Fogo controlado

9 12 2008

A última rodada do campeonato brasileiro começou tensa por motivos extra-campo – a polêmica em torno da suposta tentativa de suborno ao árbitro Wagner Tardelli, que apitaria Goiás x São Paulo (acabou sendo substituído às pressas pela CBF). Também houve alguns incidentes no jogo supra-citado, que ocorreu no estádio do Gama, no Distrito Federal – um torcedor foi baleado, o São Paulo “adonou-se” do vestiário principal do estádio (o mandante do jogo era o Goiás), etc.

Mas dentro das quatro linhas, a última rodada foi quase previsível. Alguns poucos resultados foram considerados “zebras”, mas que pouco alterariam as definições, caso fossem invertidos. Talvez a maior surpresa da rodada, se é que dá pra usar este termo, foi a derrota em casa do Palmeiras, que passou da terceira para a quarta posição perdendo, assim, sua vaga direta à fase de grupos da Libertadores.

Nem por isso esse é um fato que tirará o sono dos alviverdes, pois seu adversário na fase qualificatória será uma equipe boliviana, país que raramente forma times competitivos. No entanto, vencendo o confronto, o Palmeiras será incluído em um grupo difícil – com o Sport Recife, Chile 2 (ainda não definido) e o atual campeão, a Liga Deportiva Universitária, de Quito.

Mas falarei sobre a Libertadores mais adiante.

Como falei antes, o SPFC venceu seu jogo contra o Goiás, por 1×0 e sagrou-se hexacampeão brasileiro (tricampeão em sequencia – ambos fatos inéditos no país), com 3 pontos de vantagem sobre o Grêmio, que também venceu seu jogo, contra o Atlético Mineiro, por 2×0.

Boring.

Boring.

Em uma disputa que prometia ser acirrada e emocionante, as duas vagas restantes para a Libertadores foram definidas de forma quase melancólica. Muito cedo, o Atlético Paranaense abria 2×0 sobre o Flamengo. Ainda que o rubro-negro carioca fizesse menção de reagir, através de pênalti, o Paranaense ampliou novamente a vantagem, anotando 3×1. O Flamengo ainda conseguiu diminuir a vantagem no primeiro tempo, com Marcelinho Paraíba. Mas, na segunda etapa, o Atlético marcou duas vezes e o Flamengo só conseguiu diminuir nos acréscimos, consolidando um placar de 5×3 e a não-classificação do Flamengo para a Libertadores.

Enquanto isso, o Palmeiras conseguia, novamente, perder seu último jogo em casa no campeonato (a exemplo de 2007), desta vez para o Botafogo. Porém, diferentemente do ano passado, essa derrota não lhe custou a vaga para a Libertadores, que ficou assegurada com a derrota do Flamengo. Porém, como disse acima, perdeu o terceiro lugar e a vaga direta à fase de grupos, que ficou com o Cruzeiro, que ganhou da rebaixada Portuguesa por 4×1, de virada.

A zona de rebaixamento foi igualmente, previsível, pero no mucho: o Vasco fez a façanha de perder seu último jogo em casa, para o Vitória, por 2×0. Mesmo que tivesse vencido, o cruzmaltino não conseguiria manter-se na primeira divisão, devido aos resultados paralelos. Com a vitória do Atlético Paranaense e Figueirense e o empate do Náutico, o Vasco estava condenado. Com o rebaixamento, o único clube grande carioca que ainda não terá visitado o limbo será o Flamengo (até quando?).

Já o Figueirense venceu o Inter, de virada, por 3×1, mas torcia por um golzinho do Santos, que rebaixaria o Náutico em seu lugar. Como isso não aconteceu, o Figueira empatou em pontos com o clube pernambucano, porém, com saldo de gols muito inferior. Com isso, não poderá editar clássicos com seu tradicional rival de Florianópolis, o Avaí, que jogará a Série A em 2009.

Com a conquista da Copa Sulamericana pelo Internacional, abriu-se mais uma vaga para times brasileiros, já que o campeão da edição 2008 está automaticamente classificado para a edição 2009 do torneio continental. Este fato gerou uma situação ainda mais bizarra, já que apenas DOIS clubes ficaram sem nenhum tipo de gratificação pelo não-rebaixamento: Náutico e Santos. Portanto, com a vitória sobre o Flamengo, o Atlético Paranaense salvou-se do rebaixamento e, de quebra, classificou-se para disputar o torneio mais desejado pela menor metade do Rio Grande do Sul.

Jogos da última rodada:

tabela-portugues1

E a classificação final do campeonato:

classificacao1

Agora é FÉRIAS do campeonato brasileiro, que vinha exaurindo minhas energias. Fazendo uma análise pós-campeonato, é evidente que, ou tu tens um time REALMENTE bom, competitivo, com chance de ser campeão com folga, ou tu morres a cada rodada. São 38 potenciais infartos.

Fez certo o Inter, ao optar pela solução mais simples. Os torcedores colorados estavam tranquilos em relação ao campeonato brasileiro desde, sei lá, a 22a rodada. Sabiam que não havia mais chance. Assim, optaram pela sulamericana, torneio rápido. Levantar um caneco e garantir uma passeata.

Já o Grêmio tentou o longo e tortuoso caminho das pedras do campeonato brasileiro. Desacreditado e tido como um time de “mata-mata” somente, era improvável que o tricolor fosse sair campeão brasileiro. Porém, liderou por mais de 20 rodadas e chegou a ter 11 pontos de vantagem sobre o atual campeão. Obviamente, o segundo turno foi pior do que o primeiro, mas não muito pior. Já o segundo turno são-paulino foi ABSURDAMENTE bom.

Enfim, fico feliz de poder torcer pelo Grêmio no próximo ano, na Libertadores. Evidentemente essa é a prioridade um, máxima e indiscutível. Porém, gostaria muito de que isso não prejudicasse o desempenho nas primeiras rodadas do campeonato brasileiro, permitindo ao Grêmio manter-se entre os primeiros e, quem sabe, novamente disputar o título. Pensar grande é pré-requisito para as grandes conquistas.

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