Por dentro da decisão

8 12 2008

Saí de minha cidade às 12:30, com o objetivo de ir ao apartamento dos meus irmãos para depois nos deslocarmos até o Olímpico. O trajeto foi tranquilo, sem congestionamentos, mas repleto de automóveis e ônibus cheios de torcedores, exibindo suas bandeiras, bradando seus gritos de apoio.

Só entre Carlos Barbosa e Bento Gonçalves foram 5 ônibus lotados, organizados pelos consulados destas cidades. Sem contar os que se deslocaram por conta própria, como foi o meu caso.

Logo recordei-me da final da libertadores, quando, por chegar muito em cima da hora (“só” uma hora e vinte minutos antes do jogo), não conseguimos um bom lugar nas sociais do Olímpico. Portanto, era necessário chegar lá com mais antecedência, desta vez.

Bom, conseguimos chegar no estádio com duas horas de antecedência. Os lugares centrais das sociais estavam totalmente tomados, mas consegui ficar mais ou menos alinhado com a risca da grande área, no lado em que o Grêmio atacou no primeiro tempo. Consegui também ficar já na sombra (apesar de não ter evitado queimaduras, só por ter caminhado da avenida Florianópolis até o portão 1 no sol!), mas os bancos de concreto ainda ferviam. Dava pra fritar um ovo, sério.

Havia um sentimento de desconfiança sobre a rodada como um todo, resultado da polêmica Tardelli. Também contribuíram a muito questionável mudança do local do jogo Goiás x São Paulo além da inacreditável e inexplicável TOMADA do vestiário principal do Bezerrão pelo tricolor paulista. A sensação era de “que bosta, não dá mesmo pra confiar num campeonato organizado no Brasil”.

Mas, eu já havia dito para muita gente e minha esposa, a Gra, pode confirmar: eu iria para esse jogo independente de chance de título ou não. Queria me despedir do Grêmio 2008, queria estar lá para confraternizar. Por sorte (ou azar), ainda havia uma pequena esperança de conseguir o caneco.

Curiosamente eu jamais havia assistido a uma partida contra o Atlético Mineiro, possivelmente o único grande clube brasileiro que eu não “conhecia” ao vivo.

Chegou a hora do jogo e o Grêmio começou metendo um pouco de pressão. Até comentei com um amigo meu: estou gostando de ver o Marcel, está brigando nas bolas aéreas e ganhando. Fiz muito mal em comentar. Afinal, ele realmente estava guerreando de forma positiva, mas logo desapareceu do jogo. O mesmo aconteceu com Perea, que, no começo do jogo, até ameaçou aprontar pra cima do galo.

Quando aconteceu o gol do São Paulo, marcado por Borges, UM METRO E MEIO impedido, vi uma das cenas mais tristes de toda a minha existência. Ou melhor, ouvi: o muxoxo da DESILUSÃO. O gemido da perda da ESPERANÇA.

Me deu vontade de chorar, juro. Mas não chorei.

Pior é que, na mesma hora, deu o gol do Inter contra o Figueirense. Parece até piada.

O time logo ficou sabendo, dentro de campo, não tinha como evitar. E, quase que imediatamente, piorou terrivelmente. A partir daí, o Galo passou a dominar a partida, tendo inclusive dois gols impedidos (corretamente assinalados). Cheguei a pensar na derrota.

O Grêmio ameaçou reagir, inclusive teve um PETARDO desferido por Souza, depois de boa jogada de Willian Magrão. Mas a posse continuava do Clube Atlético Mineiro, que avançava com perigo pelas laterais, principalmente pela direita, com SHESLON (pior nome de todos os tempos PARA TODO O SEMPRE). No final das contas, a melhor chance do Atlético foi num chute de Castillo, livre, que visou o ângulo esquerdo da meta tricolor, mas foi defendido com BELEZA PLÁSTICA por Victor.

O segundo tempo não começou melhor do que terminou o primeiro, com a posse de bola do Galo. Mas aí, Celso Roth resolveu mexer, tirando Rafael Carioca, que não estava em grande jornada e trocando por Felipe Mattioni. O guri entrou com a mensagem de que, de nada adiantaria torcer por um milagre em Brasília se o tricolor não garantisse os 3 pontos. E o rapaz tocou o terror na defesa atleticana, fazendo excelentes jogadas. Numa delas, cavou o necessário pênalti, convertido com maestria por Tcheco.

A partir daí, as coisas mudaram, a favor do Grêmio. A posse passou a ser tricolor e o Galo praticamente jogou a toalha, naquele momento. A entrada de Soares no lugar de Marcel também ajudou, pois foi da cabeça dele que aconteceu o segundo gol gremista, que consolidou o resultado.

Antes disso, uma jogada incrível: Tcheco passou por dois marcadores AO MESMO TEMPO, deixando-os cair de bunda no chão. Cena fantástica, mesmo.

E, também antes disso, um momento constrangedor: alguns torcedores ouviram o TERCEIRO gol do Figueirense sobre o Inter e se CONFUNDIRAM, acreditando que fosse gol do Goiás. A empolgação destes DESAVISADOS levou o estádio inteiro DE ARRASTO, causando a maior confusão coletiva da história do Olímpico. Logo em seguida, todos nos demos conta da besteira feita.

Evidentemente, a única informação que importava era o gol do Goiás, que nunca aconteceu. Talvez foi a primeira vez em que a torcida não comemorou nenhum dos três gols sofridos pelo Internacional, já que o jogo do “Campeão de Tudo” pouco importava.

O jogo se encaminhava para o final e o Grêmio esbanjava erros de passe no ataque. Poderia ter tido chance de multiplicar o placar, caso tivesse maior interesse. Mas àquela altura, a vitória já lhe bastava. Ainda houve tempo para uma dificílima defesa de Victor, em arremate de Beto. A defesa lhe rendeu um estrondoso coro de VICTOR, VICTOR. Aposto que, desde aquele momento, ele já caiu nas lágrimas.

Antes do apito final, mas já sabedores de que o jogo em Gama – DF havia acabado, TODA  a torcida do Grêmio uniu-se em uma ensurdecedora SALVA DE PALMAS. Foi algo DEVERAS emocionante, que foi confundido por SECADORES como uma comemoração. Não foi. Foi apenas um agradecimento pelo empenho e pela vontade de vencer, que superou a inferioridade técnica. Que garantiu uma diferença de 18 pontos sobre o tradicional rival. Que lhe permitiu sonhar com a conquista do título até a última rodada, apesar da evidente frustração de ter liderado o certame por mais de 20 rodadas.

Enfim, OBRIGADO GRÊMIO e estaremos juntos, em 2009, para a conquista do tri da Libertadores.

Em tempo: um certo aviãozinho resolveu sobrevoar as imediações do estádio Olímpico, ontem, a partir dos 35 minutos do segundo tempo, quando já havia a certeza de que o Goiás não cometeria o crime no Distrito Federal.

Em resposta, tenho outra imagem:

Campeão de tudo MY ASS!

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One response

8 12 2008
Vicente Fonseca

Eu, como sempre, estive lá e atesto cada linha do teu belíssimo texto, Gustavo. Não senti vontade de chorar quando do gol do São Paulo, mas sim quando os aplausos ao time vieram assim que acabou o jogo de Brasília. Não existe torcida igual no momento como esta do Grêmio, que bota 35 mil de média num Campeonato Brasileiro.

Sobre o aviãozinho, é pé quente: sobrevoou o estádio e logo a seguir saiu o gol do Soares. Quero muitos destes em toda a Libertadores de 2009.

Força Grêmio! Abraço, Gustavo.

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