Dicas de leitura

19 04 2010

Um assunto que abordo muito pouco neste blog é a leitura. Não sou exatamente um leitor do tipo ávido, mas minha média cresceu bastante nos últimos anos. Não cheguei a calcular, mas acredito que li uns 15 livros no ano passado e, este ano, estou mantendo a média de 1 por mês.

Meus últimos livros de ficção foram:

1984 (George Orwell, 1949, 301 p., Companhia Editora Nacional): é um livro sensacional, um verdadeiro clássico de George Orwell. O livro foi escrito em 1948 e publicado no ano seguinte, sendo que seu título é uma inversão do ano no qual foi concebido. Fazendo uma rápida pesquisa sobre Orwell, fica claro de que o autor sempre foi socialista, porém, extremamente averso àos ideais totalitaristas – ainda em voga no pós-guerra. Impressionante como conseguiu imaginar um mundo dominado pela repressão e pelo medo, sem a menor liberdade de expressão e onde todos são vigiados todo o tempo pelo “Grande Irmão”, que tudo vê. É um alerta incrivelmente atual, especialmente pelo conceito do duplipensar, que trata-se do ato de reescrever a história, apagando todos os registros e modificando-os, negando a existência da “verdade” anterior. Qualquer semelhança com as práticas do Partido Comunista Chinês não é mera coincidência…

Vale muito a pena. Esse livro é pouco falado atualmente, mas vale cada segundo. Confesso que fiquei arrepiadíssimo ao final.

Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago, 1995, 310 p., Companhia das Letras): Esta é a obra que rendeu o Nobel de Literatura ao português José Saramago. Nesta versão brasileira, foi mantido o texto fidedigno do autor, a pedido dele. Acho correto, pois seria absurdo “traduzir” um livro escrito no nosso idioma. A dificuldade em se ler o livro de Saramago não tem a ver com os verbetes diferentes utilizados pelo autor, pois isso é facilmente compreensível. Complicada é sua estrutura, pois escreve parágrafos gigantescos, suprimindo algumas pontuações e o uso de travessões para denotar diálogos, por exemplo. Assim, a leitura torna-se um pouco mais cansativa que o usual.

Por outro lado, o conteúdo do livro prende a atenção do leitor. Muitos conhecem o enredo por causa do filme, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, mas eu não ainda não vi a película. Não pretendo “contar a história” portanto, evitarei spoilers, mas não há como negar que foi uma ideia muito original. Acredito que, ao final do livro, passamos a valorizar mais o fato de enxergarmos normalmente e, também, os verdadeiros valores humanos.

A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón, 2001, 399 p., Suma de Letras): esse livro está em minha casa mas não me pertence – foi uma “troca” que fiz com meu grande amigo Felipe do Monte Guerra, que está com meu “100 anos de solidão”. Foi uma indicação que valeu muitíssimo a pena. Zafón é catalão e a história se desenrola exclusivamente em Barcelona. Depois de ler o livro me dei conta de que o endereço onde os protagonistas (pai e filho) residem, no centro antigo de Barcelona, era na mesma rua onde me hospedei, na última vez que estive lá. Uma história sensacional, com um desfecho emocionante e surpreendente. Recomendo a qualquer um.

Agora, vou falar do livro que estou lendo atualmente (e levarei muito pouco tempo para finalizar). Não se trata de nada “original”, muito pelo contrário. Mas, sem nenhum preconceito, estou lendo-o e curtindo muito, como fiz com os outros livros do autor (já li todos).

Acho que ficou fácil de imaginar qual é…

O Símbolo Perdido (Dan Brown, 2009, 489 p., Sextante): o fim da trilogia de Robert Langdon (será?), provavelmente a obra mais esperada do ano passado. Eu me gabei muito de ter lido o Código da Vinci em 4 dias e Anjos e Demônios em 5, mas estou lendo este com um pouco mais de calma. Não há muito que acrescentar, trata-se do estilo envolvente e cheio de ação que enriqueceu (literalmente) a Dan Brown. Agora o alvo é a sociedade secreta preferida de 9 em cada 10* adeptos das teorias conspiracionistas – os Maçons.

* Estatística gratuita e sem o menor sentido.

Passei da metade do livro, portanto, devo terminá-lo amanhã ou depois. Daqui a pouco vou avançar mais alguns capítulos, claro.

Vou avisando também qual será meu próximo livro, pois o adquiri há duas semanas, na Fnac, em Porto Alegre: A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Esta história eu conheço do filme, que assisti ainda no Colégio. Lembro que se trata de uma fazenda “tomada” pelos bichos, que passam a viver de forma totalmente cooperativa. Até que os porcos (sempre eles) resolvem tomar à força o poder para si. Pura metáfora, deliciosa. Estou ansioso para lê-lo.

Tenho vários outros livros “pendentes” para serem lidos, alguns de conteúdo profissional mas, principalmente, livros de ficção. Vou contando um pouco sobre eles à medida que for me atualizando na leitura. Ler um livro e finalizá-lo sempre me dá uma alegria muito grande, é como se meu cérebro tivesse recém recebido um download de uma atualização de seu sistema operacional. E de certa forma, é isso mesmo que acontece.





Máquina do governo x Pretensioso – o que fazer?

5 04 2010

Não dá pra não falar de política neste ano. Até gostaria, sinceramente. Este ano, dá verdadeira vontade de ficar totalmente alheio à degladiação e, principalmente, ao festival de demências e nojeiras disparadas por todos os participantes deste processo lamentável. Eu sou um entusiasta da democracia, não dá sequer para imaginar um sistema diferente. Porém, é profundamente irritante a forma como os candidatos, neste país, usam informações distorcidas e incorretas até para vangloriar-se de conquistas, no mínimo, questionáveis.

Acabei de consultar o G1, nem sabia se ele ajudaria com minha “teoria”. Mas ajudou. Tem as seguintes manchetes:

“Dilma: Oposição tenta carona no governo Lula”.

Na Folha online tem outra manchete: “Oposição minimiza críticas e diz que Dilma age com ‘terrorismo'”.

Oficialmente, a campanha nem começou. E a coisa está nesse nível. E só vai piorar. A candidata da situação vai ficar elencando “maravilhas” de seu governo, inclusive muitas coisas que teriam acontecido tendo o Lula na cadeira presidencial, ou até mesmo com uma MULA lá. É praticamente a mesma coisa que ganhar votos porque o SOL brilha aqui. Parece bizarro, mas é bem isso. O principal oposicionista não vai fazer diferente, pois era governador até anteontem e vai se vangloriar de várias coisas…

Qual? (foto: Folha Online)

Eu sei que é chover no molhado, mas eu ficaria realmente feliz se a briga não ficasse restrita a esses dois. Mas o bom é que o “que corre por fora” fosse, na verdade, outra mulher. Ainda não vi nada sobre plataforma de campanha nem discurso de debates, mas tenho alguma esperança de que a candidata “verde” pudesse ser uma opção válida.

Porque não?

O problema é que, aparentemente, o outsider é um famoso e reconhecido “duas-caras”…

Não gosto de estar errado, normalmente, como a maioria das pessoas. Mas ficaria felicíssimo em me enganar desta vez.