O que esses caras tinham na cabeça?

27 04 2011

O que poderia ser diferente, quando se vai para a cidade mais diferente de todas?

Ir pra lá de trem. Assim eu descanso um pouco, não é?

Em momentos de puro desgosto, ou mesmo rancor com a vida, eu ficava imaginando que Veneza não era aquela coisa romântica que o mundo inteiro falava. Que devia ser um lugar com cheiro de água parada ou coisas assim. Claro, o MUNDO INTEIRO devia estar errado…

Quando il Grande Canal resolveu dizer OI, eu logo me dei conta da besteira que eu tinha pensado.  E, à medida que íamos avançando com o vaporetto, os canais secundários iam nos saudando, dando a real da cidade mais absurda possível.

Só vendo pra entender. Quer dizer, entender nem dá – afinal, porque diabos construir uma cidade inteira em TROCENTAS ilhotas, ligadas por canais aquáticos. É difícil de se locomover. Qual era a vantagem?

Mas eles fizeram Veneza. E ela ficou para a história, ficou para todos nós, para que possamos visitá-la e presenciar tamanho absurdo. Delicioso absurdo.

Já que só tínhamos um dia para Veneza, resolvemos otimizar um pouco as coisas: fomos direto para a Piazza San Marco, ponto final da Linha 2 do Vaporetto, mas ponto de “partida” do nosso passeio pela cidade.

Gra posando na entrada da Piazza San Marco, com o Palazzo Ducale ao fundo e o Leão de São Marcos em cima do poste dele, como sempre o faz…

A primeira coisa que fizemos, já que a fila não estava ainda muito grande, foi subir no Campanile di San Marco, para ter a melhor vista da cidade.

Lamentável aquela propaganda enorme da Diesel no meio da praça. Totalmente dispensável.

Descemos da torre e entramos na Basílica di San Marco. Não podíamos fazer fotos dentro dela, mas o piso é completamente ondulado. Não é pouca coisa, acreditem. Dizem que é por causa da instabilidade do solo arenoso de Veneza. Eu não duvido.

Depois disso, demos uma circulada pela praça, que é enorme. Então, chegamos a um impasse: comida ou barquinho? Chegamos à conclusão que comida antes poderia atrapalhar o barquinho depois. Então, fomos ao GONDOLÓDROMO. Lá tinha um monte de caras com chapeuzinho e camisas listradas. Cheguei chegando, já metendo banca e querendo negociação. Não lembro exatamente quanto pagamos, mas foi razoável, especialmente considerando que fomos os 6 dentro da mesma gôndola.

Só digo uma coisa pra vocês: NÃO DÁ PRA PERDER. É absolutamente necessário, para quem vai à Veneza. É praticamente a mesma coisa que ir ao Rio de Janeiro e não subir o Corcovado ou o Pão de Açúcar. E é uma experiência inesquecível. O mais difícil foi convencer a dona Elda a ir, pois ela estava MORRENDO de medo. No final das contas, viu que não era perigoso e também se apaixonou pelo passeio.

Feito o passeio, os estômagos já não aguentavam mais. Então, fomos a um restaurante típico veneziano… o HARD ROCK CAFÉ.

Antes que vocês queiram nos trucidar um detalhe importante: pros nossos guiados, o HRC também era novidade – eles nunca tinham ido a um desses. E, mesmo sendo cozinha americana, é internacional e diferente. Adivinhem o que aconteceu… adoraram! Ainda mais a costela de porco, que é sempre excelente, seja no HRC, no Outback, no Applebees…

Feito o passeio de gôndola e depois de uma bela refeição, tínhamos a sensação de que não havia muito que ver/fazer. Não era verdade, claro, a cidade reservava ainda bastante opções. Mas a energia não era muita – isso é fato. Então optamos por ir até a praia do Lido, usando a linha 1 do Vaporetto. Só valeu pelas vistas que tivemos no caminho – pois não estávamos com disposição para caminhar muito àquela altura. Ficamos apenas alguns minutos no Lido (lugar que, infelizmente, tem automóveis) e logo retornamos ao Vaporetto para então seguirmos ao que seria nosso último destino em Veneza.

A ponte Rialto, que se localiza no bairro de mesmo nome, é a maior das pontes que cruza o Grande Canal. Junto à ela encontram-se algumas lojas de souvenirs e, em todo seu entorno, praças, restaurantes, hoteis e lojas diversas. Inclusive entramos numa Benetton, ali perto.

