Crusin’ (parte 2)

16 01 2010

No momento em que escrevo este texto, estamos no aeroporto do Panamá, aguardando pela conexão ao Rio de Janeiro. Significa que nossa viagem aos Estados Unidos já foi finalizada, para ser exato, às 5 da manhã de hoje. Devido ao horário, nem dormimos antes da viagem, apenas fizemos toda a arrumação da bagagem e nos preparamos para sair. Mas o dia e a noite foram cheios, disso não podemos reclamar. Aliás, a viagem inteira foi assim.

Mas vamos seguir a máxima de Jack e ir POR PARTES:

San Francisco

Como eu tinha dito antes, Las Vegas não foi tudo aquilo que imaginávamos. Ou melhor, nós nem tínhamos uma expectativa tão grande em relação à “Sin City”, pois sabíamos que é um lugar que seria bom se fosse sempre noite, pois durante o dia há pouco para fazer e o clima de lá não é nada agradável. Deixamos o carro no aeroporto e voltamos a voar, desta vez para a “capital” do Vale do Silício, San Francisco. Ok, não é a capital, mas é perto de San José ou de Palo Alto, algumas das mecas da indústria de alta tecnologia. É facilmente visível que o norte da Califórnia é RICO BAGARAI, muito por causa dos nerds de lá.

Tínhamos uma expectativa consideravelmente alta para San Francisco, pois todos os relatos que havíamos consultado eram extremamente positivos. Ouvíamos muito que era uma “cidade europeia” nos Estados Unidos, com uma beleza toda especial. Depois de lá chegar e passear um pouco pela cidade, fica fácil entender o porquê da “cidade europeia”, pois em boa parte da cidade a arquitetura das residências remete às construções inglesas, principalmente. Os “altos e baixos” ultra intensos de lá são familiares para quem mora em zona serrana, como nós, mas é bastante incomum se tratando de uma cidade litorânea. Impossível não lembrar de filmes gravados em San Francisco, como “Em busca da felicidade” depois de passar pelos morros, ver os Cable Cars, etc.

Assim como no sul da Califórnia, a previsão não era de frio para San Francisco. Para dizer a verdade, a temperatura não foi muito diferente do que estava em San Diego, por exemplo e estava mais alta do que em Las Vegas. Porém, nesta viagem nós entendemos e aprendemos que a temperatura nominal muitas vezes não diz SHIT sobre a verdadeira temperatura. San Francisco é o tipo de lugar que 11 graus é FRIO. Venta muito e, especialmente quando perto dos Piers, agasalhos se fazem necessários. Quase estragamos nosso primeiro dia de passeio pois ACREDITAMOS DEMAIS na previsão do tempo e tivemos que comprar um casaco pra Gra numa loja pra que pudéssemos continuar.

Fizemos o passeio de ônibus Hop on / hop off ou seja, naqueles ônibus de dois andares, com a parte de cima aberta, permitindo melhor visualização dos pontos turísticos, além da presença de guia, que vai explicando sobre os locais. A gente pode descer do ônibus e subir de novo nos pontos pré-estabelecidos. Fizemos isso para entendermos melhor sobre os pontos turísticos e para ajudar a nos localizarmos melhor. Nos dias seguintes, lançamos mão do uso do transporte público para nos locomovermos. Numa cidade como San Francisco, nenhum problema em fazer isso. Com este transporte, aproveitamos para cruzar a Golden Gate Bridge e fazer algumas fotos num mirante específico, já do outro lado da Baía de San Francisco, no caminho para Sausalito.

Alcatraz é um destino que nos deixa pensando: mas o que uma ilhota que contém uma prisão desativada (cenário de inúmeros filmes e livros) pode ter de tão interessante. Aí vem uma resposta igualmente curiosa: não quer dizer apenas o local em si, mas também a estrutura montada. A ilha de Alcatraz é parque nacional e, portanto, de uso e controle do governo americano. Para ir até lá, somente através de uma barca padronizada, bastante grande, com diversos horários de partida e retorno. Os grupos não são fechados, assim que o sujeito pode ir na primeira barca da manhã e voltar no final da tarde, se quisesse. Mas não fizemos isso, pois nosso tempo era limitado e precioso. Lá chegando, um guarda dava bem humoradas “instruções de uso” da ilha, cheia de restrições mas também com dicas. A melhor e mais rica de todas é o uso de Audio Guides, que estão inclusos no passeio mas são opcionais. Esses guias de audio são cheios de depoimentos de ex-presidiários, carcereiros, familiares, etc. Com barulho de portas fechando, motins dos encarcerados e outras coisas afins. Enriqueceu barbaramente a experiência de visitar Alcatraz. Vale muito a pena, além da linda vista da cidade, já que a ilha fica a pouco mais de 1 km da costa.

