Adieu, mes chèrs amis

28 08 2011

Dando sequência ao meu último post, o penúltimo desta série, nós embarcamos na segunda-feira, 4 de abril de 2011, para a derradeira etapa de nossa viagem à Europa – uma rápida visita à la ville lumière. É isso aí, mes amis, essa era uma excelente oportunidade para eu pôr em prática meus conhecimentos da língua francesa. Será?

Chegamos em Paris na metade da tarde daquele dia. Como nosso aeroporto de destino era o Roissy/Charles de Gaulle, estávamos bastante distantes do centro. Nosso hotel, o Hôtel du Printemps, ficava no 12ème Arrondissement, portanto, o taxi saiu CAAARO. E tivemos que contratar dois, pois eles não tinham uma van no aeroporto para levar-nos até o nosso hotel. Se estivéssemos em menos pessoas e com menos bagagem, teríamos pego o RER-B até Châtelet, depois o metrô 1 até Nation e então o Metrô 6 até Picpus, que era na frente do nosso hotel. Mas em 6 pessoas isso seria bastante inconveniente…

Chegamos no hotel, colocamos uma manta (estava consideravalmente mais frio em Paris do que estava em Nápoles) e já saímos para a rua. Compramos um cartão Paris Visite para 3 dias, o que nos deu a possibilidade de usarmos transporte público entre as zonas 1 e 3 de Paris de forma ilimitada durante este período. Com uma cidade com uma rede de transporte público TÃO BOA quanto Paris, nada mais é necessário. Custou 20,70 euros cada um.

Para começarmos bem o nosso período na cidade mais linda do mundo (minha classificação), fomos direto para a Île de la Cité, onde está a Catedral de Nôtre-Dame. Na verdade paramos no Hôtel De Ville, onde está atualmente a prefeitura de Paris, às margens do rio Sena.

Daí cruzamos o rio a pé (o que já é uma experiência interessante por si só) e fomos caminhando até Nôtre-Dame. Como já tínhamos visto TODAS AS IGREJAS da Itália (nenhum sentido) e comparado bastante umas às outras, podíamos julgá-la. Nôtre-Dame é bastante grande, mas não é bonita.

Depois pegamos o metrô até o Jardin des Tuileries, onde está o Museu do Louvre, onde iríamos no dia seguinte (era o que achávamos). Como era início da primavera, o jardim já estava bastante bonito, cheio de tulipas (minha mãe é fascinada por esta flor) e outras belas plantas. O jardim estava com uma grande quantidade de pessoas, muitas sentadas ao redor do lago que fica no meio, apenas curtindo o final da tarde. Imagino que um artista poderia ficar inspirado neste local.

Nosso maior erro naquele dia foi cometido logo em seguida: caminhar demais. Resolvemos caminhar até o final do jardim, onde está o Obelisco de Luxor, no meio da Place de la Concorde, onde inicia (ou termina) a Avenue des Champs-Elysées. Aí comemos um típico crêpe, que infelizmente não estava tão bom (não era de Nutella, era de um produto similar – nada a ver). Resolvemos que éramos fortinhos e continuamos caminhando pela avenida mais famosa da cidade. Na verdade, andamos por TODA a avenida, desde o obelisco até o Arco do Triunfo. Paramos numa boulangerie para comer uns sanduíches de baguette e seguimos até o símbolo das conquistas militares de Napoleão.

A natureza cobrou a conta logo depois: estávamos EXAUSTOS. Não fizemos outra coisa que não pegar o metrô de volta e capotar em nossos quartos. O dia estava encerrado.

——–

Na terça-feira despertamos razoavelmente cedo e decidimos começar nossos passeios por perto – então a primeira coisa que fizemos foi ir até a estação “Bastille” do metrô e sair no meio da Place de la Bastille, um local onde em 14 de julho de 1789 ROLARAM CABEÇAS. Em seguida voltamos ao Louvre, mas, desta vez, para entrar. Só que eu tinha esquecido de um detalhezinho: sauf Mardi significa “exceto às terças-feiras”. Bem que estranhamos o quanto estava vazio aquele lugar…


Allons enfants de la Patrie, le jour de gloire est arrivé

Onde mais poderíamos ir? Bem, em uma INFINIDADE de locais. Mas resolvemos ir no mais óbvio de todos. Estava incrivelmente frio na parte do meio da torre, quando a gente baixa do primeiro elevador para pegar o segundo. O problema é que havia uma fila considerável para pegar o segundo elevador e então ficamos pegando frio até conseguir “embarcar”.

