Compras no exterior

9 02 2011

Essa questão das compras no exterior sempre foram muito gritantes entre os brasileiros. Não sei se no passado já houve algum momento em que os estrangeiros diziam/pensavam: “temos que dar um jeito de ir pro Brasil fazer umas comprinhas”. Talvez num passado consideravelmente distante isso já ocorreu. Ou, quando o Real estava bastante desvalorizado em relação ao dólar e o peso argentino tinha paridade com a moeda norte-americana, isso também poderia ocorrer.

Mas creio que para a maior parte do tempo e dos casos, o contrário vale. Desde que eu era muito novinho, quando o Brasil trocava de moeda e tirava zeros como quem troca de roupa, HORDAS de brasileiros se ACOTOVELAM para ir até Ciudad del Este, no Paraguai, para fazer compras, especialmente de eletrônicos. Como aquela cidade fronteiriça ao Brasil é uma zona de livre comércio, muitas mercadorias são comercializadas a preços muito inferiores aos praticados no Brasil.

De uns anos pra cá, aumentou também a COBIÇA em relação às fronteiras com o Uruguai – tanto que um número considerável de brasileiros, especialmente gaúchos, vão até Jaguarão, Santana do Livramento e Chuí para comprarem nos “free-shops” no lado uruguaio.

Quem teve a oportunidade de viajar para outros países, mesmo vizinhos ao Brasil, nos últimos anos deve ter se dado conta de uma triste realidade: praticamente TODOS os países são mais baratos que o Brasil. Mesmo países-membros do Mercosul e que, por isso, compartilham de tarifa externa comum (o imposto de importação é o mesmo nos 4 países), conseguem ter preços mais baixos do que aqui. Afinal, o que explica isso? Ganância dos vendedores brasileiros?

Nada disso. A explicação é simples: TAXAÇÃO. Pura e simplesmente. O motivo pelo qual os preços no Brasil são sempre mais altos do que os preços na Argentina, Uruguai e Chile (para ficar em alguns poucos exemplos) são os impostos. Tanto produtos nacionais como importados, em geral, sofrem tributação de todos os tipos e, normalmente, em percentuais altos. A lógica preponderante em todas as esferas governamentais é simples: vamos vender menos, mas faturar muito mais. Afinal, o governo sabe que o contrabando é uma realidade para poucos afortunados cidadãos, que têm a oportunidade de driblar este nefasto sistema. A maioria da população e, sem dúvida nenhuma, principalmente a menos favorecida, não tem opção senão acatar.

É impressionante que mesmo a Europa é menos cara que o Brasil na maioria dos itens. O sistema tributário europeu é menos oneroso que o brasileiro, mas não muito. Agora, se estipularmos uma comparação com o sistema Americano, então chega a ser covardia. Hors concours. Já comentei com vários amigos que ser sacoleiro nos Estados Unidos (portanto, muito mais chique do que fazer isso no Paraguai) pode ser muito rentável, mesmo sendo o custo da viagem mais elevado.

Pouca gente compreende que mesmo o consumo que é gerado através dos programas sociais como o bolsa-família é interessantíssimo para o governo pois, evidentemente, uma importante parte do dinheiro aplicado nos programas acaba retornando para o próprio governo, através de impostos.

E o mais triste de tudo é que nem situação nem oposição sequer tocaram no assunto reforma tributária. Ou melhor, não apenas uma reforma, uma verdadeira REDUÇÃO TRIBUTÁRIA. Estamos condenados a isso, me parece. Ou então, a enchermos nossas malas de bugigangas a cada vez que tivermos a oportunidade de sair do país.





Governo vai lançar Eximbank

27 05 2009

Na Zero Hora de hoje está uma notícia que poderá ser relevante para os exportadores brasileiros: o lançamento do Eximbank ou, melhor dizendo, Export-Import Bank, um formato já existente nos principais países desenvolvidos.

Na prática, este “banco” não inventará, pelo menos no curto prazo, novas formas de financiamento aos exportadores e importadores. A ideia é centralizar as operações de Proex e outros meios já existentes. O Eximbank será ligado ao BNDES, segundo o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.

As operações de Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC) e de Adiantamentos sobre Cambiais Entregues (ACE), continuarão sendo efetuadas pelos bancos comerciais.





Ontem 2,15 – hoje 2,25

21 10 2008

Ontem, tivemos uma situação pouco usual – a bolsa de SP subiu fortemente (8,6%) e o dólar também subiu, mas suavemente.

