Para fechar esta série, vamos a mais alguns locais paradisíacos da Ilha Grande de Angra dos Reis. Vou colocar o mapa da ilha novamente, abaixo, para ajudá-los a se localizar:

Terceiro passeio: Abraãozinho
Esse aqui não vou nem chamar de passeio, pois a praia é quase vizinha à vila do Abraão e nós chegamos a pé. Porém, não foi rápido: tivemos que passar por uma trilha de uns 20 minutos, também bastante acentuada (a exemplo de Lopes Mendes).
Eu imagino que as pessoas que estão acostumadas com trilhas devem até achar graça das “dificuldades” que tivemos para fazer certos caminhos. Não que eu seja um sedentário, não sou – malho, corro, jogo futebol de salão, etc. Mas trekking é um esporte diferente, que exige certos cuidados.

Gra mostrando todos seus dotes caiaquísticos
Valeu a pena, o local é bastante agradável e a água, cristalina e quente. Tem dois bares, que servem produtos com boa variedade. Além disso, tem aluguel de caiaques, que é sempre algo muito divertido. O espaço disponível para curtir o caiaque é bastante interessante.

"vou bater. saiam da frente. JÁ!"
No final das contas, encontramos uma forma fácil de voltar, sem ter que passar pela trilha: em Abraãozinho, é comum a presença de barcos que levam e trazem passageiros ao custo de R$ 5 por pessoa. Portanto, todos nós voltamos de lá até Abraão de barco, que nos deixou na frente de casa da pousada.
Último passeio: Volta à Ilha
Para o último dia de estadia dos meus queridos cunhados Caroline e Ricardo, fizemos o maior investimento – R$ 90 por pessoa – para fazer um passeio inesquecível: dar a volta inteira na Ilha Grande de barco. Tínhamos um certo receio de enfrentar o mar aberto do lado sul da ilha, porém, determinados destinos somente seriam alcançados desta forma. Ainda bem que fizemos isso…
Saímos às 9:30 do Abraão e voltamos às 19:00 – 9 horas e meia de viagem, numa embarcação rápida – o catamarã IGT (o mesmo que nos transportou de Angra até a Ilha). Havia umas 80 pessoas no barco. Todos recebemos um “kit lanche”, contendo um toddynho, bolachas recheadas, salgadinhos e outras porcarias. No final revelou-se útil o pacotinho. Também tivemos suprimento de frutas sendo servidas dentro do barco, em momentos diversos. Depois de nadar bastante, nada como uma boa MELANCIA (ns).
Este passeio só parou em locais do sul da ilha, pois o norte é amplamente atendido em outros passeios. Assim, tivemos a oportunidade de conhecer lugares que só poderíamos conhecer indo de lancha ou iate. São eles: Ilha de Jorge Grego (logo em frente a praia de Lopes Mendes), Dois Rios, Praia do Aventureiro e Lagoa Verde (esta é a única que tem passeios quase diários em várias agências de turismo.
- Ilha de Jorge Grego
Não me pergunta o porquê deste nome, pois não lembro. Só sei que ela abriga uma quantidade impressionante de aves marinhas. Não entramos na ilha, ficamos apenas nadando na margem. Muito bonita, de fato.

- Dois Rios
É a segunda principal vila da Ilha Grande. É conhecida pois abrigava o Instituto Penal Cândido Mendes, que era utilizado pelo governo de Getúlio Vargas para presos políticos e também para presos comuns. Dizem que foi lá que se criou o Comando Vermelho (CV), organização criminosa organizada do Rio de Janeiro. Também foi de lá que fugiu, espetacularmente, o traficante ESCADINHA, de helicóptero!

Com a implosão da penitenciária em 1994, a vila perdeu importância. Por isso, parece uma cidade em ruínas. É algo muito interessante, de fato. Mas a praia é muito agradável, tão ótima quanto Lopes Mendes.

Como não há cais de atracação em Dois Rios, tivemos que ir e voltar à praia A NADO. Foi cansativo pra caramba, mas muito gostoso. Só minha cunhada foi e voltou de barco, aquela sortuda.
Algumas casas serviam refeições (prato feito). Eu me divertia lendo as placas honestamente escritas em português e inglês, mas o idioma estrangeiro não era o forte dos caiçaras de lá…

já vi bem piores
Não me pareceu muito apetitoso o prato feito, especialmente depois da péssima experiência que tivemos em Japariz, no passeio à Lagoa Azul. Assim, optei por comer as porcarias do famigerado pacotinho, além de uma maçã murcha, que comprei por DOIS REAIS num bar.