Abre parênteses: o meu sogro, Elias, estava levando uma bandeira do Internacional para todos os lados nesta viagem, desde o primeiro dia em Milão até Paris. A ideia dele era fazer fotos em locais turísticos com a bandeira para sair no site ou na revista do clube. Só que, ao passarmos pela segurança da torre, o guarda disse que ele não poderia entrar com a bandeira. Daí eu expliquei que não era bandeira de entidade governamental, era de um clube de futebol… o cara disse que é proibido qualquer tipo de bandeira na torre Eiffel, inclusive de clubes de futebol! Por menos que eu gostasse daquela bandeira, não poderia deixá-la perdida por lá. Então, quando descemos da torre, fui até o guichê do guarda e resgatei a danada. Um dia cobrarei essa dívida… hehehe! Fecha parênteses.

A vista da torre é muito bela e, apesar do dia estar meio nublado, conseguíamos enxergar bastante longe desde lá.

Logo após a visita à torre, cruzamos o rio e fomos até o Trocadéro, onde dá pra fazer a melhor foto da Eiffel. Nós nem havíamos nos dado conta de que a Gra estava usando um vestido com desenhinhos de Paris, incluindo a torre e uma turista japonesa quis fazer uma foto com ela! Mas eles nos ajudaram e fizeram uma foto de todos nós.

Daí fomos para a região de Montmartre, para visitar a Sacré Coeur, esta sim uma igreja muito bonita, na minha opinião. Ela fica no alto do Montmartre e, para chegar lá, dá pra subir uma BAITA escadaria ou pegar um trenzinho (o funiculaire de Montmartre). Obviamente os preguiçosos resolveram pegar o trem…

Mas antes do trem, tivemos uma situação meio engraçada. Próximo da “estação” deste funicular, tinha um banheiro público na calçada. É um desses banheiros de limpeza automática, gratuitos, parece uma cápsula de alta tecnologia, coisa mais linda. O problema é que eles levam uns 7-8 minutos SÓ PARA SE LIMPAR, sem contar o tempo de uso de cada pessoa. No final das contas, uns 4 de nós quiseram usar, ficamos quase UMA HORA nessa função… Se alguém estivesse MUITO apertado, teria sérios problemas.

Após a Sacré-Coeur, resolvemos voltar a um lugar que já havíamos ido: a Champs-Elysées. É que queríamos aproveitar algum tempo para fazer umas compras. Nessa avenida tem várias lojas de grife (nessas tínhamos medo de entrar), mas também tinha lojas acessíveis, como a H&M, Fnac e uma loja francesa que não conhecíamos, chamada Celio. Lá fizemos boas compras, com certeza.

Mais tarde teríamos a cereja da nossa TARTE TATIN (que não vai cereja, por sinal): o passeio de barco pelo Sena (ou La Seine, como os franceses costumam dizer). No entardecer de Paris, nós entramos no Bateau Parisien, navegamos pelo Sena, passando debaixo de dezenas de pontes (não sabia que eram tantas), dando uma volta na Île de la Cité e retornando ao local de partida. É um belo passeio, mas confesso que depois de alguns minutos, enche o saco. Pior é que estávamos com muita fome, mas teríamos um jantar à beira do Sena, num restaurante anexo ao local de embarque da Bateaux Parisiens, que estava incluso no nosso bilhete.

O jantar não foi magnífico, mas também não foi nada ruim. O melhor de tudo é que a Tour nos vigiava, onde estávamos. E, a cada hora cheia, ela começava a piscar majestosamente.

Isso fechou nosso segundo dia em Paris (e nossa última noite lá). A manhã seguinte seria de fechar malas em definitivo. Quando a gente começa uma viagem longa como essa, não parece que esse dia vai chegar, de tanta coisa que há para fazer… Mas ele chega e eu não nego: já começou a me dar saudades tão logo me dei conta. Às vezes as pessoas ficam com saudades de casa. Eu não estava.

——-

Quarta-feira, 6 de abril de 2011.

Nosso último dia na Europa…

Empacotamos tudo, fizemos check-out, guardamos todas as malas e saímos para aproveitarmos o melhor que pudéssemos. O bom é que aquela friaca já tinha passado e o dia estava até quente… bom para quem estava prestes a retornar a uma realidade mais quentinha – apesar de que já tinha começado o outono no Rio Grande do Sul, as temperaturas ainda estavam razoavelmente altas. Basicamente, nosso dernier jour en Paris foi composto de 4 atividades:
1) visitar o Louvre
2) almoçar
3) ir às Galeries Lafayette
4) chorar porque já havia terminado tudo…

Primeiramente, o Louvre, que já deveria ter sido visitado. Mas não foi problema e novamente descemos na parada “Musée du Louvre” da linha 1 do metrô, que dá uma entrada subterrânea para o museu. Assim, não é necessário entrar na famigerada pirâmide de vidro. O que parece ser um problema, é uma vantagem, pois a fila é maior pela entrada principal…

Mas fila era algo meio inevitável, afinal é sempre uma multidão que diariamente passa pelas IMENSAS galerias do museu mais famoso do mundo. Se no dia anterior não havia viva alma por lá, desta vez TODAS as almas resolveram ir para o mesmo lugar. Mas estou exagerando, o acesso foi bastante rápido – havia uma certa fila para passar pela segurança, mas fora isso não demoramos muito, inclusive compramos os ingressos num equipamento de autosserviço, muito fácil.

