Decisão histórica na Argentina

18 07 2008

Assim como acontece no Brasil, com as famigeradas Medidas Provisórias – amplamente utilizadas por FHC e ainda mais intensamente aplicadas por Lula – na Argentina é possível aplicar medidas imediatas, através de resoluciones assinadas pelo presidente. Foi o que Cristina Kirchner fez em março deste ano, criando as retenciones móviles, que se tratam de impostos sobre as exportações de alguns produtos agrícolas, cujos percentuais variam de acordo com a variação dos preços internacionais – daí o termo móvil.

Retenciones sobre exportações já vinham sendo aplicadas desde o governo de seu marido, Nestor Kirchner, porém em percentuais menores e sem a mobilidade da nova proposta. O setor agropecuário, como um todo, levantou-se contra a medida autoritária, gerando a maior crise política desde a maxidesvalorização de 2001, que permitiu à Argentina alcançar o recorde de 3 presidentes diferentes em 1 semana, após a deposição de Fernando de la Rúa.

Com o paro general proporcionado pelo setor agrícola, bloqueando caminhões com cargas agropecuárias por mais de um mês, o prejuízo causado foi fenomenal, chegando ao extremo insólito de faltar carne em Buenos Aires, num país onde a pecuária é orgulho nacional. A popularidade de Cristina foi ao solo, especialmente por sua postura intransigente e arrogante em relação ao problema – praticamente chamando os grevistas de vagabundos (a/c Kassab).

Porém, como acontece também no Brasil, uma resolución deve ser votada no Congresso e no Senado, para que se torne lei. O partido Justicialista, da presidente da república argentina possui ampla maioria em ambas casas. Porém, como eu já havia informado antes, o cenário começava a mudar, gerando rebeldias dentro do partido. O principal inimigo começou a despontar como sendo o próprio vice-presidente argentino, Julio Cobos (a/c Yeda), que passou a manifestar-se contra o projeto das retenções móveis.

Nem o mais incrível enredo ficcionista poderia prever o sensacional desfecho ocorrido. Após o projeto ter sido aprovado no congresso, uma tensa e longuíssima votação (18 horas) no Senado terminaria empatada em 36 votos para cada lado. Adivinha quem desempatou?

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: