Cruisin’ (parte 1)

11 01 2010

Estamos a menos de 1 semana do final da nossa tão esperada viagem à California (e algo mais). Tá certo que o primeiro dia nem dá pra contar, pois foram 24 horas de viagem e conexões, sendo que literalmente viramos o ano a bordo de um avião.

Vou tentar contar o que aconteceu até agora.

Los Angeles

Nós chegamos no aeroporto internacional de Los Angeles um pouco antes da meia-noite, ou seja, aqui ainda era 2009. Porém, no nosso CALENDÁRIO BIOLÓGICO, o ano já tinha passado fazia tempo. Mas, entre procedimentos de alfandega e retirada de bagagens, o ano virou exatamente quando pisamos fora do aeroporto (estou falando sério!). Portanto, foi um tal de HAPPY NEW YEAR para qualquer um que víssemos na frente.

Ficamos no hotel Holiday Inn Express Century City, próximo a Westwood e Beverly Hills. Foi uma boa escolha, pois se trata de um lugar muito bonito e com um pouco menos de trânsito do que outras regiões. E relativamente perto do que há de melhor para se ver em LA em poucos dias. Digo relativamente, pois NADA é perto em Los Angeles. O hotel é da bandeira mais barata da rede Holiday Inn, mas foi muito bom pois o quarto era bastante espaçoso (foi a primeira vez na minha vida que fiquei num quarto em que precisava subir escadas para ir até a cama) e havia um café-da-manhã de cortesia simples mas eficiente.

Reservamos um carro para a manhã do dia 1/1, para ficar com ele por 8 dias. É um Sonata branco, da Hyundai. É um sedã grandão, meio de véio, mas serviu muito bem pros nossos propósitos, pois é grande, espaçoso e confortável. Apesar de ser meio caro, optei por alugar com GPS e isso é a salvação, acreditem. É impossível se perder usando-o, mesmo numa cidade de 12 milhões de habitantes.

Alugar um carro foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado, pois depender do transporte público por aqui não ajuda muito a felicidade. Tudo é longe, as avenidas são largas e longas. O custo de se manter um carro é baixo, pois o preço da gasolina aqui é consideravelmente mais baixo do que no Brasil (US$ 0,79 por litro). Não sei o tamanho exato desse tanque, mas sei que eu estou gastando MUITO POUCO em combustível.

Ficamos 3 dias e 4 noites em Los Angeles. Circulamos de carro por Beverly Hills (parando um pouco na Rodeo Drive), Bel-Air, Hollywood – que é realmente decadente, algo deplorável de se ver, Pasadena – tinha recém acontecido o ROSE BOWL, que não é apenas o nome do estádio, mas sim, uma partida de futebol americano realizada todo dia primeiro de janeiro, entre duas universidades. Este ano foi entre o Ohio State Buckeyes e o Oregon Ducks. O Ohio State venceu por 26-17.

Também aproveitamos para ir para a Disneyland (não confundir com a Disney World, na Florida), que fica a uns 50 km de Los Angeles. Um dia inteiro para isso e não foi suficiente para aproveitar tudo (passou longe disso, na verdade). Mas a Disney é algo muito maravilhoso, tudo é limpíssimo e funciona perfeitamente. Nenhum sinal de ferrugem nos brinquedos, tudo brilhando e colorido. É uma experiência para todos os sentidos.

No domingo, nosso último dia lá, fomos de carro costeando a Pacific Coast Highway até Malibu, mas antes passando no Getty Villa, um local maravilhoso. Daí seguimos passando por mansões e carros esportivos – em um restaurante na beira-mar tinha 5 Lamborghinis e uma Ferrari estacionadas. E não era um restaurante chique. Voltamos e paramos em Santa Monica, que é uma praia bastante festiva. À noite aproveitamos para jantar no complexo chamado L.A. Live, que agrupa a arena onde o Lakers joga (Staples Center), um centro de entretenimento (Nokia Theatre) e uns 20 restaurantes, pelo menos. Algo de babar, verdadeiramente. O Lakers jogou aqula noite, mas não pudemos ver ao vivo, infelizmente. Assim fechamos nossa estadia na maior cidade da costa oeste americana.

San Diego

Naquela manhã, tomamos o café no hotel de Los Angeles e nos mandamos para San Diego, segunda maior cidade da California, com 1,3 milhão de habitantes, que fica a 200 km. Mas esse tipo de viagem a gente faz brincando, sério. Com as rodovias Interstate, que geralmente tem umas 4 ou 5 pistas, é uma brincadeira de criança. Sério, se desse, nós deveríamos IMPORTAR as estradas dos Estados Unidos…