Por perto do Pier 33, onde se embarca para Alcatraz, está o Pier 39, que foi organizado para ser um ponto repleto de restaurantes e lojinhas para turistas. É tudo muito colorido e agradável. E, de quebra, tem uma parte onde ficam alguns leões marinhos, gritando e fazendo folia. Um pouco mais para a frente, tem o Pier 45, conhecido como Fisherman’s Wharf, outra área de restaurantes e lojas, só que nesta a maioria das lojas ficam numa rua e não a beira-mar. Bacana para passear. Nós lanchamos no Boudin, uma rede de padarias, cuja matriz fica localizada ali. No Boudin, é servido sopa de siri no pão, sua especialidade, mas também chamam a atenção os pães com formato de tartaruga, ursinho, jacaré…

Nós estávamos num hotel na Powell Street, próximo da Union Square, a praça que reúne as principais marcas e lojas da cidade. Na “nossa” rua passava o Cable Car, um bonde super antigo que funciona a partir de cabos subterrâneos. Com o passe de 3 dias, que custava US$ 20, o acesso aos ônibus, metrô, cable car e street car (bonde elétrico) era ilimitado. Valia muito a pena, pois qualquer trecho feito no cable car custava US$ 5 por pessoa. Pegando o cable car Powell-Hyde, subíamos a Powell, depois virávamos à esquerda na Washington, no chamado Nob Hill para depois seguirmos na Hyde street até o Fisherman’s Wharf. Porém, antes de chegar lá, passa-se pela Lombard street, no trecho conhecido como A RUA MAIS CURVA DO MUNDO. São 8 curvas no comprimento de uma quadra. Algo como a descida da serra do Rio do Rastro (pra quem conhece), mas em miniatura.

Subindo a Lombard Street, mas para o outro lado, chega-se ao Telegraph Hill, onde está a Coit Tower, que dá uma bela vista da cidade. Descendo, depois, aproveitamos para conhecer um pouco de Little Italy e Chinatown. Aliás, toda cidade importante nos Estados Unidos tem uma Little Italy e uma Chinatown. Mas impressiona que de uma rua para outra a aparência de um bairro muda drasticamente, falando especificamente de Chinatown. Nem parece que se está nos Estados Unidos. E tem algumas lojas e mercados que todas as identificações e etiquetas estão em chinês, são totalmente pensadas para aquele público.

Ao sul da Market Street está a área conhecida como South of Market ou, SoMa. Era bastante perto do nosso hotel e pudemos fazer a pé. Nesta zona, as casas estilo colonial dão lugar a grandes e modernos edifícios, além de belos parques, como o Yerba Buena. Região muito agradável.

Fomos conhecer também o Golden Gate Park, que fica no lado oeste da cidade. No verão e na primavera deve ser muito lindo, mas no inverno era sombrio e cheio de indigentes. Ficamos pouco tempo por lá. Passamos perto, mas acabamos não conhecendo Castro, o famoso bairro gay de San Francisco. Ficará para uma próxima, além da necessária viagem para Napa Valley e, principalmente, para o Parque Nacional do Yosemite, cujo acesso é dificultado no inverno. Se tivermos a oportunidade de visitar esta região na primavera ou no verão, iremos certo para estes lugares (além do Grand Canyon).

Enfim, 3 bons e cheios dias em San Francisco, sendo que o último foi de chuva (o único dia chuvoso em toda nossa estadia nos Estados Unidos). Hora de empacotar e nos mandarmos para a GRANDE MAÇÃ.

