TV ou não TV

24 02 2011

Admito, este título é horrível. Não consegui pensar em nada melhor para o momento. Mas é imperativo entrar na principal discussão futebolística do momento – que não envolve o desempenho dos times dentro de campo: a truncadíssima negociação para os direitos televisivos do triênio 2012-2014. Provavelmente só quem está dentro dos clubes (e que tenha razoável acesso a estas informações) terá condições de explicar. Como não é o meu caso, vou tentar desenhar, de forma tosca, uma possível explicação e teoria.

Importante ressaltar que eu quase não pesquisei conteúdo para fazer este post, então, corro o risco de estar equivocado em algumas afirmações. Fecha parênteses.

Primeiro, uma brevíssima retrospectiva pela criação e atuação do Clube dos 13:
– foi criado em 1986/1987, como forma de repúdio ao formato do campeonato brasileiro organizado pela CBF até então, com TROCENTOS times. O novo “clube” resolveu criar seu próprio campeonato (obviamente bancado pela VÊNUS PLATINADA), chamado COPA UNIÃO, o que acabou servindo como referência para os campeonatos futuros, novamente organizados pela CBF. O campeonato foi vencido pelo Flamengo, mas a CBF não reconheceu esse título até a semana passada.

– em 2000, mais uma vez o Clube dos 13 foi convocado a organizar o campeonato brasileiro, mas dessa vez A PEDIDO da CBF, que estava no meio de um imbróglio judicial com o Gama, do Distrito Federal. Esse torneio foi chamado de Taça João Havelange, muito conveniente para o Fluminense, que não precisou jogar a 2a. divisão daquele ano por causa disso. O Vasco foi o campeão.

– com a estabilização do formato de pontos corridos, ao Clube dos 13 passou a incumbência SOMENTE de negociar os direitos de imagem junto à emissora de televisão. A estabilidade no formato do campeonato permitiu um salto significativo nos valores, fazendo com que esta passasse a ser a maior fonte de renda dos principais clubes brasileiros.

– ano passado a CBF tentou, através do ex-presidente do Flamengo – Kléber Leite – e contando com o apoio do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, tomar o controle do C13, anunciando a chapa que concorreria às eleições da entidade, que vinha sendo presidida pelo ex-presidente do Grêmio, Fábio Koff, há mais de 10 anos. Koff sentiu a bola nas costas e, RAPOSAMENTE, convocou antecipadamente novas eleições para a presidência do Clube. Sem tempo para costurar alianças (leia-se MOLHAR MÃOS), a recém-formada chapa de oposição perdeu.

Importante ressaltar que o movimento efetuado por Koff NÃO É DIGNO DE ELOGIOS. Foi uma manobra autoritária e anti-democrática, comparável aos depotistas tarimbados da África e do Oriente Médio (e da Venezuela também). Porém, a atuação de Ricardo Teixeira na CBF não é muito diferente, já que ele preside a entidade DESDE QUE EU ME LEMBRO POR GENTE. Renovação na entidade máxima do futebol brasileiro é palavra inexistente. Ou seja, estamos falando do sujo e do mal lavado, aqui.

Agora entramos no campo das suposições: é notório que uma negociação em conjunto tende a ser mais favorável aos clubes do que negociar individualmente. Talvez (e deixo uma sincera dúvida no ar) os dois clubes de maior torcida (e que não vêm conseguindo traduzir essa vantagem em receitas) até poderiam ter algum benefício, mas mesmo isso é duvidoso. Enfim, qual seria a vantagem AOS CLUBES dessa ruptura?

Efetivamente, o ponto crucial dessa movimentação foi o Clube dos 13 ter acenado à possibilidade de vender os direitos do referido triênio para outra emissora, algo que não acontece desde sei lá quando. Eu verdadeiramente não me lembro do Campeonato Brasileiro não ter sido transmitido pela Globo, em qualquer ano. Assim como a Record conseguiu os direitos de transmissão das Olimpíadas de 2012, tendo ESCANTEADO a líder, o PLIM-PLIM ficou DEVERAS preocupado com a hipótese de não poder transmitir o principal campeonato do esporte mais popular do Brasil. E começou a agir.

A hipótese mais provável é que a Globo tenha oferecido somas superiores às que seriam de direito do Clube dos 13, somente para Corinthians e Flamengo (creio que os outros dois cariocas também foram aliciados). Estes clubes, que hoje já recebem cota superior aos demais, passariam a ganhar mais ainda. Evidentemente, os clubes menores ganhariam ainda menos.

A emissora de TV só quer audiência cada vez maior, para fazer seu produto (espaços publicitários) custarem mais. Se fosse possível, a Globo transmitiria somente jogos entre Flamengo e Corinthians, duas vezes por semana. Certamente não está nem aí para os nanicos. Por isso, já dá para concluir que essa dissidência será predatória à qualidade dos campeonatos brasileiros, pois os grandes ficarão cada vez maiores e os pequenos, cada vez mais miúdos. Só que essa disparidade pode criar um monstro que, no final das contas, deixará o futebol cada vez menos interessante, pois o que torna um torneio bom é a competitividade do mesmo. O desequilíbrio deixa o torneio menos interessante e mais previsível, fazendo com que a audiência, no longo prazo, diminua. Pode ser um tiro no pé da própria televisão.

Creio que é obrigação dos órgãos reguladores nas sociedades capitalistas é controlar e impedir que abusos sejam realizados. E aí que o Clube dos 13 vinha desempenhando, bem ou mal, o seu papel: garantir que os clubes participantes do campeonato recebam valores justos e cada vez maiores, permitindo aos menores terem condições mínimas de fazer frente aos grandes e dando alternativas aos grandes de formarem equipes competitivas, que possam disputar títulos nacionais e internacionais.

Uma queixa recorrente entre os comentários dos dirigentes de clubes dissidentes é que as negociações estavam sendo realizadas de forma pouco transparente. Novamente, só quem vive esta realidade pode ter mais detalhes e comprovar ou não esta afirmação. Eu imagino que, de alguma forma, algumas negociações precisam ser realizadas em âmbito secreto, para evitar que os dados vazem e acabem prejudicando os próprios clubes negociadores. Mas, penso que os clubes membros do C13 poderiam participar mais ativamente do processo – fazendo com que estes ânimos fossem acalmados. Se ainda houver chance de reconciliação entre os “brigões” e o C13, pode ser que esse seja o caminho.

Uma das possibilidades é que o C13 continue existindo, ainda que com força inferior e que aconteça negociações separadas entre os dois grupos, com diferentes emissoras. Essa alternativa é meio LOUCA e tornaria todo o processo mais difícil. Mas, acometido da mesma LOUCURA, eu meio que estou torcendo pra que isso aconteça. Acredito que seria uma forma de quebrar a ordem vigente e medir forças de ambos lados. Talvez a gente saia ganhando, no final. Pensando bem, provavelmente não.

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