do Comércio – chanceleres do mundo inteiro estão reunidos em Genebra, na sede da organização, para reuniões. Porém, neste sábado, antes mesmo do início dos trabalhos, Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores, respondeu ao comissário de comércio da União Européia, Peter Mandelsen, a acusação de que o Brasil “sempre está por trás” das dificuldades de negociação da OMC. Porém, a resposta saiu atravessada.

Para quem tem preguiça de ler o texto da ZH, vou dando umas pinceladas: Amorim comparou a tática dos países ricos de fazer parecer que pedem menos do que oferecem, nas negociações, às praticadas pelos nazistas – citando Joseph Goebbels, que dizia que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdadeira”.

A crítica e comparação infeliz acertaram em cheio à representante comercial americana, Susan Schwab – filha de sobreviventes do holocausto. Se é evidente que os “ricos” tentarão desqualificar o Brasil nas negociações, a partir deste caso, é certo que Amorim foi extremamente imprudente em seu comentário. Até o mais novato estudante de relações internacionais sabe que nunca, JAMAIS, se menciona o nazismo entre europeus. Bola fora, Celso Amorim.