New York

Era a única cidade que nós dois já conhecíamos – eu já tinha estado lá em 3 oportunidades e a Gra, em uma. Mas ambos havíamos conhecido-a no verão ou, no máximo no outono. Portanto, estar lá no inverno era uma experiência nova para nós dois.Tínhamos grande expectativa de encontrar neve. Mas, aparentemente, estávamos com as COSTAS QUENTES. Não caiu um único floco durante os 3 dias em que estivemos em New York, apesar de que havia nevado um dia antes de chegarmos. Via-se neve e gelo acumulados em alguns lugares, especialmente nos parques. E fez bastante frio, apesar de tudo, mas acompanhado de sol.

Nosso hotel estava a uma quadra da região da Times Square, na esquina da 48th St com a 8th Avenue. Tinha uma estação de metrô na esquina da 8th com a 49th, ou seja, muito conveniente para tudo. Como não era nossa primeira vez, não fizemos todo o roteiro clássico de um turista recém-chegado, mas fizemos aquilo que nos agradava mais, além, evidentemente, de coisas que não havíamos feito ainda. Coisas como:

– patinar no Rockfeller Center: ou melhor, TENTAR patinar. Pois nenhum de nós havia feito isso antes. O resultado não foi muito animador. Mas foi muito divertido. Em tempo: NADA FÁCIL

– visitar o Met – Metropolitan Museum of Arts: uma experiência fascinante. Porém, devido a problemas físicos (cansaço extremo) visitamos apenas o andar térreo do museu. Recomendado a qualquer um

– conhecer o novo rink de patinação dentro do Central Park, construído pelo famigerado Donald Trump

– ver ao vivo um lago congelado (de verdade), dentro do Central Park

– almoçar no Le Pain Quotidien, no Upper East Side, um lugar sensacional

– ver as obras do novo World Trade Center, no mesmo lugar do antigo

– assistir a uma peça da Broadway – Mary Poppins – inesquecível

– assistir a uma performance do New York City Ballet – não é exatamente a coisa mais divertida do mundo, mesmo assim, valeu a pena

– compras (bem capaz!)

– caminhadas (muitos e muitos passos dados, especialmente na Fifth Avenue).

Parece estranho, mas quem já foi lá entenderia: NY tem um magnetismo que te chama a ir lá de novo. E de novo. Quantas vezes forem necessárias – provavelmente infinitas vezes. Assim que eu imagino que em nossas viagens futuras para os Estados Unidos, NY provavelmente estará novamente quotada para receber-nos.

Parece que faz uma vida inteira que estamos fora, mas é pouco mais da metade de um mês. Agora, daqui a pouco, estaremos de volta ao Brasil, às nossas famílias. Mas fica um gostinho de QUERO MUITO MAIS. Teremos, não tenho dúvida.





Cruisin’ (parte 1)

11 01 2010

Estamos a menos de 1 semana do final da nossa tão esperada viagem à California (e algo mais). Tá certo que o primeiro dia nem dá pra contar, pois foram 24 horas de viagem e conexões, sendo que literalmente viramos o ano a bordo de um avião.

Vou tentar contar o que aconteceu até agora.

Los Angeles

Nós chegamos no aeroporto internacional de Los Angeles um pouco antes da meia-noite, ou seja, aqui ainda era 2009. Porém, no nosso CALENDÁRIO BIOLÓGICO, o ano já tinha passado fazia tempo. Mas, entre procedimentos de alfandega e retirada de bagagens, o ano virou exatamente quando pisamos fora do aeroporto (estou falando sério!). Portanto, foi um tal de HAPPY NEW YEAR para qualquer um que víssemos na frente.

Ficamos no hotel Holiday Inn Express Century City, próximo a Westwood e Beverly Hills. Foi uma boa escolha, pois se trata de um lugar muito bonito e com um pouco menos de trânsito do que outras regiões. E relativamente perto do que há de melhor para se ver em LA em poucos dias. Digo relativamente, pois NADA é perto em Los Angeles. O hotel é da bandeira mais barata da rede Holiday Inn, mas foi muito bom pois o quarto era bastante espaçoso (foi a primeira vez na minha vida que fiquei num quarto em que precisava subir escadas para ir até a cama) e havia um café-da-manhã de cortesia simples mas eficiente.

Reservamos um carro para a manhã do dia 1/1, para ficar com ele por 8 dias. É um Sonata branco, da Hyundai. É um sedã grandão, meio de véio, mas serviu muito bem pros nossos propósitos, pois é grande, espaçoso e confortável. Apesar de ser meio caro, optei por alugar com GPS e isso é a salvação, acreditem. É impossível se perder usando-o, mesmo numa cidade de 12 milhões de habitantes.

