Análise da discografia do Ramones (parte 3)

17 03 2010

Faz muito, MUITO tempo que eu escrevi a segunda parte. Já é mais do que hora de continuar. Peço desculpas pelo atraso na continuação, mas não deixarei de fazer a análise usando os mesmos critérios, totalmente subjetivos.

“C’mon, let’s rock ‘n roll with the Ramones”

Too Tough To Die (1984)

Complicado falar sobre esse disco. Muitos o detonam, indicando uma mudança muito grande no estilo musical da banda, incorporando excessivos elementos eletrônicos. Outros acreditam que a musicalidade é boa. Eu, pessoalmente, gosto desse álbum, pois tem mais coisas boas do que ruins. Mas os pontos negativos existem, não há como negar. Na análise individual das músicas, serei mais específico. Mesmo assim, classifico o disco como bom.

É o primeiro disco com Richie nas baquetas.

– lançamento: Outubro de 1984
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Richie (bateria)
– faixas:
1. Mama’s Boy: Um som cru, meio raivoso, bacana para os padrões punk. Ótima.
2. I’m Not Afraid of Life: Nunca fui muito com a cara desse som. Me parece meio repetitivo, algo depressivo, mas tem suas virtudes. Boa.
3. Too Tough To Die: Faixa título, certamente foi desenhada para ser a principal do disco. E é. É um som muito legal, punk, bem trabalhado, com dois momentos marcantes no refrão. Adoro muito. EXCELENTE.
4. Durango 95: Instrumental, resume em 55 segundos o que é o Ramones. EXCELENTE.
5. Wart Hog: Das 5 primeiras músicas, somente “I’m not afraid of life” não estava no legendário LOCO LIVE. Isso significa que essa pérola cantada por Dee Dee estava lá. Punk violento, muito bacana. Ótima.
6. Danger Zone: Essa faixa é bem interessante, punk cru, animado, com direito a um corinho no refrão. Ótima.
7. Chasing the Night: Esse som não tem muito a ver com o resto do disco. Aquele tecladinho no fundo e o refrão excessivamente melódico enchem muito o saco depois de um tempo. Mesmo assim, a música é bacana. Boa.
8. Howling at The Moon (Sha-la-la): O simples fato do título da música incluir SHA-LA-LA entre parênteses já deixa o vivente com uma ideia: WHAT THE FUCK? Aí todo o teclado absurdo te deixa ainda mais intrigado. Esse som é uma aberração, jamais poderia ter sido executado pelo Ramones. Péssimo.
9. Daytime Dilemma (Dangers of Love): Os detalhes eletrônicos continuam, mas de forma mais suave aqui. Esse som já tem muito do que seria o estilo ramonístico mais contundente no início dos anos 90. Esse som me agradou muitíssimo. Ótima.
10. Planet Earth 1988: Não sei o que o Dee Dee pensou ao escrever um som usando data de 4 anos para a frente. Tipo, se tu vai escrever sobre o futuro do planeta daqui a 20, 30 anos é uma coisa. Mas daqui a 4? O que vai mudar? Além disso o som é meio pobre, não curti muito. Mais ou menos.
11. Humankind: É algo interessante, rápida, dá o recado sem frescuras. É quase algo do tipo “desculpem por ter feito a Howling At the Moon, espero que vocês nos perdoem”. Sem problemas, Dee Dee, a gente perdoa. Boa.
12. Endless Vacation: Esse som é difícil de esquecer. Além de ser praticamente impossível de cantar. O Dee Dee simplesmente COSPE as palavras. Genial. Boa.
13. No Go: Tri massa, é quase algo como um som estilo anos 60, mas PUNQUIZADO. Boa.

Animal Boy (1986)

Talvez nem todos concordarão comigo, mas pra mim, Animal Boy representou o ponto mais baixo possível da criatividade dos Ramones. Menos criativo do que um disco cover, inclusive. É algo odioso, em comparação ao resto do acervo da banda. Mas, enfim, eles tentaram ao menos.

– lançamento: Maio de 1986
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Richie (bateria)
– faixas:
1. Somebody’s Put Something in My Drink: Uma das melhores, com direito a riffs e uma bateria bem marcada. Mas a versão ao vivo (Loco Live) é melhor. Ótima.
2. Animal Boy: Não, não rolou. Era pra ser algo agressivo, diferente. Mas ficou apenas meio grosseiro. Mais ou menos.
3. Love Kills: Mais uma tentativa de Dee Dee nos vocais, mas não muito eficiente. Boa.
4. Apeman Hop: Cara, o que é isso? Ruim.
5. She Belongs to Me: Essa balada simplesmente não faz o menor sentido. Até porque o disco é basicamente agressivo, e aí eles colocam um som que poderia ser, sei lá, do BON JOVI. Reconheço que é uma boa balada, no entanto. Boa.
6. Crummy Stuff: A letra é meio idiota, mas o som é legal. Boa.
7. My Brain is Hanging Upside Down (Bonzo Goes To Bitburg): a melhor do disco, embora com excesso de tecladinhos. Mas o som é bastante valoroso (ainda que a do Loco Live, novamente, é melhor). Mesmo assim, pelo o que ela representa, conteúdo político e afins, dou um EXCELENTE pra ela.
8. Mental Hell: Boa tentativa. Falha, porém. Mais ou menos.
9. Eat That Rat: O Joey deveria ter se imposto mais na banda e não deixar o Dee Dee cantar qualquer bosta. Nessa faixa, visivelmente o baixista tinha COMIDO UM RATO. Péssima.
10. Freak of Nature: Esforçada, mas, como quase todo o disco, sem inspiração. Razoável.
11. Hair Of The Dog: Praticamente uma ilha de qualidade num mar de pobreza. Além do nome genialmente sem sentido, a música é muito bem feita. Ótima.
12. Something To Believe In: Com tecladitos eletroniquinhos e afins, uma musiquinha cumpridora, mas com muito pouco a ver com o Ramones. Boa.

Halfway to Sanity (1987)

A má fase continua, infelizmente. Com alguma evolução, é verdade, mas ainda algo pobre em comparação ao que já havia sido feito pela banda. Comparando com o paupérrimo disco anterior, parece grande coisa, mas a gente sabe que o quarteto poderia fazer muito mais do que isso. Mas eu gosto desse disco, não vou crucificar ninguém. Gosto muito, na real.

– lançamento: Setembro de 1987
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Richie (bateria)
– faixas:
1. I Wanna Live: Grande som, bem trabalhado, produzido e executado. Um som marcante do Ramones. EXCELENTE.
2. Bop ‘Til You Drop: Simples mas eficiente. Difícil não gostar. Boa.
3. Garden of Serenity: Tem início de música épica, mas o conteúdo não acompanha. Tem coisas melhores. Razoável.
4. Weasel Face: Sem sentido e sem qualidade. Ruim.
5. Go Lil’ Camaro Go: WAT? O começo é esquisitíssimo, mas o som é muito bom. Tem inclusive backing da Debbie Harry, do Blondie. Ótima.
6. I Know Better Now: De novo se vê um estilo que seria consagrado mais para a frente. Não é genial, mas é boa.
7. Death of Me: Hey, ainda não é BRAIN DRAIN! Se esse som estivesse naquele disco faria todo o sentido. Letra simples, música mais complexa e boa. Na verdade, ótima.
8. I Lost My Mind: Lá vem o Dee Dee se metendo nos vocais. Não chega a ser ruim. O som é bem violento, meio desesperado até. Mas eu ponho um razoável.
9. A Real Cool Time: Não sei porque, mas eu acho essa uma das melhores músicas do Ramones. Eu adorei esse som desde a primeira vez que o ouvi. Portanto, nada mais justo que dar um EXCELENTE.
10. I’m Not Jesus: Uma batida praticamente Thrash (batubatu). Boa.
11. Bye Bye Baby: Uma baladaça poderosíssima. Rola até um FACE TO FACE com a guria, se tocasse numa festa. EXCELENTE.
12. Worm Man: Som curto, mal trabalhado, inexplicável. Verdadeiramente ruim.

Como eu já adiantei, a próxima e decisiva fase se iniciou dois anos depois do lançamento deste disco. E significou o retorno da banda a um patamar superior de qualidade, que havia sido abandonado no final dos anos 70. BRAIN DRAIN e o emplacamento de um mega-hit (Pet Sematary), talvez pela primeira vez na história da banda, fez grande diferença pra moral e pra continuidade dos Ramones. Pra nossa alegria.

STAY TUNED FOR MORE ROCK AND ROLL. ;)

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Ações

Information

3 responses

18 03 2010
Luciano Zanuz

Pior que eu gosto da Howling at the Moon (Sha-La-La), hehe.

30 03 2010
Leonardo Zanuz

Mas o que tu tem contra os teclados?? heheh… tb gosto da howling at the moon…

2 09 2010
eumesmo

Pô cara, tô no aguardo da última parte da análise!

Ah, AMO Ramones…mas a faixa “Bye Bye Baby” é, na minha modesta opinião, a PIOR música já faita pelos cabeludos…ela é vergonhosa, aquele riffzinho do começo é de doer.

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