O menor país do mundo

19 07 2011

E não é nem TONGA nem VANUATU. O menor país é o Vaticano mesmo, com seus 0,44 km² e 800 habitantes. É pequeno até mesmo para ser um bairro romano, quanto mais uma cidade e um país. Mas o Vaticano é tudo isso, pois é sede da Santa Sé, capital da religião Católica Apostólica Romana, que é tão grande que é um Estado a parte.

Portanto, mais um país que visitamos… hehe. E levou apenas alguns minutos de ônibus da estação Termini, para chegarmos lá. Resolvemos ir lá super cedo, perto das 8 da manhã, para podermos assistir a uma missa, dentro da Basílica de São Pedro. Nesta hora, praticamente não havia movimento de turistas em frente à basílica, assim entramos sem precisar passar por filas. Infelizmente não era na nave principal da igreja, mas em uma de suas várias capelas internas. Uma experiência diferente, sem dúvida, mas apesar da missa ter sido rezada em italiano (óbvio), a estrutura é idêntica às daqui.

Depois passeamos rapidamente pelo interior da imensa basílica, tentando explorar um pouco seus detalhes. Mas tínhamos outro compromisso, algo que acredito que poucos visitantes do Vaticano presenciam: havíamos agendado com o Ufficio Scavi uma visitação à Necrópole de São Pedro, ou seja, o local onde foram encontrados os supostos restos mortais de São Pedro. O local é interessantíssimo e dá muitas ideias de como era uma necrópole romana nos tempos de Cristo. Infelizmente não era possível fotografar lá embaixo (e as fotos provavelmente sairiam péssimas). Depois de percorrer os íngremes corredores da Necrópole, saímos na sala de visitação aos túmulos dos demais papas enterrados, um nível acima.

Após essa visita, fomos aos Museus do Vaticano, onde está a Capella Sistina. Eu acreditava que era rapidinho caminhar da Basílica até a entrada dos museus, que havia caminho interno, etc. Na verdade, o vivente tem que dar uma bela volta, por fora dos muros do Vaticano, até chegar à entrada dos museus. Uma baita caminhada, para quem já nem tinha mais tanta energia…

Dentro dos Musei Vaticani a gente vai subindo numa rampa espiral extremamente longa, até chegar no nível superior do edifício. Há mais de um caminho que pode ser seguido, mas não muitos. A maior parte dos corredores contém vários exemplos de tapeçaria e móveis de várias gerações de papas, além de incontáveis e impossíveis pinturas nas paredes e nos tetos.

De certa forma isso vai nos preparando até chegarmos ao mais esperado local…

É… lá dentro também não dá pra fazer fotos. Era uma quantidade absurda de gente falando alto e os guardas ao redor fazendo: “shhhhh”, inutilmente. Mas a visão é inesquecível, está gravada em minha mente.

Depois de tudo isso, estávamos cansados, mas retornamos à basílica, para subirmos à cúpula. Desta vez não tivemos a mesma sorte de manhã (já era início da tarde, um dia bastante quente) e pegamos uma enorme fila para passarmos pela segurança. Tentei um chalalá nos guardas, mas não rolou.

O preço para subir com elevador é de 7 euros por pessoa e, sem elevador, 5. Pensamos: era só o que faltava não usarmos elevador né? O que não sabíamos é que o elevador somente leva até uma certa parte, bastante abaixo da cúpula em si. A parte final da subida é em escadas mesmo, e não eram poucas (mais de 400). O pior de tudo é que eu e a Gra fomos meio na porra loca e esquecemos de combinar com os demais quem subiria, etc… Acabou subindo todo o mundo, só que a minha mãe tem problemas cardíacos e ela estava bastante alterada quando chegou lá em cima. Admito, eu estava CORROÍDO de remorso pelo ocorrido…

Mas deu tudo certo. E a vista é a melhor de Roma, indiscutivelmente.

