Entre Dante e Michelangelo

13 06 2011

Como vocês já sabem, o domingo não foi exatamente tranquilo pra mim. A Gra e eu passamos toda a manhã no hospital de Pádua, tentando resolver o meu… probleminha. Mas depois seguimos a nossa programação e à tarde fomos de carro até Florença – uma viagem de 240 km. Como eu estava ainda sequelado, o Elias fez questão de nos guiar até lá.

Fomos quase o tempo todo em autoestrada. Detalhe: passamos algo em torno de TRINTA túneis, uma estrada de dar gosto e uma vista fantástica, pra variar.

Logo que chegamos a Florença, deixamos a van no estacionamento. Porém, já era quase noite e não dava pra fazer muita coisa. Eu, com certeza não. Sem falar que começou a chover, então comemos alguma coisa na estação ferroviária Santa Maria Novella, muito próxima do nosso hotel e nem chegamos a ir pro centro da cidade.

Ficamos no Hotel Fiorita, um hotel boutique de 2 estrelas, há uma quadra da principal estação ferroviária da cidade e realmente em “walking distance” dos principais pontos turísticos de Florença. É um hotel que não tem cara de hotel, num prédio onde tem outros 2 hoteis (nunca tinha visto isso antes). Para chegar nele, é necessário pegar um daqueles elevadores mega antigos, que a gente precisa fechar uma grade pra ele poder se mover, com capacidade máxima de TRÊS pessoas! Mas os recepcionistas eram super simpáticos e atenciosos e os quartos eram lindos, espaçosos e confortáveis.

Apenas para registrar, sobre hoteis: com exceção do Ibis de Milão, todos os outros hoteis da nossa viagem foram encontrados através do site Trip Advisor, que é uma compilação de opiniões de usuários de hoteis em todo o mundo. Por a Itália ser um destino turístico dos mais importantes, a maioria dos hoteis consultados tinha sempre mais de 100 opiniões registradas, geralmente dando detalhes valiosos sobre as suas experiências. Com isso, foi possível encontrar essas “relíquias”, pagando pouco e tendo ótimas experiências. Não podemos nos queixar dos hoteis onde nos hospedamos e pagamos relativamente pouco (com o uso do Booking.com), entre 70 e 100 euros a diária, por casal. Claro que, para manter a “máquina girando”, fiz questão de dar minha opinião sobre todos os hoteis onde nos hospedamos, para ajudar os próximos hóspedes a ficarem mais tranquilos em suas decisões.

Infelizmente choveu toda a noite e também toda a manhã. Nós não poderíamos perder mais tempo, então resolvemos ir pra rua, mesmo que o céu estivesse chorando. Tomei um super café-da-manhã (uma fatia de pão torrado e água) e resolvi ir também pra luta. A primeira parada foi as Cappelle Medicee que, como o nome sugere, são capelas dos Medici, que foi a família predominante e mandatária de Florença, por vários séculos. Apesar de que era a família mais rica da cidade, isso não impedia a morte prematura de muitos de seus membros – vários dos que estão enterrados nas capelas viveram entre 35 e 40 anos, apenas. Infelizmente não eram permitidas fotos dentro das capelas, então não temos registros. Apenas é importante ressaltar que uma das capelas foi projetada por Michelangelo e contém várias obras de um dos principais artistas italianos de todos os tempos.

Depois fomos pra Basílica de San Lorenzo, construída no século XV, com projeto de Brunelleschi. Não entramos, pois não estava aberta para visitação ainda. Notamos que naquela rua seria montada uma feira, por isso, as mulheres já se ligaram e pediram para que voltássemos lá antes de sairmos de Florença. Obviamente atendemos.

Notem os guarda-chuvas… confesso que dificulta um pouco o turismo.

Em seguida, passamos pelo Duomo de Florença, dessa vez entramos nele. Apesar de não ter nada a ver com o de Milão, achei esse muito bonito externamente e um dos mais belos, internamente. Tem um ambiente iluminado, diferente da maioria das igrejas, que tende a ser mais lúgubre. Infelizmente não fomos no Batisttero, que estava ainda fechado naquele horário e chegamos a entrar na Campanile, mas desistimos de subir os quase 500 degraus para chegar até o topo.