Teríamos apenas dois dias e duas noites em San Diego, portanto, decidimos sair cedo para aproveitar bem a primeira atração – o Sea World, um parque de diversões aquático. Foi meio decepcionante, na verdade. Em primeiro lugar, porque várias atrações não estavam disponíveis, talvez por causa do fato de ser inverno, mas acredito que o principal motivo é que, depois de ir à Disney, essa passa a ser a referência. E acho que é bem difícil de bater. Mesmo assim, o Sea World inclui algumas atrações bacanas, como o show de Leões Marinhos adestrados (Sea Lions Live), muito legal mesmo. Também vimos um show de animais de estimação (Pets Rule), mas esse era fraco. E, finalmente, estávamos ansiosos pelo principal show diário do parque, o Believe!, o espetáculo das baleias orca adestradas. É um show legal, tem um baita estádio feito somente para esta apresentação, mas confesso que esperava mais. Enfim, como eu disse antes, talvez tudo fique “pequeno” depois que a gente vai na Disney…

No dia seguinte, fomos para a principal atração de San Diego: o Zoológico, mundialmente famoso. Trata-se de um dos maiores zoológicos do mundo em termos de tamanho físico e é o maior do mundo em número de sócios (sim, isso existe). Tem nada menos do que 250.000 sócios adultos e 130.000 sócios infantis, totalizando quase meio milhão de membros associados, pagadores de anuidades, o que lhes garante livre acesso ao zoológico e ao Wild Animal Park, um “safari” pertencente ao Zoológico (não fomos nesse, pois não teríamos tempo para isso, embora o ingresso que pagamos – US$ 37 por pessoa – nos desse acesso a ambos por 3 dias). Ficamos várias horas no zoológico, mas o cansaço físico impede de exagerar (já eram vários dias de caminhadas exaustivas). Meu celular tem um marcador de passos e a nossa média diária de passos dados estava girando ao redor de 15.000, ou aproximadamente 12,5 km (na Disney foram mais de 20.000 passos). Sério. Vimos ursos panda, algo que eu ainda não tinha tido a oportunidade de visualizar pessoalmente. Outro animal que me impressionou muito foi a Pantera Negra (ou jaguar). Se eu fosse um felino, acho que eu ia querer ser ele. É um bicho muito FODA.

Conseguimos conhecer um pouco do centro e da área portuária de San Diego, onde um porta-aviões aposentado (USS Midway) fica permanentemente, como um museu. Infelizmente quando chegamos lá já não dava para entrar. Mesmo assim, ver um final de tarde de um belo dia na baía de San Diego é uma experiência fascinante. Depois ainda fomos jantar no Hard Rock, onde eu comprei um COOL chapeu tipo DRIVER.

Esqueci de comentar, mas não tivemos NENHUMA experiência invernística durante os dias que ficamos no sul da Califórnia. É fácil entender porque esse estado é conhecido como “Sunny State”. 15 graus é frio pra eles.

É hora de pegar a estrada para uma longa viagem.

Las Vegas

Eu já estava preparado psicologicamente e fisicamente para esse trecho. Já estava totalmente habituado ao carro e ao câmbio automático (melhor coisa do mundo, sério). Deixei o tanque do carro cheio. Esvaziei bem o MEU tanque antes de sair. Then, hit the road, Jack!

Sério, foi a longa viagem mais curta que eu já fiz. De San Diego para Las Vegas são 530 km. Fiz isso em menos de 5 horas. Nenhum engarrafamento. Na pior das hipóteses, as rodovias tinham pista dupla. Mas foram poucos os trechos com essa situação. Na maioria do tempo eram 3 ou 4 pistas, pelo menos. Na maior parte do tempo, não era asfalto e sim, concreto. Em excelentes condições. Não paguei um PUTO pedágio no caminho.

Bah, sempre que eu lembrava das estradas lamentáveis que eu utilizo diariamente na minha região, dava vontade de chorar de raiva. São nessas horas que a gente se dá conta de que realizar Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil é uma verdadeira piada. Totalmente sem graça. Vou lembrar disso também toda vez que o Lula sugerir que o Brasil merece estar no primeiro mundo.

Fecha parênteses.

Para chegar a Las Vegas, quase toda a viagem é em território californiano. Somente as últimas 50 milhas são “nevadenses”. No começo da viagem, é um cenário de vegetação semi-desértica, montanhas rochosas e vista de montanhas com neve no fundo. Depois, sobe-se bastante, até mais de 1300 m e o cenário torna-se TOTALMENTE desértico. Não é pra menos, mas a gente cruza o deserto do Mojave, um dos mais áridos. O famoso DEATH VALLEY é bastante perto do caminho que fazemos. Várias das vistas são conhecidas de filmes que retratam o deserto. Fantástico.

Quando desponta a CIDADE DO PECADO, a gente entende perfeitamente porque eles costumam dizer que a cidade está no meio do deserto. A gente passa por nada, nada, nada e, de repente, uma PUTA cidade. Tem 500.000 habitantes, mas obviamente é muito maior, pois a maioria dos frequentadores não são moradores. É uma cidade cujas leis permitem a livre jogatina. Isso movimenta muito e gera um imposto ABSURDO para o Estado e para a União. Mas é nojento. Sem falso moralismo. É nojento ver pessoas mendigando (se ve MUITAS) para poderem gastar em apostas. Por todos os lados, velhos bêbados e velhas escrotas. Vendo algumas das cenas que a gente vê num lugar como esse, perde-se um pouco do respeito pelos mais idosos.