Quando descemos, éramos trapos humanos. Aproveitamos para fazer algumas comprinhas nos arredores do Vaticano (relacionadas, claro), tomar um bom gelato e resolvemos ir até a Piazza del Popolo. Mas a galera estava muito descontada, então os nossos pais pegaram um taxi e voltaram ao hotel, enquanto a Gra e eu passeamos um pouco pelo Popolo e fomos andando pela Via del Corso até chegarmos na Piazza di Spagna (que já havíamos visitado dois dias antes). Um caminho muito agradável e cheio de lojas de grife, para deleite feminino. Mas aproveitei e comprei uma bela camisa italiana.

À noite saímos para jantar numa trattoria perto do hotel. Tinha pinta de ser boa, mas não era. Era uma droga. Infelizmente a Rejane não pôde ir conosco, pois estava se sentindo mal, com febre. Ainda bem que isso não persistiu nos dias seguintes.

Na manhã seguinte, peguei novamente o furgão, desta vez um da Ford, apanhei a galera no hotel e seguimos viagem – agora para a cidade perdida de POMPEIA.

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Apenas para situar: era o dia 2 de abril.

Para chegar a Pompeia, saindo de Roma, basicamente foi seguir a rodovia A1, passar por Nápoles e logo depois avistamos o Vesúvio e a entrada para Herculano (Ercolano, in italiano). Mas são uns 240 km, mais ou menos, de autoestrada plana e tranquila.

Uma coisa é certa: na medida em que avançamos ao sul da Itália, era possível começar a notar algumas diferenças mais gritantes. Moradias simples eram avistadas na beira da estrada. Quando as pessoas dizem que o sul da Itália é bem mais pobre que o norte, não é à toa. Chegando em Pompeia, a impressão que se tem da cidade não é das melhores: rua empoeirada, estrutura simples. Em compensação, faltam palavras para descrever o interior do sítio arqueológico, muito bem preservado para facilitar a visitação e o controle. Isso é bastante importante, para evitar que vândalos depredem um verdadeiro tesouro da humanidade.


Vejam o Vesúvio, ao fundo

Para quem eu tive a oportunidade de conversar sobre a nossa visita a Pompeia e para toda a nossa turma, durante a visita, falei várias vezes que Pompeia era uma CÁPSULA DO TEMPO, que foi fechada (compulsoriamente) no ano 79 d.C. e somente foi aberta aproximadamente 1600 anos depois. Por conta de uma erupção do Vesúvio, a quantidade de cinzas que desceu sobre Pompeia foi tão grande que a soterrou. A erupção ocorreu à noite, então muitos foram pegos de surpresa e não tiveram como fugir.

Segundo os arqueólogos, Pompeia era uma cidade balnearia do Império Romano – naquela época o mar chegava até ali – onde a elite romana ia para veranear. Passeando pelas ruas da cidade arqueológica, é possível notar detalhes sobre como as cidades eram construídas naquela época. Em algumas das casas desencavadas, foi possível encontrar inclusive um mosaico com um cão desenhado e um aviso: CAVE CANEM


Cuidado com o cão (viram como eu sei latim?)

Outra casa interessante, a “Casa do Fauno”, tem um jardim interno e alguns adereços interessantes à vista.

Também chamou-nos a atenção uma autêntica casa de banho romana, com grandes banheiras onde os moradores iam curtir uma aguinha quente…

Como tudo nesta viagem, não tínhamos muito tempo para sermos felizes, até porque precisávamos continuar a viagem até Amalfi, nosso destino final daquele dia. Então, abreviamos bastante a visita e apenas corremos o sítio en passant. Muito mais não conseguiríamos fazer de qualquer jeito, pois nossa ignorância arqueológica não ajudava muito mesmo. Então, finalizamos nossa visita a Pompeia indo no Teatro Grande, um dos anfiteatros da cidade – não visitamos o outro anfiteatro.

Na sequência do dia continuamos a viagem a Amalfi. Apenas 45 km, mas parecia MUITO mais. No próximo post eu explico melhor…

Até mais!

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