Vocês já devem imaginar quais seriam os problemas de nossa visita ao Louvre… com base em alguns elementos que já estão bastante óbvios nos últimos posts – reclamações crescentes – enfim: o museu é grande demais e nossa energia e tempo… curtíssimos. Então, não dava pra gente se iludir que conseguiríamos visitar ao museu inteiro – tempo até havia, mas a STAMINA já tinha chegado ao nível crítico.

Portanto, decidimos ABREVIAR a visita. Fizemos um recorrido iniciando pela parte medieval do Louvre – antigo castelo e palácio real, vendo um pouco da estrutura antiga restaurada – calabouços e tais. Depois passamos por artes e objetos do antigo Egito e da antiga Grécia. Para chegar aos renascentistas e, por fim, à GIOCONDA.

Nem é legal se espremer entre 835 pessoas tentando fazer fotos do quadro. Como se ela fosse ficar melhor que a própria pintura. Lógica, não trabalhamos.

Depois disso, voltamos ao hall principal, para tomar alguma coisa e as mulheres se entregaram. Quer dizer, a minha mãe e a mãe da Gra. Os três homens e a Gra resistimos firmes e continuamos nossa visita. Quer dizer, fomos apenas para mais um local: os aposentos de Napoleão.

Legal, luxo por todos os lados. Engraçado, pois isso aconteceu DEPOIS da Revolução Francesa… Acho que certas coisas a gente não consegue mudar tão fácil, não é?

Depois disso nosso “saco” pra continuar visitando o museu. Acho que o lance de que estávamos finalizando nossa longa viagem pesou. Sei lá se a galera ainda tinha espírito para visitar locais turísticos ou fazer qualquer tipo de turismo. É apenas uma hipótese, pois ninguém reclamou.

Então, saímos do museu, desta vez pela entrada principal.

Depois do museu, concordamos em almoçar. Então fomos para um lugar tipicamente parisiense…


Ok, enganei vocês, mas tenho culpa se a galera gostou mesmo do HRC?

E estava tudo muito delicioso, fazer o quê? E para finalizar nossas visitas desta viagem, passamos num símbolo de Paris, que ficava bastante perto do Hard Rock.

Muito luxo e muitos brasileiros dentro das Galeries Lafayette. E tem gente tentando me convencer de que as coisas não estão caras demais no Brasil. Eu fiquei impressionado: primeira vez que eu fui para Paris, essa loja simbolizava tudo o que havia de mais caro e impossível de se adquirir no mundo. Agora está forrada de terceiro-mundistas. O mundo dá voltas…

Depois disso, foi pegar nosso velho metrô, parar na velha e très petite estação PICPUS e voltar ao hotel, para pegarmos nossas bagagens e aguardar pela van que nos buscaria para levar-nos à Roissy-Charles de Gaulle. Agora sim, era hora de dizer: “adieu, ma chère Paris”. Espero que a Gra e eu possamos voltar mais vezes. Espero que meus queridos pais e sogros também façam isso.

——–

Pessoal, levei 4 meses para descrever uma viagem de pouco mais de 2 semanas. É um exagero, mas o tempo era curto e eu não queria poupar esforços em colocar o máximo de detalhe possível na nossa fabulosa experiência. Vocês precisam entender o que isso significa, muito mais para os nossos pais do que para a Gra e eu. Eles nunca tinham ido à Europa. Eles nunca haviam conhecido a Itália, a pátria-mãe de todos nós. Isso foi muito mais do que uma simples viagem de turismo – foi um retorno às origens, a busca da compreensão do que somos hoje.

Não creio que a viagem tenha “resolvido o problema”. Na verdade, acho que só criou mais dúvida e deixou uma saudável PULGUINHA atrás das orelhas dos nossos velhos. Sim, porque eu acredito que eles ficaram com um gostinho de “quero muito mais” nas suas bocas e agora sabem que podem e devem colocar seus esforços em conhecer mais do mundo, abrir seus horizontes, conhecer novas culturas. Foi a primeira de muitas grandes viagens, tenho certeza.

É emocionante terminar aqui uma épica jornada que tomou, literalmente, um ano inteiro para ser construída e descrita, entre o momento da sua concepção, planejamento, realização e relato. Foi fabulosa e espero voltar a fazer posts homéricos como estes em breve, com histórias de nossas viagens, experiências e aventuras. E espero encorajar os leitores a fazer coisas semelhantes. Vale muito a pena e pode custar muito menos do que se imagina.

Agora, minha próxima viagem é muito, muito diferente desta.

É a viagem ao mundo da paternidade.

Continuem visitando meu blog, pois estarei escrevendo sobre esta fantástica jornada. Até mais!

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