Crusin’ (parte 2)

16 01 2010

No momento em que escrevo este texto, estamos no aeroporto do Panamá, aguardando pela conexão ao Rio de Janeiro. Significa que nossa viagem aos Estados Unidos já foi finalizada, para ser exato, às 5 da manhã de hoje. Devido ao horário, nem dormimos antes da viagem, apenas fizemos toda a arrumação da bagagem e nos preparamos para sair. Mas o dia e a noite foram cheios, disso não podemos reclamar. Aliás, a viagem inteira foi assim.

Mas vamos seguir a máxima de Jack e ir POR PARTES:

San Francisco

Como eu tinha dito antes, Las Vegas não foi tudo aquilo que imaginávamos. Ou melhor, nós nem tínhamos uma expectativa tão grande em relação à “Sin City”, pois sabíamos que é um lugar que seria bom se fosse sempre noite, pois durante o dia há pouco para fazer e o clima de lá não é nada agradável. Deixamos o carro no aeroporto e voltamos a voar, desta vez para a “capital” do Vale do Silício, San Francisco. Ok, não é a capital, mas é perto de San José ou de Palo Alto, algumas das mecas da indústria de alta tecnologia. É facilmente visível que o norte da Califórnia é RICO BAGARAI, muito por causa dos nerds de lá.

Tínhamos uma expectativa consideravelmente alta para San Francisco, pois todos os relatos que havíamos consultado eram extremamente positivos. Ouvíamos muito que era uma “cidade europeia” nos Estados Unidos, com uma beleza toda especial. Depois de lá chegar e passear um pouco pela cidade, fica fácil entender o porquê da “cidade europeia”, pois em boa parte da cidade a arquitetura das residências remete às construções inglesas, principalmente. Os “altos e baixos” ultra intensos de lá são familiares para quem mora em zona serrana, como nós, mas é bastante incomum se tratando de uma cidade litorânea. Impossível não lembrar de filmes gravados em San Francisco, como “Em busca da felicidade” depois de passar pelos morros, ver os Cable Cars, etc.

Assim como no sul da Califórnia, a previsão não era de frio para San Francisco. Para dizer a verdade, a temperatura não foi muito diferente do que estava em San Diego, por exemplo e estava mais alta do que em Las Vegas. Porém, nesta viagem nós entendemos e aprendemos que a temperatura nominal muitas vezes não diz SHIT sobre a verdadeira temperatura. San Francisco é o tipo de lugar que 11 graus é FRIO. Venta muito e, especialmente quando perto dos Piers, agasalhos se fazem necessários. Quase estragamos nosso primeiro dia de passeio pois ACREDITAMOS DEMAIS na previsão do tempo e tivemos que comprar um casaco pra Gra numa loja pra que pudéssemos continuar.

Fizemos o passeio de ônibus Hop on / hop off ou seja, naqueles ônibus de dois andares, com a parte de cima aberta, permitindo melhor visualização dos pontos turísticos, além da presença de guia, que vai explicando sobre os locais. A gente pode descer do ônibus e subir de novo nos pontos pré-estabelecidos. Fizemos isso para entendermos melhor sobre os pontos turísticos e para ajudar a nos localizarmos melhor. Nos dias seguintes, lançamos mão do uso do transporte público para nos locomovermos. Numa cidade como San Francisco, nenhum problema em fazer isso. Com este transporte, aproveitamos para cruzar a Golden Gate Bridge e fazer algumas fotos num mirante específico, já do outro lado da Baía de San Francisco, no caminho para Sausalito.

Alcatraz é um destino que nos deixa pensando: mas o que uma ilhota que contém uma prisão desativada (cenário de inúmeros filmes e livros) pode ter de tão interessante. Aí vem uma resposta igualmente curiosa: não quer dizer apenas o local em si, mas também a estrutura montada. A ilha de Alcatraz é parque nacional e, portanto, de uso e controle do governo americano. Para ir até lá, somente através de uma barca padronizada, bastante grande, com diversos horários de partida e retorno. Os grupos não são fechados, assim que o sujeito pode ir na primeira barca da manhã e voltar no final da tarde, se quisesse. Mas não fizemos isso, pois nosso tempo era limitado e precioso. Lá chegando, um guarda dava bem humoradas “instruções de uso” da ilha, cheia de restrições mas também com dicas. A melhor e mais rica de todas é o uso de Audio Guides, que estão inclusos no passeio mas são opcionais. Esses guias de audio são cheios de depoimentos de ex-presidiários, carcereiros, familiares, etc. Com barulho de portas fechando, motins dos encarcerados e outras coisas afins. Enriqueceu barbaramente a experiência de visitar Alcatraz. Vale muito a pena, além da linda vista da cidade, já que a ilha fica a pouco mais de 1 km da costa.