Hoje temos a bolsa caindo mais de 2%, enquanto o dólar sobe quase 5%, passando de R$ 2,14 para R$ 2,25.

Mais um reflexo do terremoto que nos aflige, todos os dias.

O pior de tudo é que o crédito está RESTRITÍSSIMO.





Montanha-russa mercadológica

16 10 2008

Os mercados, a despeito do que aparentava no início da semana, estão longe de chegar em um ponto de equilíbrio. Apesar de que as últimas notícias não tem sido tão catastróficas, qualquer espirro tem sido motivo de pânico generalizado.

No Brasil, as atenções estão para o câmbio, mais do que à bolsa.

Depois de baixar até o nível de R$ 2,07, na semana passada, o dólar voltou a subir e passou dos R$ 2,30. Uma idéia bem clara da loucura que está o mercado cambial, hoje o dólar abriu a R$ 2,25 e fechou a R$ 2,16. 4% de variação, durante o dia.

Eu consegui fechar um câmbio, no final da manhã, a R$ 2,22. Se tivesse fechado de tarde, teria perdido uns 3%. Veja só o tipo de “lucro” que se pode ter nessa variação maluca.

Até quando? Duvido que alguém saiba. Um colega meu disse que leu depoimentos de economistas dizendo que a expectativa do dólar, para o fechamento do ano, é em torno de R$ 1,80 a R$ 1,90. Até pode ser que aconteça isso, mas, estas afirmações estão baseadas em quê? Hoje, o jogo é de pura adivinhação, tenho certeza que não há um critério nem uma certeza do que acontecerá nas próximas semanas.

É acompanhar e ver.





Giro pela Europa

3 10 2008

Pareço até o CLÉBER GRABAUSKA colocando isso como título do meu post, mas a real é que eu quase fiz isso, nesta semana. Quase, porque eu fui só em 3 países. Poderia dizer, inclusive, que foi no Oeste da Europa Ocidental (ó o PLEONASMO aí, rapá).

Fui para Portugal, depois para a Inglaterra e agora estou na Espanha. Amanhã voltarei para o Brasil.

Não é a primeira vez que eu faço esse tipo de viagem pinga-pinga. Imaginem: eu LITERALMENTE fiquei cada noite em um HOTEL DIFERENTE. Segunda eu dormi em Lisboa. Terça, em um hotel nas imediações do aeroporto de Heathrow, em Londres (lixaço, diga-se de passagem). Quarta, em um hotel na cidade de Kenilworth, no centro-oeste britânico (chamado por lá de WEST MIDLANDS). Ontem, num muquifaço no centro de Barcelona.

Neste exato momento, estou teclando da RUA, na frente de um Starbucks em Barcelona, a uma quadra da PLAÇA DE CATALUNYA. Sim, é muito massa. O centro é bacana, antigaço como tudo na Europa. Não é tão afudê como Paris ou Londres, sem dúvida. Não conheço Madrid, mas deve ser mais afudê também. Mesmo assim, é show de bola. E tá ATROLHADO de turistas, impressionante. A maioria aparenta ser da Europa mesmo. E o estranho é que a época de férias já acabou.

Plaça de Catalunya - Barcelona

Plaça de Catalunya - Barcelona

Economicamente falando, a coisa tá braba. Essa crise absurda nos Estados Unidos afeta gigantescamente a Europa, assim como a China, que comercializam grandes volumes com o gigante americano. Apesar dos Estados Unidos serem o principal mercado externo do Brasil, o percentual desse comércio na economia brasileira como um todo não é tão relevante, como é pra Europa, incluindo os mercados financeiros. A recessão nos principais países da Europa é uma CERTEZA, não apenas especulação. Inclusive a Irlanda já declarou oficialmente que está em recessão (dois trimestres com queda no PIB – este é o critério oficial).

Duvido que o Brasil não sinta a recessão mundial. Esse processo tende a baixar o preço das commodities e podem ter certeza que o Brasil terá redução nas exportações, além de problemas com o preço reduzido dos produtos. Em termos de inflação, isso ajuda, mas o crescimento economico infelizmente será reduzido.

Tampouco acredito em recessão no Brasil, apenas em redução do crescimento. Tomara que essa redução seja a menor possível.

Daqui há 3 horas estarei indo pra Lisboa novamente. Amanhã de manhã pego o voo de volta ao Brasil.








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