Alugar um carro foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado, pois depender do transporte público por aqui não ajuda muito a felicidade. Tudo é longe, as avenidas são largas e longas. O custo de se manter um carro é baixo, pois o preço da gasolina aqui é consideravelmente mais baixo do que no Brasil (US$ 0,79 por litro). Não sei o tamanho exato desse tanque, mas sei que eu estou gastando MUITO POUCO em combustível.

Ficamos 3 dias e 4 noites em Los Angeles. Circulamos de carro por Beverly Hills (parando um pouco na Rodeo Drive), Bel-Air, Hollywood – que é realmente decadente, algo deplorável de se ver, Pasadena – tinha recém acontecido o ROSE BOWL, que não é apenas o nome do estádio, mas sim, uma partida de futebol americano realizada todo dia primeiro de janeiro, entre duas universidades. Este ano foi entre o Ohio State Buckeyes e o Oregon Ducks. O Ohio State venceu por 26-17.

Também aproveitamos para ir para a Disneyland (não confundir com a Disney World, na Florida), que fica a uns 50 km de Los Angeles. Um dia inteiro para isso e não foi suficiente para aproveitar tudo (passou longe disso, na verdade). Mas a Disney é algo muito maravilhoso, tudo é limpíssimo e funciona perfeitamente. Nenhum sinal de ferrugem nos brinquedos, tudo brilhando e colorido. É uma experiência para todos os sentidos.

No domingo, nosso último dia lá, fomos de carro costeando a Pacific Coast Highway até Malibu, mas antes passando no Getty Villa, um local maravilhoso. Daí seguimos passando por mansões e carros esportivos – em um restaurante na beira-mar tinha 5 Lamborghinis e uma Ferrari estacionadas. E não era um restaurante chique. Voltamos e paramos em Santa Monica, que é uma praia bastante festiva. À noite aproveitamos para jantar no complexo chamado L.A. Live, que agrupa a arena onde o Lakers joga (Staples Center), um centro de entretenimento (Nokia Theatre) e uns 20 restaurantes, pelo menos. Algo de babar, verdadeiramente. O Lakers jogou aqula noite, mas não pudemos ver ao vivo, infelizmente. Assim fechamos nossa estadia na maior cidade da costa oeste americana.

San Diego

Naquela manhã, tomamos o café no hotel de Los Angeles e nos mandamos para San Diego, segunda maior cidade da California, com 1,3 milhão de habitantes, que fica a 200 km. Mas esse tipo de viagem a gente faz brincando, sério. Com as rodovias Interstate, que geralmente tem umas 4 ou 5 pistas, é uma brincadeira de criança. Sério, se desse, nós deveríamos IMPORTAR as estradas dos Estados Unidos…

Teríamos apenas dois dias e duas noites em San Diego, portanto, decidimos sair cedo para aproveitar bem a primeira atração – o Sea World, um parque de diversões aquático. Foi meio decepcionante, na verdade. Em primeiro lugar, porque várias atrações não estavam disponíveis, talvez por causa do fato de ser inverno, mas acredito que o principal motivo é que, depois de ir à Disney, essa passa a ser a referência. E acho que é bem difícil de bater. Mesmo assim, o Sea World inclui algumas atrações bacanas, como o show de Leões Marinhos adestrados (Sea Lions Live), muito legal mesmo. Também vimos um show de animais de estimação (Pets Rule), mas esse era fraco. E, finalmente, estávamos ansiosos pelo principal show diário do parque, o Believe!, o espetáculo das baleias orca adestradas. É um show legal, tem um baita estádio feito somente para esta apresentação, mas confesso que esperava mais. Enfim, como eu disse antes, talvez tudo fique “pequeno” depois que a gente vai na Disney…

