Che bella costiera! Bellissima!

9 08 2011

Havíamos recém finalizado nossa rápida visita à cidade perdida (e depois encontrada) de Pompeia. Era sábado à tarde e, felizmente, ensolarado. Estávamos a poucos quilômetros do nosso próximo destino: a cidade de Amalfi, a cidade que dá nome à região que queríamos visitar – a Costiera Amalfitana. O que poderia dar errado?

Bem, errado não deu. Mas foi um pouco diferente do que eu havia imaginado… o caminho para Amalfi (o melhor deles, no caso), faz com que a gente vá pela autostrada A3 até a altura de Vietri sul Mare, quando saímos para a SS163, que passa por toda a Costa Amalfitana, desde Maiori até Positano. O problema é que essa estrada é MUITO ESTREITA. E vai ficando cada vez MAIS ESTREITA, na medida em que avançamos em direção a Amalfi. E, pior ainda, é uma ODISSEIA DE CURVAS. Sério, descer a Serra do Rio do Rastro é menos apavorante do que isso que passamos… ok, talvez no mesmo nível…

O meu pai me disse depois que ele tinha gastado a sola do sapato de tanto “frear” o carro durante o percurso. As mulheres evitavam olhar para o lado esquerdo, para não ter vertigens. Estávamos literalmente entre uma montanha e um penhasco. Se, por algum motivo, a estrada cedesse, cairíamos diretamente no mar. Era deliciosamente apavorante, mas eu sabia que os riscos eram muito pequenos, especialmente com as fortes proteções que a estrada apresentava (e ótimas condições de pavimentação também).

O motorista tem um pouco de prejuízo neste tipo de viagem, pois não consegue prestar muita atenção na paisagem, ao contrário dos demais ocupantes do carro. E eles devem ter aproveitado muito, pois era tudo muito lindo. O mar, azul e amplo. Os limoeiros (que eram inúmeros). As enseadas. E as mansões, algumas pareciam escavadas nas paredes rochosas das montanhas. De curva em curva, passamos por Maiori e Minori, as primeiras praias da costa amalfitana, bastante procurada por turistas. Não chegamos a parar nelas, depois descobriríamos que elas são muito semelhantes umas das outras, então, não chega a ser um grande prejuízo deixar de conhecê-las todas a fundo. Acredito que, com bem mais tempo (uma semana, por exemplo), seria ideal para poder explorar melhor as várias praias desta região.

Depois de umas dezenas de curvas adicionais, chegamos enfim a Amalfi.

A cidade de Amalfi representa a capital do que já foi uma república independente, basicamente de mercadores marítimos. Sua localização costeira lhe permitia empreitadas de navegação às Índias e ao norte da África. O estilo de várias de suas construções é “mourisco”, ou seja, influenciado pelos povos árabes da África Setentrional. Por mais estranho que pareça, eu fiquei com essa impressão em relação ao Duomo de Amalfi, logo uma igreja católica!

Nessa altura estávamos razoavelmente acostumados às “estranhezas” das cidades italianas, com suas ruas estreitas, sinais confusos e edifícios antigos. Mas parece que sempre tem algo a mais para se deslumbrar. E não foi diferente em Amalfi. Logo que chegamos, tinha dúvidas sobre o que fazer para guardar o carro e ir ao hotel. Nós nos hospedamos num hotel boutique (claro) chamado Hotel Floridiana, uma indicação do Trip Advisor, como não poderia deixar de ser. Se eu tivesse TRÊS polegares, todos estariam para cima em relação ao hotel – excelente. Antes de sair de Pompeia, liguei para o hotel para pedir mais informações de como proceder (é impressionante como eu já tinha tranquilidade para fazer ligações e conversações em italiano nessa altura – eu nem me dei conta dessa ‘fluência’ adquirida). Eu já tinha recebido um e-mail com instruções, mas achei tão confuso que nem parecia verdade. Mas era.

Saca só:

1) a galera baixa na entrada da cidade. Havia um CARRINHO DE GOLFE no estacionamento beira-mar aguardando para retirar a bagagem e levá-la ao hotel. O acesso ao mesmo era por muitas escadas, então o hotel oferecia este serviço.

2) na frente do Duomo tem a praça principal da cidade (piazza Duomo, claro). Aos fundos, um semáforo e uma rua muito estreita em seguida. Este semáforo não é comum – está vermelho na maior parte do tempo. Ele é o instrumento que permite o trânsito nesta via, que só pode ser feito em um sentido por vez. Enquanto os carros descem a rua, ninguém sobe, e vice-versa.

3) a 3 metros (dizia exatamente isso) do semáforo, há um vicolo (beco) à direita com uma escadaria. Subi-la e logo em seguida pegar a escada à esquerda. Eu juro pra vocês: se tivéssemos chegado à noite dificilmente subiríamos aquelas escadas naquele beco pouco iluminado. Mas valia a pena, o hotel é muito lindo internamente, os quartos são modernos e espaçosos e a sala de jantar (onde tomamos o café da manhã) era um capítulo à parte.