Por perto do Pier 33, onde se embarca para Alcatraz, está o Pier 39, que foi organizado para ser um ponto repleto de restaurantes e lojinhas para turistas. É tudo muito colorido e agradável. E, de quebra, tem uma parte onde ficam alguns leões marinhos, gritando e fazendo folia. Um pouco mais para a frente, tem o Pier 45, conhecido como Fisherman’s Wharf, outra área de restaurantes e lojas, só que nesta a maioria das lojas ficam numa rua e não a beira-mar. Bacana para passear. Nós lanchamos no Boudin, uma rede de padarias, cuja matriz fica localizada ali. No Boudin, é servido sopa de siri no pão, sua especialidade, mas também chamam a atenção os pães com formato de tartaruga, ursinho, jacaré…

Nós estávamos num hotel na Powell Street, próximo da Union Square, a praça que reúne as principais marcas e lojas da cidade. Na “nossa” rua passava o Cable Car, um bonde super antigo que funciona a partir de cabos subterrâneos. Com o passe de 3 dias, que custava US$ 20, o acesso aos ônibus, metrô, cable car e street car (bonde elétrico) era ilimitado. Valia muito a pena, pois qualquer trecho feito no cable car custava US$ 5 por pessoa. Pegando o cable car Powell-Hyde, subíamos a Powell, depois virávamos à esquerda na Washington, no chamado Nob Hill para depois seguirmos na Hyde street até o Fisherman’s Wharf. Porém, antes de chegar lá, passa-se pela Lombard street, no trecho conhecido como A RUA MAIS CURVA DO MUNDO. São 8 curvas no comprimento de uma quadra. Algo como a descida da serra do Rio do Rastro (pra quem conhece), mas em miniatura.

Subindo a Lombard Street, mas para o outro lado, chega-se ao Telegraph Hill, onde está a Coit Tower, que dá uma bela vista da cidade. Descendo, depois, aproveitamos para conhecer um pouco de Little Italy e Chinatown. Aliás, toda cidade importante nos Estados Unidos tem uma Little Italy e uma Chinatown. Mas impressiona que de uma rua para outra a aparência de um bairro muda drasticamente, falando especificamente de Chinatown. Nem parece que se está nos Estados Unidos. E tem algumas lojas e mercados que todas as identificações e etiquetas estão em chinês, são totalmente pensadas para aquele público.

Ao sul da Market Street está a área conhecida como South of Market ou, SoMa. Era bastante perto do nosso hotel e pudemos fazer a pé. Nesta zona, as casas estilo colonial dão lugar a grandes e modernos edifícios, além de belos parques, como o Yerba Buena. Região muito agradável.

Fomos conhecer também o Golden Gate Park, que fica no lado oeste da cidade. No verão e na primavera deve ser muito lindo, mas no inverno era sombrio e cheio de indigentes. Ficamos pouco tempo por lá. Passamos perto, mas acabamos não conhecendo Castro, o famoso bairro gay de San Francisco. Ficará para uma próxima, além da necessária viagem para Napa Valley e, principalmente, para o Parque Nacional do Yosemite, cujo acesso é dificultado no inverno. Se tivermos a oportunidade de visitar esta região na primavera ou no verão, iremos certo para estes lugares (além do Grand Canyon).

Enfim, 3 bons e cheios dias em San Francisco, sendo que o último foi de chuva (o único dia chuvoso em toda nossa estadia nos Estados Unidos). Hora de empacotar e nos mandarmos para a GRANDE MAÇÃ.

New York

Era a única cidade que nós dois já conhecíamos – eu já tinha estado lá em 3 oportunidades e a Gra, em uma. Mas ambos havíamos conhecido-a no verão ou, no máximo no outono. Portanto, estar lá no inverno era uma experiência nova para nós dois.Tínhamos grande expectativa de encontrar neve. Mas, aparentemente, estávamos com as COSTAS QUENTES. Não caiu um único floco durante os 3 dias em que estivemos em New York, apesar de que havia nevado um dia antes de chegarmos. Via-se neve e gelo acumulados em alguns lugares, especialmente nos parques. E fez bastante frio, apesar de tudo, mas acompanhado de sol.

Nosso hotel estava a uma quadra da região da Times Square, na esquina da 48th St com a 8th Avenue. Tinha uma estação de metrô na esquina da 8th com a 49th, ou seja, muito conveniente para tudo. Como não era nossa primeira vez, não fizemos todo o roteiro clássico de um turista recém-chegado, mas fizemos aquilo que nos agradava mais, além, evidentemente, de coisas que não havíamos feito ainda. Coisas como:

– patinar no Rockfeller Center: ou melhor, TENTAR patinar. Pois nenhum de nós havia feito isso antes. O resultado não foi muito animador. Mas foi muito divertido. Em tempo: NADA FÁCIL

– visitar o Met – Metropolitan Museum of Arts: uma experiência fascinante. Porém, devido a problemas físicos (cansaço extremo) visitamos apenas o andar térreo do museu. Recomendado a qualquer um

– conhecer o novo rink de patinação dentro do Central Park, construído pelo famigerado Donald Trump

– ver ao vivo um lago congelado (de verdade), dentro do Central Park

– almoçar no Le Pain Quotidien, no Upper East Side, um lugar sensacional

– ver as obras do novo World Trade Center, no mesmo lugar do antigo

– assistir a uma peça da Broadway – Mary Poppins – inesquecível

– assistir a uma performance do New York City Ballet – não é exatamente a coisa mais divertida do mundo, mesmo assim, valeu a pena

– compras (bem capaz!)

– caminhadas (muitos e muitos passos dados, especialmente na Fifth Avenue).

Parece estranho, mas quem já foi lá entenderia: NY tem um magnetismo que te chama a ir lá de novo. E de novo. Quantas vezes forem necessárias – provavelmente infinitas vezes. Assim que eu imagino que em nossas viagens futuras para os Estados Unidos, NY provavelmente estará novamente quotada para receber-nos.

Parece que faz uma vida inteira que estamos fora, mas é pouco mais da metade de um mês. Agora, daqui a pouco, estaremos de volta ao Brasil, às nossas famílias. Mas fica um gostinho de QUERO MUITO MAIS. Teremos, não tenho dúvida.

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