No dia seguinte, fomos para a principal atração de San Diego: o Zoológico, mundialmente famoso. Trata-se de um dos maiores zoológicos do mundo em termos de tamanho físico e é o maior do mundo em número de sócios (sim, isso existe). Tem nada menos do que 250.000 sócios adultos e 130.000 sócios infantis, totalizando quase meio milhão de membros associados, pagadores de anuidades, o que lhes garante livre acesso ao zoológico e ao Wild Animal Park, um “safari” pertencente ao Zoológico (não fomos nesse, pois não teríamos tempo para isso, embora o ingresso que pagamos – US$ 37 por pessoa – nos desse acesso a ambos por 3 dias). Ficamos várias horas no zoológico, mas o cansaço físico impede de exagerar (já eram vários dias de caminhadas exaustivas). Meu celular tem um marcador de passos e a nossa média diária de passos dados estava girando ao redor de 15.000, ou aproximadamente 12,5 km (na Disney foram mais de 20.000 passos). Sério. Vimos ursos panda, algo que eu ainda não tinha tido a oportunidade de visualizar pessoalmente. Outro animal que me impressionou muito foi a Pantera Negra (ou jaguar). Se eu fosse um felino, acho que eu ia querer ser ele. É um bicho muito FODA.

Conseguimos conhecer um pouco do centro e da área portuária de San Diego, onde um porta-aviões aposentado (USS Midway) fica permanentemente, como um museu. Infelizmente quando chegamos lá já não dava para entrar. Mesmo assim, ver um final de tarde de um belo dia na baía de San Diego é uma experiência fascinante. Depois ainda fomos jantar no Hard Rock, onde eu comprei um COOL chapeu tipo DRIVER.

Esqueci de comentar, mas não tivemos NENHUMA experiência invernística durante os dias que ficamos no sul da Califórnia. É fácil entender porque esse estado é conhecido como “Sunny State”. 15 graus é frio pra eles.

É hora de pegar a estrada para uma longa viagem.

Las Vegas

Eu já estava preparado psicologicamente e fisicamente para esse trecho. Já estava totalmente habituado ao carro e ao câmbio automático (melhor coisa do mundo, sério). Deixei o tanque do carro cheio. Esvaziei bem o MEU tanque antes de sair. Then, hit the road, Jack!

Sério, foi a longa viagem mais curta que eu já fiz. De San Diego para Las Vegas são 530 km. Fiz isso em menos de 5 horas. Nenhum engarrafamento. Na pior das hipóteses, as rodovias tinham pista dupla. Mas foram poucos os trechos com essa situação. Na maioria do tempo eram 3 ou 4 pistas, pelo menos. Na maior parte do tempo, não era asfalto e sim, concreto. Em excelentes condições. Não paguei um PUTO pedágio no caminho.

Bah, sempre que eu lembrava das estradas lamentáveis que eu utilizo diariamente na minha região, dava vontade de chorar de raiva. São nessas horas que a gente se dá conta de que realizar Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil é uma verdadeira piada. Totalmente sem graça. Vou lembrar disso também toda vez que o Lula sugerir que o Brasil merece estar no primeiro mundo.

Fecha parênteses.

Para chegar a Las Vegas, quase toda a viagem é em território californiano. Somente as últimas 50 milhas são “nevadenses”. No começo da viagem, é um cenário de vegetação semi-desértica, montanhas rochosas e vista de montanhas com neve no fundo. Depois, sobe-se bastante, até mais de 1300 m e o cenário torna-se TOTALMENTE desértico. Não é pra menos, mas a gente cruza o deserto do Mojave, um dos mais áridos. O famoso DEATH VALLEY é bastante perto do caminho que fazemos. Várias das vistas são conhecidas de filmes que retratam o deserto. Fantástico.

Quando desponta a CIDADE DO PECADO, a gente entende perfeitamente porque eles costumam dizer que a cidade está no meio do deserto. A gente passa por nada, nada, nada e, de repente, uma PUTA cidade. Tem 500.000 habitantes, mas obviamente é muito maior, pois a maioria dos frequentadores não são moradores. É uma cidade cujas leis permitem a livre jogatina. Isso movimenta muito e gera um imposto ABSURDO para o Estado e para a União. Mas é nojento. Sem falso moralismo. É nojento ver pessoas mendigando (se ve MUITAS) para poderem gastar em apostas. Por todos os lados, velhos bêbados e velhas escrotas. Vendo algumas das cenas que a gente vê num lugar como esse, perde-se um pouco do respeito pelos mais idosos.

