Análise da discografia do Ramones (parte 2)

6 07 2009

End of the Century (1980)

Um marco, de um novo estilo, de um novo Ramones. Se é melhor ou não, é irrelevante. É novo, apenas.

PÉSSIMA capa. Absolutamente brega.

PÉSSIMA capa. Absolutamente brega.

Esse disco foi produzido por Phil Spector, conhecidíssimo e badaladíssimo produtor, conhecido inclusive por ter lançado Let it Be, dos Beatles, entre outros. O forte de Spector era o pop. Evidentemente, esta foi a roupagem sugerida para o novo trabalho dos Ramones, muito pouco a ver com o ainda cru (e não menos EXCELENTE) Road to Ruin, seu antecessor. Imagino que, na época, muitos fãs de Ramones devem ter ficado um pouco decepcionados com este álbum, pois a mudança exagerada na musicalidade deve ter sido chocante para os aficcionados. Porém, o disco tem muito valor, com várias faixas de excelente qualidade.

Não consigo julgar negativamente a tentativa dos Ramones de buscar espaço maior junto às rádios e, por que não dizer, vender mais e faturar mais. E no final das contas, o álbum ficou ótimo com a melhoria dos arranjos e complexidade das músicas. Eu, pelo menos, gostei muito deste esforço em fazer algo melhor para nós. Mais adiante eles veriam que seria possível fazer algo MUITO MELHOR simplificando as coisas.

– lançamento: 4 de Fevereiro de 1980 (10 dias depois do meu nascimento)
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Marky (bateria)
– faixas:
1. Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio?: foi feita para ser um sucesso. E foi. O som é orquestrado, algo ULTRA INÉDITO na história da banda, além de ter vários detalhes interessantes, como o início com som radiofônico. EXCELENTE (apesar disso, digam o que quiserem, mas eu prefiro a versão do “Loco Live”).
2. I’m Affected: tenho a sensação que este é um daqueles sons que eram para ser mais do que foram de fato. Pode ser LOUCURA da minha TÊTE, mas eu noto uma semelhança incrível nos arranjos desta música com os da primeira faixa de Road to Ruin, “I Just Want to Have Something to Do”. Mesmo assim, é uma faixa de grande qualidade. Ótima.
3. Danny Says: nada a ver com o Ramones clássico. É uma baladinha. E daí? Eu gosto particularmente da progressividade da guitarra e de todos os instrumentos do início ao meio da faixa, fica, sei lá, emocionante. EXCELENTE.
4. Chinese Rock: eu tendo a gostar sempre mais das músicas que foram escolhidas para “Loco Live”. Mas este som é muito massa, punk, mas evoluído, com até uns solinhos de guitarra (vê se pode!). Uma das melhores coisas que este álbum nos trouxe. EXCELENTE.
5. The Return of Jackie and Judy: é, literalmente, uma continuação da faixa “Judy is a Punk”, do álbum de estreia, “Ramones”. Deveriam ter feito no mesmo estilo da primeira, inclusive com a gravação estilo “antigo”. Boa.
6. Let’s Go: eu podia viver sem ela. Mais ou menos.
7. Baby I Love You: uma música assinada pelo produtor, Phil Spector. É uma balada romântica. Porque punks também dançam de rostinho colado. Não vou dizer que é a melhor faixa do disco, mas aprecio o fundo orquestrado e os solos de VIOLINO desta faixa. EXCELENTE.
8. I Can’t Make It On Time: ok, vamos voltar ao punk. Mas em doses homeopáticas. Ótima.
9. This Ain’t Havana: Ba-ba-banana. Este é um som ba-ba-bacana. Ótima. (podem me matar agora)
10. Rock ‘n’ Roll High School: outro clássico locolaivano. Simples, uma música que mantém a base punk da banda, retornando aos anos 60 e dando um clima “escolar”. Tenho certeza que este som foi FEITO para ser um HIT. E deve ter conseguido. Com toda a razão, pois é EXCELENTE e é a melhor faixa do disco (será que as explosões no final são BOMBAS na escola?).
11. All The Way: muito muito boa. Ótima, na verdade.
12. High Risk Insurance: o refrão desta faixa destoa do resto do som. Mas isso não é ruim. Ótima.

Pleasant Dreams (1981)

Os Ramones não poderiam perder o ritmo de um disco por ano. Porém eles demoraram o ABSURDO (irony mode on) de UM ANO E MEIO para lançar o trabalho seguinte a “End of the Century”. E eles não contavam mais com Phil Spector, sei lá por que. Mas o resultado não foi NADA ruim. Pelo contrário, conseguiram fazer um disco impecável, talvez o melhor de todos os discos do Ramones. Mantiveram a complexidade, mas eliminaram os arranjos orquestrados e bobajeiras deste tipo. Quer dizer, voltaram a ser um pouco mais Ramones.