Dali passamos pela Piazza della Signoria, onde estão o Palazzo Vecchio e a Galleria degli Uffizi. Originalmente nós havíamos reservado o domingo pela tarde para visitar esse, que é um dos museus mais famosos do mundo, mas o meu probleminha nos impediu de seguirmos esse plano. Porém, não me lembrava que segunda-feira é justamente o único dia em que o Uffizi FECHA. Isso nos fez mudar outro plano (que provavelmente seria alterado de todas as formas): decidimos ir no Uffizi na terça de manhã, deixando de ir para Siena. Acredito que foi uma ótima decisão…

Palazzo Vecchio, na Piazza della Signoria

Com isso, seguimos a caminhada – isso tudo se faz a pé, não há nenhuma vantagem em fazer este roteiro usando ônibus ou carros, provavelmente a pé se chega antes, considerando as ruelas estreitas do centro de Florença. No final do Uffizi estão as margens do rio Arno, cujas águas eram relativamente claras, considerando que estava chovendo há várias horas. Cruzamos o rio pela medieval Ponte Vecchio, que curiosamente é circundada por lojas de JOIAS! Imaginem a cena: “comprei um anel de brilhantes lá na PONTE” – não me parece razoável…

(apenas pra constar, Vecchio é a ponte lá atrás, não EU, ok?)

Cruzando a ponte e, graças a Deus, não comprando nada, paramos num café para fazer uma refeição. E, para mim, foi o ponto final para o passeio, pois meu corpo pedia ARREGO. Na verdade, não foi um ponto final naquele dia, foram apenas RETICÊNCIAS. Então, enquanto eu curtia uma caminha e eventuais idas ao banheiro, a galera continuou seu passeio. Vou falar no que eles fizeram, portanto.

Depois da Ponte Vecchio, eles voltaram a cruzar o rio Arno, dessa vez para ir até a igreja de Santa Croce, que dizem ter sido fundada pelo próprio São Francisco de Assis – e é a maior igreja franciscana do mundo. Nela estão enterradas algumas figuras famosas, como Galileu Galilei, Dante Aligheri e o sujeito aí de baixo:

Ok, eu sei que não dá pra ler direito. Mas se vocês aproximarem bem a foto, vão ver escrito na lápide MICHAELI ANGELO BONAROTIO, que seria a forma latina de Michelangelo Buonarotti.

Essa é a fachada da Santa Croce (ou Santa Cruz, como preferirem).

Nessa altura, já havia parado de chover. Então o pessoal retornou à Piazza Duomo, para curtir um pouco mais daquele lugar. Enquanto as nossas mães resolveram comprar um sorvete de QUINZE EUROS para cada uma (essa história rendeu muito durante toda a viagem), os outros três enlouqueceram e resolveram subir até o alto da cúpula do Duomo, que é ainda mais alta do que o Campanile. E subiram mesmo!

Eis a prova do crime.

Depois disso, resolveram voltar ao hotel, para ver se eu estava vivo (oh, coitadinho…). Na real, foram descansar um pouco. No final da tarde (no dia anterior, havia iniciado o horário de verão na Europa), resolvemos todos ir até a Piazzale Michelangelo, onde se pode ter uma vista excelente da cidade, por ser um lugar alto. Fomos de ônibus, pois dessa vez realmente NÃO DAVA pra ir a pé. Um lugar realmente muito bacana…

Só uma ressalva: esse não é o Davi original – aquele está na Galleria dell’Accademia.

Finalmente retornamos ao hotel para descansar, após tudo isso. Mas tínhamos cupons para um jantar de 3 pratos + sobremesa, que havíamos comprado no Groupon. Foi uma experiência super bacana, num restaurante em um bairro um pouco mais distante do centro, ou seja, não era um restaurante turístico. Nossos pais disseram que foi o melhor vinho que tomaram em toda a viagem (também estava incluso!).

No dia seguinte, ainda fomos pra Galleria degli Uffizi (não temos fotos) e, em seguida, pegamos o carro e nos mandamos para Assis. Essa fica para o próximo post, pois esse já está longo demais. Até mais!

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