Nós ficamos num hotel grande, o FOUR QUEENS, que é um dos letreiros que aparecem quando a gente joga contra o BALROG, no Street Fighter II (depois que eu cheguei lá que eu me dei conta disso). Isso por causa que o hotel está localizado na Fremont Street, que é uma rua coberta, com vários hoteis e cassinos com letreiros luminosos gigantescos na fachada. É estonteante, mas depois de algumas horas lá, vira lugar comum. Já o hotel, velho, assim como seus frequentadores.

Já a Las Vegas Boulevard, ou também conhecida como LAS VEGAS STRIP, é outra história. Nessa avenida ficam os principais hoteis-cassino de Las Vegas, absolutamente LUXURIOSOS. Vários deles são GIGANTESCOS, sem exageros. A gente entra neles e pensa: “CARALHO, como alguém pode gastar grana para fazer algo assim”? Impossível não pensar em lavagem de dinheiro e coisas assim.

Nós pudemos conhecer alguns hoteis interessantíssimos nessa viagem:

The Venetian: estonteante, conta com verdadeiros canais dentro da estrutura interna, com gondoleiros passeando e levando passageiros. Sem falar nas galerias com cópias de pinturas renascentistas. Neste hotel, nós assistimos ao musical Phantom (Fantasma da Ópera), uma experiência totalmente maravilhosa. Depois que a gente sai, dá a sensação de que “agora já posso morrer feliz”. Não poderia não, pois caso eu tivesse morrido ao sair dessa peça, não poderia ter visto a próxima atração…

MGM Grand: o hotel/cassino em si, apesar de grandioso, nem é o melhor que a gente viu por lá. Mas o show que estava sendo apresentado… Tratava-se do , um dos 6 shows fixos do Cirque du Soleil em Las Vegas. Isso mesmo, SEIS. Foi uma coisa muito louca, pois, além do show ser muito FODA, o palco era móvel e se inclinava e/ou girava para diversas direções. Uma das cenas finais do espetáculo é uma espécie de luta, só que no sentido vertical. Os artistas “lutavam” presos a uma corda caminhando numa parede. Surreal.

Bellagio: o cenário de Ocean’s Eleven, ou Onze Homens e um Segredo. Sério, o filme foi rodado lá, bom não todas as cenas, claro. Na fachada (gigantesca, óbvio) do hotel tem uma rede de centenas de fontes que efetuam uma espécie de dança da água, com música e cores. A cada 15 minutos a “dança” se repete. É um espetáculo belíssimo e totalmente gratuito. Basta estar na frente do hotel.

Stratosphere: em termos de hotel e cassino, é bastante inferior aos outros da Strip que visitamos. Porém, o trunfo desta estrutura é sua torre de mais de 300 metros de altura. Do alto dela é possível observar boa parte da cidade. E, para quem tem coragem, há 3 opções de brinquedos radicais. Um deles parece arremessar as pessoas para fora da torre. Aterrorizante.

Caesar’s Palace: esse é o hotel de Vegas onde os Friends filmaram um episódio duplo “aquele em Vegas”. Mas a estrutura deste hotel é gigantesca, maior até do que a dos outros que vimos. Isso porque tem um shopping center anexo que tem literalmente TODAS as marcas de luxo que é possível imaginar. Todas as mais importantes. Além disso, o hotel é igualmente gigante. É extremamente cansativo passear nesses hoteis, verdadeiramente.

Além destes hoteis, tem alguns outros que não foram visitados por nós mas que valeriam a pena. Mesmo assim, não creio que nós voltaríamos para Vegas em uma ocasião futura. Sinceramente, não representa o tipo de entretenimento que nós apreciamos. Se é pelos espetáculos, acredito que NY é uma opção mais interessante.

Ontem, tive que entregar o carro no aeroporto de Vegas. Uma sensação ruim, pois o Sonata parecia já fazer parte da nossa rotina. E eu estava gostando muito dele. Talvez alugaremos novamente um automóvel aqui em San Francisco, mas não é uma certeza.

Como eu comentei, nesse momento estamos em San Francisco e, terça-feira a noite, viajaremos para New York, para a última parte da viagem. Porém, este texto já ficou incrivelmente longo e representa metade da viagem. Portanto, deixarei o resto para a segunda parte.

Lamento muito não ter fotos para ilustrar, mas por alguma razão, não estou conseguindo subi-las. Tenho umas 500 fotos até agora, por baixo. Prometo mostrar algumas imagens da viagem, assim que isso for possível.

Até mais!