Aliás, varremos a vila e não encontramos PICOLÉS em lugar nenhum. Aí a gente dá valor às pequenas coisas.
- praia do Aventureiro
Divide com Lopes Mendes a fama de praia mais sensacional da ilha (dizem que tem outra – Caxadaço – que é espetacular, mas não fomos nessa). A praia do Aventureiro tem uma paisagem fantástica, com muito azul e verde misturados, criando uma harmonia capaz de inspirar qualquer escritor.

Chegamos lá com o tempo bom, mas com algumas nuvens querendo se assanhar. Infelizmente elas se emocionaram bastante e um chuvisco começou quando não fazia 30 minutos que estávamos lá. Passeamos pela praia e tiramos fotos no famoso coqueiro em “L”, uma aberração fantástica da natureza.

"alguém me ajude!"
Não consegui tomar banho, pois quando entrei n’água, logo avistei duas águas-vivas e aquilo nos deixou meio travados. Assim, ficamos só curtindo o visual sensacional do lugar.

Mas, ao sair, caiu um TORÓ. Quando a chuva ficou forte, nós já estávamos no barco, mas tinha gente que se atrasou. Assim, não foi muito fácil “resgatar” os retardatários…
- Lagoa Verde
Foi a “pior” parte do passeio, pois estávamos todos muito cansados. O lugar é melhor do que a Lagoa Azul, talvez porque tinha muito menos embarcações e gente nadando. A água é verdinha e faz jus ao nome do local.

Parece inacreditável que nós ficaríamos tanto tempo (somando todos os passeios) em barcos, no mar. Mas, uma vez que a gente acostuma, não estranha nem um pouco. Claro que não tivemos mau tempo a ponto de gerar tempestades no mar, o que deve enjoar até marinheiro experiente.
Gastronomia
Não adianta: a Gra e eu sempre damos MUITO valor às experiências gastronômicas. Eu sempre digo, se algum lugar tem um bom restaurante, eu estarei bem lá. Ok, eu NUNCA digo isso, mas penso, isso sim.
A Ilha Grande atraiu muita gente do mundo inteiro. Isso lhe permitiu ter uma variedade considerável de cozinhas internacionais, além de restaurantes de vários tipos. Mas o principal é peixe e frutos do mar, esta é verdadeiramente a especialidade da ilha.
Além do Lua e Mar, já citado anteriormente no primeiro post da série, há várias opções de restaurantes. A maioria deles tem preços bem salgados – acima de R$ 50 para duas pessoas. Mas destaco:
- O Pescador: um dos primeiros que conhecemos, fica à beira-mar, no centro de Abraão. Tem grande variedade de pratos com peixes. O dono é um italiano, que também possui uma pousada no mesmo lugar.
- Pé na Areia: próximo ao Pescador, também à beira-mar, com pratos diversos. Boa comida.
- Dom Mário: é o melhor restaurante da Ilha Grande, localizado no centro Buganville (uma quadra de lojinhas, um paraíso para as mulheres). O restaurante é pequeno e tem capacidade bem limitada. Mas isso se explica: o chef Mário, que trabalhava em um restaurante francês do Rio de Janeiro, segundo o que nos contaram, resolveu sair da cidade grande e viver no paraíso – como vários outros empreendedores da Ilha. Mas ele cozinha SOZINHO. Portanto, sua capacidade de preparar pratos é bastante limitada.
Seus pratos são excelentes. Recomendamos fortemente os medalhões de filé em molho de gorgonzola e o peixe ao molho de maracujá.

usando minha roupa de gala
Pessoal, acho que eu não tenho muito mais o que contar. Apenas que ficaram as saudades e que, se tudo correr bem, voltaremos lá sem dúvida alguma. Se você tiver interesse em ir pra lá e quiser saber mais, fique à vontade para comentar e me escrever.

Update: este é o post de número 200 do Cabeça Dinossauro. Rumo aos 1000!