Não precisamos dizer que a ponte está sempre cheia de gente. Assim como o Vaporetto, a Piazza San Marco… enfim, Veneza está sempre cheia de gente. E estávamos em baixa temporada, nunca esquecer disso. Imaginem se fosse alta…

Que tal a vista?

Apenas para fazer constar: aquele barco grande à esquerda é o Vaporetto. E para quem não entendeu, a foto foi tirada de cima da ponte Rialto.

E assim fechamos nosso passeio em Veneza. Pegamos novamente o Vaporetto até a estação Santa Lucia e, então, o trem até Pádua.

No dia seguinte, exploraríamos um pouco o Veneto, além da própria cidade de Pádua (ou Padova), onde estávamos hospedados. Mas isso é para o próximo post. Fiquem ligados!

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Pitacos necessários

19 04 2011

Apesar de eu estar longe de ter finalizado os posts sobre a nossa viagem à Europa (estou trabalhando no post sobre Veneza, neste momento), preciso interrompê-los para fazer alguns comentários sobre coisas que estão acontecendo atualmente:

– o show do U2 foi algo grandioso, como já era de se esperar. Não é de se admirar que seja tão caro, a estrutura do palco é algo único. Pena que a infraestrutura de transportes de SP seja lixarenta, para eventos como esse. Sei que não é novidade falar sobre isso, mas fomos alguns daqueles que tiveram uma grande dificuldade para voltar ao hotel logo após o show de domingo, 1 hora e meia após o show e não conseguimos táxi. Tivemos sorte de conseguir carona com uma amiga da minha cunhada, caso contrário acho que só teríamos chegado ao hotel ao amanhecer… Uma prévia do que veremos na época da copa, certamente.

– recentemente tive que ir até Erechim, de carro. Eu, que sempre reclamo da qualidade das estradas que ligam a nossa região à metropolitana. Mal sabia que essas estradas são relativamente BOAS perto daquelas que encontrei para chegar lá. São 270 km de estradas de pista única, com buracos À VONTADE. Tem um trecho em Passo Fundo que chega a ser risível – parece CASCALHO. Tinha que obrigar o pessoal do DAER a circular nestas rodovias TODOS OS DIAS, aí queria ver se ficava assim por muito tempo.

– ontem ouvi um programa na Rádio Gaúcha que fala de um projeto de lei do deputado gaúcho Raul Carrion (PC do B) que dispõe sobre a obrigatoriedade de se utilizar traduções sempre que uma palavra estrangeira for utilizada em textos escritos publicados e que houver um equivalente em português. Aparentemente o projeto já passou e foi aprovado por uma comissão DA ASSEMBLEIA, mas será apreciado pelo Plenário. Apesar de não gostar nada de ver o uso excessivo de termos como “off” ou “sale” nas fachadas de lojas ou propagandas em geral, não dá para achar correta essa iniciativa, pois restringe a liberdade de expressão e também porque supõe que estes “estrangeirismos” estejam prejudicando a língua portuguesa, o que tenho certeza de que não é o caso.

O mais curioso é que o mesmo deputado aprovou recentemente uma lei que institui o dia do hip-hop no calendário GAÚCHO – uma palavra estrangeira! Hoje de manhã, o deputado alegou que esta palavra, assim como a cultura envolvida já estão internalizados na cultura brasileira e deu outros exemplos, como o futebol – que é uma palavra oriunda de um termo inglês “football”.

Será que o prezado deputado Raul Carrion não se deu conta que, ao proibir palavras estrangeiras, se estará proibindo o acréscimo futuro de palavras adaptadas, como foi o caso do próprio futebol e NÃO foi o caso do hip-hop (que não foi “aportugesado” em nenhum momento – tanto é que se diz “riprop” e não é essa a pronúncia da letra “h” no idioma português. Contradição total e bola fora feia do deputado.

O pior de tudo é que essa coisa absurda é capaz de ser aprovada no Plenário também… por puro ideologismo cego, exatamente igual ao deputado comunista que a propôs.

Edit: eu havia postado dizendo que o projeto estava tramitando no congresso – na verdade é na Assembleia Legislativa do RS, pois o deputado Raul Carrion é ESTADUAL, não Federal. Portanto, caso essa aberração seja aprovada, valerá somente para cá, o URUGUAI DO NORTE.





