Patrocínio no futebol – efeito da rivalidade

19 09 2008

O André Kruse, do Gremio1983, colocou um assunto interessantíssimo em seu blogue, referente à renovação/mudança do patrocínio e fornecedor de material esportivo do Grêmio. Atualmente, tanto o Grêmio como o Internacional recebem cerca de R$ 3,6 milhões anuais do Banrisul. Não tenho o valor pago pela Puma ao tricolor. Mas é sabido que outras grandes equipes brasileiras já conseguem valores mais expressivos, como é o caso recente do Botafogo, que assinou com a Liquigás pagamento de 8 milhões anuais, sendo um clube de menor visibilidade e torcida do que os dois grandes gaúchos.

Acho que todos sabem que os contratos com o Banrisul foram assinados devido a dívidas que ambos clubes possuíam com o BANCO DE TODOS OS GAÚCHOS. No entanto, essas dívidas já foram quitadas, sendo que, atualmente, o pagamento é feito de forma líquida aos clubes. Porém, estão defasados e acredito que o Grêmio pode conseguir coisa muito melhor, especialmente considerando as excelentes campanhas que vêm fazendo, desde 2006. Idem ao Internacional.

Só que existe um mito, bastante introduzido nas empresas gaúchas, de que não é possível patrocinar somente a um dos dois, sob pena da marca sofrer represálias de torcedores da equipe rival. Como o número de torcedores de ambos clubes é relativamente equilibrado (apesar de haver vantagem do Grêmio nos últimos 10 anos, pelo menos), nenhuma empresa quer perder clientes potenciais que torçam para a equipe rival da patrocinada. Tanto é que GM, Banrisul e Tramontina tiveram este cuidado, ao patrocinar ambos clubes gaúchos ao mesmo tempo.

Este artigo mostra que o risco é mínimo: com base em pesquisa realizada pela TNS Sport, apenas 1 entre 22 torcedores não compraria produtos relacionados ao clube rival, ou seja, cerca de 4,5% do total. Não sei se o mesmo percentual se aplicaria ao times gaúchos, já que temos um histórico de bipartidarismo (ou seria bipolaridade?). Eu acredito que sim, apesar de existir XIITAS SEM NOÇÃO que confundem as coisas, penso que a grandiosa maioria da população adquire seus produtos por outros motivos, alheios ao futebol.

Espero que o Grêmio consiga melhorar seus patrocínios. Quanto ao material esportivo, tenho grande simpatia pela Puma, porém, a última camiseta tricolor que eles fizeram ficou abaixo das expectativas, com uma mancha que destoa, nas costas. O Grêmio também tem chance de melhorar signficativamente sua receita, renegociando o contrato de fornecimento de material, ou trocando de fornecedor. Há rumores de que Olympikus, Nike e Adidas estariam rondando o estádio Olímpico.

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Renato é carioca

19 09 2008

Penso que Renato Portaluppi é um ídolo gremista indiscutível. Fato. Mas às vezes o excesso de homenagens a ele é até, de certa forma, ridículo. No jogo Grêmio x Fluminense, pelo primeiro turno do campeonato, não o aplaudi de forma entusiasmada e, sim, de forma discreta, um sinal de respeito. Fiz o mesmo com Vágner Mancini e com Tita, afinal, foram nomes importantes nos maiores títulos tricolores.

Mas lembro, apesar de minha tenra idade, de capa do Correio do Povo da década de 90 com entrevista a Renato, cuja manchete era algo em torno de “Me chamem de Renato Carioca”. O texto basicamente era recheado de declarações polêmicas, onde o ex-atacante do Grêmio praticamente renegava o Rio Grande do Sul, afirmando que encontrou a felicidade no RJ. Totalmente ofensivo aos gremistas e aos gaúchos em geral. Mas, dessa afirmação, não podemos duvidar jamais.

Renato Portaluppi em sua primeira passagem pelo Vasco

Renato Portaluppi em sua primeira passagem pelo Vasco

Na verdade, estou usando esta historinha para reforçar que Renato é carioca. O retorno dele ao Vasco era tão esperado e previsível que a notícia teve efeito semelhante a uma manchete da Folha de SP, em letras garrafais: “Comprovado: existe corrupção no Brasil”. Penso que ele jamais treinou equipes de fora da capital fluminense (carece de fontes). E digo mais, penso que ele jamais treinará equipes de fora do RJ.

Acredito que o Vasco fez muito bem em contratá-lo. A situação cruz-maltina é desesperadora, não apenas pela situação onde se encontra, mas principalmente pela baixíssima qualidade do elenco atual, que não permite sonhar alto. A contratação de um treinador com nome forte, que já teve passagem relativamente vitoriosa pelo clube (como técnico, apenas), deve ajudar o clube a retormar algumas vitórias.

OXALÁ que este caminho já inicie no próximo domingo.

EM TEMPO: a notícia da tentativa de impugnação do jogo Palmeiras x Vasco, pela Sulamericana, com a suspeita de que o jogador Thiago Silva foi incluído de forma indevida, parece choro de perdedor, mas os indícios são fortíssimos. Aparentemente, o Palmeiras errou sim e poderá ser desclassificado da competição. A resposta do Palmeiras está aqui. Vendo a reportagem, pra mim, aquele papel assinado pelo presidente do Palmeiras não significa nada, já que não está protocolado pela Conmebol ou pela CBF. E mais: no BID da CBF, a data de inclusão do jogador é 12/8, e não 11/8, que seria a data limite para inscrição de jogadores para o confronto. Portanto, o Palmeiras pode ter cometido duas infrações.