4) tive que subir a rua (essa mesma do semáforo) uns 500 metros, até uma casa com portões verdes. Aí era o estacionamento do hotel e eu teria que deixar o mesmo com o Gianluca (me confundi e pedi pelo Gianluigi – ouch!). Depois ainda tive que deixar o número da placa do carro na recepção do hotel, para que eles pudessem informar à polícia, para que não me cobrassem multa por transitar em ZTL (obviamente todo o centro da cidade era uma Zona a Traffico Limitato).

Por sinal, tomei uma multa em Como por causa dessa maldita ZTL. Soube disso há alguns dias. Ainda bem que é só financeiro – não conta pontos na minha carteira de motorista brasileira…

Nosso plano inicial para a costa amalfitana era circular em toda a região de carro, visitando as diferentes cidades (Maiori, Minori, Praiano, Positano) e também subindo a montanha até a cidade de Ravello. Mas, com a minha chegada CAMBALEANTE em Amalfi, todos fomos unânimes em NÃO fazer isso. Verificamos o horário dos ônibus e, no dia seguinte, iríamos até Sorrento de BUSÃO para depois irmos até a Isola di Capri. Assim, la nostra macchina ficou descansando até a segunda-feira.

Era final do dia quando terminamos os procedimentos de check-in no hotel e nos acomodamos. Deu pra aproveitar e dar uma circulada pela praia, não muito movimentada pelo fato de ser início de primavera – obviamente fora de temporada para eles. Mesmo assim, por ser um fim-de-semana, tinha uma quantidade razoável de pessoas na praça, nos cafés e nas gelaterias. A temperatura estava agradável. E era realmente prazeroso ficar no cais, curtindo o ruído da água batendo nas pedras…

O pessoal do hotel era muito atencioso, nos deram duas indicações: uma de gelateria – uma barraca que ficava próximo do pequeno “túnel” na saída da praça. Um gelato realmente delicioso, só eu tomei uns 3 ou 4 durante nossa estadia na Costa Amalfitana. Outra, foi uma trattoria, chamada Il Tarí. Gostamos tanto do restaurante que voltamos lá na noite seguinte. Serviço atencioso, comida deliciosa a um preço muito justo. Aproveitamos para provar um vinho da própria Amalfi – esse já não era genial.

——

No dia seguinte, acordamos cedo para podermos pegar um dos primeiros ônibus para Sorrento, que nos desse tempo suficiente para pegar um barco até Capri e para que pudéssemos aproveitar um pouco nossa estadia na ilha. O ceu estava meio nublado e estava um pouco mais frio do que no dia anterior. Pelo menos, até aquele horário. De ônibus não rola cansaço para transitar pelas ainda sinuosas estradas que nos levavam até a cidade de Sorrento, mas chamava muito a atenção a facilidade com que o motorista fazia o trajeto – o que não faz a experiência, não é?

O tipo de vista que pudemos apreciar durante a viagem não chegou a ser uma novidade, pois havíamos visto muita coisa durante a chegada até Amalfi. Para mim, talvez foi mais relevante, já que eu tinha prestado pouca atenção na paisagem enquanto tentava permanecer na estrada para Amalfi (que exagero!).

Em 1 hora, chegamos a Sorrento, que fica a TRINTA QUILÔMETROS de Amalfi. Sim, essa foi a velocidade média da viagem. Estão começando a entender agora?

Sorrento é uma bonita cidade, que não chega a fazer parte da chamada Costa Amalfitana, pois está posicionada em uma baía própria, no lado norte da península sorrentina. Não chegamos a explorar esta cidade, pois nosso objetivo lá era pegar um catamarã que nos levaria à Ilha de Capri, nosso destino daquele dia.

Felizmente, quando chegamos à estação rodo-ferroviária de Sorrento, fomos imediatamente à marina e descobrimos que não tardaria muito para partir o barco seguinte a Capri. Com isso, aproveitamos um pouco para fazer umas fotos à beira da marina, antes de zarparmos. O barco é rápido e levou apenas uns 35 minutos para chegar à Marina Grande, em Capri.

Da Marina Grande o transporte tradicionalmente utilizado seria o funicolare, que nos levaria até o centro de Capri. Porém, o mesmo estava em greve naquele dia, então haviam ônibus fazendo o mesmo transporte. Eram microônibus e estavam saindo sempre muito lotados. Tivemos que nos espremer para chegarmos lá.

