Mais um dia de alegria

14 10 2008

Ontem foi feriado no Japão, o que impediu a bolsa de Tóquio de funcionar. Portanto, ainda não havia sentido os efeitos da euforia mundial. Hoje, em compensação, ela resolveu ir à forra e subir 14,2%. As bolsas européias também mostram manter o mesmo pique de ontem e sobem significativamente – em torno de 6%, nas principais praças.

Dow Jones fechou ontem com 11% de aumento enquanto a Bovespa, com 14,66%. O dólar fechou ontem cotado a R$ 2,14.

Hoje, o dólar está sendo negociado, neste momento, a R$ 2,05, nova queda expressiva. A Bovespa ainda não abriu, mas aposto que subirá expressivamente de novo.

A expectativa é sobre novo pacote de ajuda financeira do governo americano, que deve somar algo em torno de US$ 260 bilhões.

Update (12:05): Agora o dólar subiu bastante em relação à abertura – está sendo negociado a R$ 2,10, mas continua abaixo do fechamento de ontem. A bolsa paulista abriu com alta de 6%, mas agora está abaixo de 4%.

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Loucura mercadológica

7 10 2008

Se essa crise é maior do que a gerada em virtude dos atentados de 11/9/2001 ou do que a crise russa e asiática? Sim, sem dúvida, pois ela está sendo gerada na maior economia do mundo. A última vez que isso aconteceu? Deixe-me ver… 1929.

Os efeitos são devastadores. O pânico é o sentimento de ordem na Ásia, Europa e América do Norte, porque seria diferente na América do Sul?

Vamos aos fatos: o dólar americano, em relação ao real brasileiro, está acumulando valorização, só nos últimos 30 dias, de 26,4%, passando de R$ 1,74 no dia 7/9 para R$ 2,20 no dia 6/10. Evidentemente, os últimos 5 dias foram ainda mais determinantes nesta tendência. O gráfico abaixo mostra exatamente o efeito desta variação.

O euro teve desempenho um pouco diferente neste último mês. A primeira metade foi de tentativa de re-valorização frente ao dólar, para novamente despencar de forma acentuada nas últimas semanas. A cotação mais alta, do dia 22/9, foi de US$ 1,48 enquanto que no fechamento de ontem, a moeda da União Européia foi cotada a US$ 1,36 – uma desvalorização de 8,1%. O gráfico abaixo demonstra isso muito bem.

Isso faz com que o real esteja sendo desvalorizado com maior intensidade em relação à moeda norte-americana, mas também com alguma intensidade em relação ao euro. Isso é positivo, considerando a competitividade geral a longo prazo.

Porém, não dá para termos ilusões sobre o desfecho desta história toda. Eu não acredito na manutenção da cotação do real numa taxa extremamente alta, como a obtida no dia de ontem. De alguma forma, o pacote norte-americano de US$ 700 bilhões de ajuda financeira às instituições locais deve refletir positivamente nos ânimos globais. Eu acreditava que os efeitos já seriam sentidos no dia de ontem (6/10), mas enganei-me, e feio.

Ontem a BOVESPA teve queda de 5,43%. Se o percentual é considerado elevado, nas circunstâncias atuais acabou sendo excelente – o pregão teve de ser interrompido por 2 vezes durante o dia e a queda chegou, durante a tarde, a ser de 15%. Ontem, quase todas as principais bolsas européias tiveram quedas superiores a 7%, sendo que Lisboa teve quase 10% e Moscou, 19,9%. Dow Jones foi menos intenso – 3,58% de queda.

Hoje, a maioria das bolsas européias está operando em alta, neste momento, ainda que não tão significativa. As principais asiáticas – Tóquio e Hong Kong – tiveram quedas. Pensava até 2 minutos atrás que hoje seria dia de recuperação aqui no Brasil. Mas o dólar, neste exato momento (9:40) está sendo negociado a R$ 2,26 – 2,7% de valorização em relação ao fechamento de ontem.

Pelo jeito, teremos mais pânico no dia de hoje.