Onde estás, Julieta?

14 04 2011

Viagem Itália – dia 3

Saímos de Milão quinta-feira de manhã cedo, em torno das 8 horas. Mas, até o GPS pegar no tranco, foram mais alguns minutos. E, até conseguirmos pegar alguma estrada onde se pudesse fazer uma quarta marcha, foi mais de uma hora. Sério, não adianta a gente olhar no Google Maps e dizer: ah, dá 2 horas de Milão a Verona. Dá 2 horas RODANDO. Sair da cidade é uma história muito diferente.

Anfan. Assim que saímos de Milão pegamos uma auto-estrada absolutamente EXCELENTE. Totalmente plana, sem buracos, ótima sinalização e proteções laterais contra vento e outras intempéries. O caminho da Lombardia até o Vêneto é totalmente plano, o que facilita bastante a vida do motorista. Na medida em que saíamos da Lombardia, começávamos a avistar montanhas com cumes nevados à esquerda. Outra coisa que chamou bastante a atenção era a presença de alguns parreirais na beira da estrada, mas não em grande quantidade. Muitas indústrias no caminho, no entanto.

Verona fica a 150 km de Milão e a temperatura nesta época do ano é amena, puxando um pouco para o frio, especialmente nas áreas próximas ao rio Adige, com suas verdejantes águas provenientes dos Alpes.

Chegamos em Verona em torno das onze horas. Sim, perdemos quase a manhã toda e ficamos preocupados que não haveria tempo suficiente para ver tudo o que havia lá. A afirmação era correta, mas não sabíamos que haveria outro motivo para não ver tudo…

Começamos pelo ponto de partida recomendado pelos guias turísticos – a Piazza Bra. É uma linda área, com árvores, estátuas e vários cafés e restaurantes ao largo. E a Arena Romana num dos lados.

A Arena Romana é isso mesmo que o nome diz: uma arena romana. Eu sei que todos pensamos: tipo, o COLISEU?

Exatamente! Mas está ligeiramente melhor preservada que o Coliseu. Mas é menor, claro. Mesmo assim, é bastante grande. Atualmente, é utilizada para eventos. Tinha um cartaz no lado de fora que dizia que teria um show do Deep Purple no mês de abril. Child in Time (ns). O problema foi subir e descer excessivamente esse monte de degraus desconjuntados. Minhas pernas viraram manteiga em dois tempos.

Depois daí, fomos à beira do rio Adige, para conhecer o Castelvecchio – uma fortaleza medieval, que virou castelo e que, como vários outros locais italianos, virou um museu. É um local com várias peças artísticas mas, principalmente, o próprio prédio é um espetáculo à parte.

Mas a principal vista de lá…

João e Elda gostariam de apresentar a vocês… il fiume Adige. É impressionante a transparência da água deste rio. Dá quase vontade de se jogar nele. Mas é geladíssimo.

Anyway.

Seguindo pela via principal, passamos pela porta Borsari, dando entrada à cidade velha. É muito bonita, com ruas estreitas e vários cafés e restaurantes. Por mais estranho que isso possa parecer numa cidade turística, alguns restaurantes fecham depois das 14 horas. Difícil de acreditar.

Chegamos a Piazza delle Erbe, onde tem uma feira de especiarias, mas de outras coisas também (como lenços, lenços e souvenirs diversos). E umas macadamias de frutas também, bem legais.

Nessa praça, tem a Torre dei Lamberti, com sinos e uma belíssima vista da cidade, provavelmente a melhor de todas.

Essa área vazia abaixo é a Piazza della Signoria, com uma estátua de Dante no meio dela. Vazia, comparando com a vizinha Piazza delle Erbe.

A essa altura, todos já estávamos exaustos. O resto do passeio foi consideravelmente “forçado”. Verona é uma cidade interessante, mas eu, honestamente, esperava um pouco mais. Ou talvez tenhamos feito tudo correndo demais, sem aproveitar as pequenas coisas. Provavelmente a segunda opção é mais adequada.

Talvez nós sabíamos que coisas ainda melhores estavam por vir…





Retomando…

14 04 2011

Pessoal, eu realmente tive muita dificuldade para postar durante a viagem. Geralmente chegava no hotel muito cansado (feliz, claro) e nos últimos 5 dias, nada de TENÉTI. Mas agora, vou postar tudo o que faltou.

Ou seja…

TUDO.

Lá vamos nós!