A comune de Capri fica numa posição razoavelmente alta em relação ao nível do mar – 140 metros – mas chama a atenção, justamente por subirmos toda essa distância em pouco mais de 1 quilômetro. Ao chegar lá, nota-se a grande presença de marcas de grife nas pequenas lojas dispostas ao longo das estreitas ruelas. Os hoteis também dão pinta de serem de altíssima classe. No entanto, a presença de turistas no dia em que fomos para lá era apenas razoável, pois era baixa temporada para um local de veraneio. Chamava a atenção a quantidade de asiáticos fazendo turismo naquele momento…

Em Capri não fizemos muito – demos uma volta pelas ruazinhas e depois voltamos. Havia lugares para visitar, como a Villa Jovis, uma das residências do Imperador Tibério, quando estabeleceu a sede do Império Romano em Capri, entre 27 e 37 d.C. Porém, tínhamos muito pouco tempo para isso…

Então resolvemos ir até a outra comune da ilha – Anacapri, que fica ainda mais alta – a 275 metros do nível do mar. Também demos uma circulada por lá, pela strada Anacapri que passa por várias construções pitorescas. Depois almoçamos na praça principal da vila, aos pés do Monte Solaro, o mais alto da ilha.

A cereja do bolo de nossa breve passagem pela Ilha de Capri foi subir o Monte Solaro através da seggiovia, ou seja, o teleférico que leva até o alto da montanha. Infelizmente minha mãe não se sentiu à vontade para fazer o passeio – acho que ela se arrependeu depois, de tanto que falamos disso…

São 2 km de extensão de subida em cerca de 15 minutos até chegar ao alto do monte, que tem 589 metros de altitude, em relação ao nível do mar. A vista que se tem durante o passeio é incomparável.

Chegando ao topo do Monte Solaro, víamos as nuvens abaixo, como se estivéssemos voando, algo muito incrível. E de lá dava para ver o mar, lá embaixo.

Uma experiência que vale muito a pena, recomendo para qualquer um.

Descendo novamente, pegamos um ônibus até a vila de Capri e outro para retornar à Marina Grande. Estava bastante preocupado com o horário, pois precisávamos chegar na estação rodo-ferroviária de Sorrento antes das 17 horas, para pegarmos o ônibus até Amalfi. Do contrário, somente às 19:30. Eu estava meio descrente, mas conseguimos chegar na marina de Sorrento às 16:50. Corremos para pegar um taxi e o loco voou, não sei como. Chegamos justamente às 17 horas na rodo-ferroviária, o ônibus estava ligado e mal tinha lugar para nós 6. Conseguimos!

De volta a Amalfi, ainda aproveitamos um pouquinho do ambiente e voltamos a jantar no Il Tarí. Era muito agradável passear pelas ruas do centro de Amalfi, curtindo a temperatura amena (quase quente) dessa época do ano no sul da Itália. E tínhamos que curtir nossa última noite em terras italianas (agora derrubo uma lágrima de saudades…).

Na manhã seguinte (segunda-feira), demorei uns QUINHENTOS ANOS pra conseguir pegar o furgão na garagem, por causa das crianças indo pra escola – enquanto elas estão na rua, NECAS do semáforo abrir… Bom, melhor assim, não seria correto jogar FUMAÇA na cara da gurizadinha.

Levamos a van até o aeroporto de Nápoles, de onde viajaríamos para Paris. Alguma dificuldade para encontrar o local de devolução – na verdade é num local compartilhado por várias locadoras. Agora vamos para o meu erro – que poderia ter saído bem caro: quando peguei a Ford Transit em Roma, eu já havia visto que ela estava com uma lateral toda DETONADA. Literalmente amassada. O problema é que, neste tipo de estabelecimento, é comum ninguém acompanhar a retirada do veículo. No caso de Roma, a agência era um guichê dentro da Stazione Termini e o carro estava num estacionamento a umas 2 quadras de lá. Eles simplesmente me deram a chave e feito.

O correto era eu ter voltado lá no guichê da Hertz e dito: “qualé mermão, tentando me passar um carro detonado? Quer que eu chame o Capitão Nascimento?”, mas eu não fiz isso, pensei: ah, eles devem saber que o carro tá amassado… Na entrega do carro em Nápoles, o cara me falou: o carro estava assim antes da entrega? Eu confirmei e ele me pediu os papeis… daí ele disse pra mim: olha, eu sei que esse amassado não é recente por causa de alguns sinais, mas tu não podes pegar um carro assim, sem que esteja informado em algum lugar… Ou seja, o magrão me liberou, deve ter visto minha cara de NOVATO, mas se quisesse ter me GARFADO, teria feito e nós teríamos nos estrepado. Fica a dica.

Enfim, depois disso, fomos pro aeroporto e deixamos a Itália. Espero que voltemos algum dia…

ARRIVEDERCI!

Mas nossa aventura ainda não acabou. Temos mais dois dias e meio na capital do BAGUETTE. Não perca o último episódio da saga!

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