Nós ficamos num hotel grande, o FOUR QUEENS, que é um dos letreiros que aparecem quando a gente joga contra o BALROG, no Street Fighter II (depois que eu cheguei lá que eu me dei conta disso). Isso por causa que o hotel está localizado na Fremont Street, que é uma rua coberta, com vários hoteis e cassinos com letreiros luminosos gigantescos na fachada. É estonteante, mas depois de algumas horas lá, vira lugar comum. Já o hotel, velho, assim como seus frequentadores.

Já a Las Vegas Boulevard, ou também conhecida como LAS VEGAS STRIP, é outra história. Nessa avenida ficam os principais hoteis-cassino de Las Vegas, absolutamente LUXURIOSOS. Vários deles são GIGANTESCOS, sem exageros. A gente entra neles e pensa: “CARALHO, como alguém pode gastar grana para fazer algo assim”? Impossível não pensar em lavagem de dinheiro e coisas assim.

Nós pudemos conhecer alguns hoteis interessantíssimos nessa viagem:

The Venetian: estonteante, conta com verdadeiros canais dentro da estrutura interna, com gondoleiros passeando e levando passageiros. Sem falar nas galerias com cópias de pinturas renascentistas. Neste hotel, nós assistimos ao musical Phantom (Fantasma da Ópera), uma experiência totalmente maravilhosa. Depois que a gente sai, dá a sensação de que “agora já posso morrer feliz”. Não poderia não, pois caso eu tivesse morrido ao sair dessa peça, não poderia ter visto a próxima atração…

MGM Grand: o hotel/cassino em si, apesar de grandioso, nem é o melhor que a gente viu por lá. Mas o show que estava sendo apresentado… Tratava-se do , um dos 6 shows fixos do Cirque du Soleil em Las Vegas. Isso mesmo, SEIS. Foi uma coisa muito louca, pois, além do show ser muito FODA, o palco era móvel e se inclinava e/ou girava para diversas direções. Uma das cenas finais do espetáculo é uma espécie de luta, só que no sentido vertical. Os artistas “lutavam” presos a uma corda caminhando numa parede. Surreal.

Bellagio: o cenário de Ocean’s Eleven, ou Onze Homens e um Segredo. Sério, o filme foi rodado lá, bom não todas as cenas, claro. Na fachada (gigantesca, óbvio) do hotel tem uma rede de centenas de fontes que efetuam uma espécie de dança da água, com música e cores. A cada 15 minutos a “dança” se repete. É um espetáculo belíssimo e totalmente gratuito. Basta estar na frente do hotel.

Stratosphere: em termos de hotel e cassino, é bastante inferior aos outros da Strip que visitamos. Porém, o trunfo desta estrutura é sua torre de mais de 300 metros de altura. Do alto dela é possível observar boa parte da cidade. E, para quem tem coragem, há 3 opções de brinquedos radicais. Um deles parece arremessar as pessoas para fora da torre. Aterrorizante.

Caesar’s Palace: esse é o hotel de Vegas onde os Friends filmaram um episódio duplo “aquele em Vegas”. Mas a estrutura deste hotel é gigantesca, maior até do que a dos outros que vimos. Isso porque tem um shopping center anexo que tem literalmente TODAS as marcas de luxo que é possível imaginar. Todas as mais importantes. Além disso, o hotel é igualmente gigante. É extremamente cansativo passear nesses hoteis, verdadeiramente.

Além destes hoteis, tem alguns outros que não foram visitados por nós mas que valeriam a pena. Mesmo assim, não creio que nós voltaríamos para Vegas em uma ocasião futura. Sinceramente, não representa o tipo de entretenimento que nós apreciamos. Se é pelos espetáculos, acredito que NY é uma opção mais interessante.

Ontem, tive que entregar o carro no aeroporto de Vegas. Uma sensação ruim, pois o Sonata parecia já fazer parte da nossa rotina. E eu estava gostando muito dele. Talvez alugaremos novamente um automóvel aqui em San Francisco, mas não é uma certeza.

Como eu comentei, nesse momento estamos em San Francisco e, terça-feira a noite, viajaremos para New York, para a última parte da viagem. Porém, este texto já ficou incrivelmente longo e representa metade da viagem. Portanto, deixarei o resto para a segunda parte.

Lamento muito não ter fotos para ilustrar, mas por alguma razão, não estou conseguindo subi-las. Tenho umas 500 fotos até agora, por baixo. Prometo mostrar algumas imagens da viagem, assim que isso for possível.

Até mais!

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2 responses

11 01 2010
Luciano Zanuz

Pelo jeito está tudo muito bom por aí. Aproveitem o resto da viagem! Abraços

22 01 2010
André Kruse

“Na maioria do tempo eram 3 ou 4 pistas, pelo menos. Na maior parte do tempo, não era asfalto e sim, concreto. Em excelentes condições. Não paguei um PUTO pedágio no caminho.

Muito interessante, aqui no Brasil (ou no RS) se tem esse falso conceito de uma estrada para ser boa precisa ser pedagiada, e que uma estrada sem pedagio fatalmente será ruim

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