– lançamento: Julho de 1981
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Marky (bateria)
– faixas:
1. We Want the Airwaves: seria um protesto pela falta de espaço nas rádios americanas? O fato que este som é muito bem elaborado, forte, incisivo. Se eu fosse um alto executivo do setor, provavelmente seria induzido a liberar, sei lá, 50 INSERÇÕES por dia só desta faixa, na minha rádio. EXCELENTE.
2. All’s Quiet on the Eastern Front: simples, mas sem deixar de ser ótima.
3. The KKK Took My Baby Away: impossível não CHORAR quando ouço este som. EXCELENTE. Muito perfeita. É, sem dúvida, a melhor do disco, apesar de ter uma CARALHADA de músicas excelentes. Ainda que a Wikipedia diga Joey escreveu este som porque Johnny teria “roubado” uma namorada dele…
4. Don’t Go: impressionante a capacidade dos Ramones em fazer sons românticos mantendo a punquidade. EXCELENTE.
5. You Sound Like You’re Sick: massa o “oooo”, que tem ao final de cada frase. E as palmas? EXCELENTE.
6. It’s Not My Place (in the 9 to 5 world): Joey não quer que os Ramones percam sua identidade. Nem nós. Legais as batidas deste som. Legal tudo desta faixa, pensando bem. EXCELENTE.
7. She’s a Sensation: se me dessem duas palavras para descrever este som, sem dúvida eu usaria “DO CARALHO”. Mas, como tenho mais, posso dizer que é uma balada punk muitíssimo bem arranjada. Outro som para chorar. De prazer. E ainda está sendo usada na trilha do filme brasileiro “A Mulher Invisível”, que está em cartaz neste momento – parece até que eles sabiam que eu estava fazendo esta série de posts… EXCELENTE, claro.
8. 7-11: hoje a música se chamaria 7-Eleven, pois é assim que a rede de lojas de conveniência citada na música se apresenta nos tempos atuais. Balada romântica um pouco menos punk que a anterior. Grande coisa. EXCELENTE.
9. You Didn’t Mean Anything to Me: vamos voltar um pouco ao punk. Mas sem perder a qualidade. EXCELENTE.
10. Come On Now: muitas palmas neste som. Tchê, os Ramones estavam realmente muito inspirados neste disco, impressionante. EXCELENTE.
11. This Business Is Killing Me: uma faixa meio diferente do que vínhamos ouvindo. Não chega a ser excelente, classifico-a como ótima, mas não faltava tanto.
12. Sitting in My Room: uma música ótima para fechar muito bem um disco perfeito.

Nada menos do que 9 músicas Excelentes e 3 Ótimas neste álbum. Ainda não sei se este feito será superado por outro álbum (estou classificando na medida que vou escrevendo). Duvido.

Subterranean Jungle (1983)

Subterranean Jungle é mais punk que Pleasant Dreams. Para os fãs de punk simplesmente, deve ter sido uma boa notícia, pois devem ter detestado o disco anterior. Mas eu, que gostei PROFUNDAMENTE de “Pleasant”, também gostei do trabalho seguinte dos Ramones. Não dá pra negar que os anos 80 estavam pegando forte no trabalho deles e os elementos eletrônicos começavam a despontar, mesmo que sutilmente (em Too Tough To Die eles explodirão, aguardem).

– lançamento: Maio de 1983
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Marky (bateria)
– faixas:
1. Little Bit O’Soul: um cover, bem executado. Ótima.
2. I Need Your Love: outro cover, não muito punk ainda, com um coro no refrão. Uma batida meio repetitiva, sem perder a ternura, no entanto. Ótima.
3. Outsider: agora sim, punk na veia. Rola até um vocal do Dee Dee, muito massa. Ótima.
4. What’d Ya Do?: coo coo coo coo? Ótima.
5. Highest Trails Above: ouvindo este som lembro bastante dos primeiros discos. É sempre uma ótima lembrança. Ótima.
6. Somebody Like Me: os primeiros acordes são de Blitzkrieg Bop. Depois o som parte para algo bem diferente, bem musical. A letra diz muito: “I’m just a guy who likes Rock ‘n’ Roll, I’m just a guy who likes to get drunk, I’m just a guy who likes to dress punk”. Dá vontade de dizer: “me too!” EXCELENTE.
7. Psycho Therapy: eu já falei que tenho uma quedinha pelas músicas do “Loco Live”. Mas, não só por isso, este som é punk puríssimo, violento, DESLEAL (ns). EXCELENTE.
8. Time Has Come Today: outro cover. Não gostei muito. Mais ou menos.
9. My-My Kind of a Girl: balada romântica, mas sem perder a distorção da guitarra. Eu sou um cara romântico, que posso dizer? EXCELENTE, a melhor do disco.
10. In The Park: lindo trabalho, devemos dizer. EXCELENTE.
11. Time Bomb: toda cantada por Dee Dee. Mandou bem, só não precisava dizer “I’m gonna kill my mom and dad”, vai que alguém resolva seguir a “dica”? Ótima.
12. Everytime I Eat Vegetables It Makes Me Think of You: maior nome de música possível. E te digo que a música é, digamos, GRANDIOSA. A letra é muito massa. Eu achei EXCELENTE.

“Stay tuned for more rock ‘n’ roll”, já dizia Rock ‘n’ Roll Radio. Continuem sintonizados que logo logo sai a continuação desta saga impiedosa.

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