Montanha-russa mercadológica

16 10 2008

Os mercados, a despeito do que aparentava no início da semana, estão longe de chegar em um ponto de equilíbrio. Apesar de que as últimas notícias não tem sido tão catastróficas, qualquer espirro tem sido motivo de pânico generalizado.

No Brasil, as atenções estão para o câmbio, mais do que à bolsa.

Depois de baixar até o nível de R$ 2,07, na semana passada, o dólar voltou a subir e passou dos R$ 2,30. Uma idéia bem clara da loucura que está o mercado cambial, hoje o dólar abriu a R$ 2,25 e fechou a R$ 2,16. 4% de variação, durante o dia.

Eu consegui fechar um câmbio, no final da manhã, a R$ 2,22. Se tivesse fechado de tarde, teria perdido uns 3%. Veja só o tipo de “lucro” que se pode ter nessa variação maluca.

Até quando? Duvido que alguém saiba. Um colega meu disse que leu depoimentos de economistas dizendo que a expectativa do dólar, para o fechamento do ano, é em torno de R$ 1,80 a R$ 1,90. Até pode ser que aconteça isso, mas, estas afirmações estão baseadas em quê? Hoje, o jogo é de pura adivinhação, tenho certeza que não há um critério nem uma certeza do que acontecerá nas próximas semanas.

É acompanhar e ver.

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Loucura mercadológica

7 10 2008

Se essa crise é maior do que a gerada em virtude dos atentados de 11/9/2001 ou do que a crise russa e asiática? Sim, sem dúvida, pois ela está sendo gerada na maior economia do mundo. A última vez que isso aconteceu? Deixe-me ver… 1929.

Os efeitos são devastadores. O pânico é o sentimento de ordem na Ásia, Europa e América do Norte, porque seria diferente na América do Sul?

Vamos aos fatos: o dólar americano, em relação ao real brasileiro, está acumulando valorização, só nos últimos 30 dias, de 26,4%, passando de R$ 1,74 no dia 7/9 para R$ 2,20 no dia 6/10. Evidentemente, os últimos 5 dias foram ainda mais determinantes nesta tendência. O gráfico abaixo mostra exatamente o efeito desta variação.

O euro teve desempenho um pouco diferente neste último mês. A primeira metade foi de tentativa de re-valorização frente ao dólar, para novamente despencar de forma acentuada nas últimas semanas. A cotação mais alta, do dia 22/9, foi de US$ 1,48 enquanto que no fechamento de ontem, a moeda da União Européia foi cotada a US$ 1,36 – uma desvalorização de 8,1%. O gráfico abaixo demonstra isso muito bem.

Isso faz com que o real esteja sendo desvalorizado com maior intensidade em relação à moeda norte-americana, mas também com alguma intensidade em relação ao euro. Isso é positivo, considerando a competitividade geral a longo prazo.

Porém, não dá para termos ilusões sobre o desfecho desta história toda. Eu não acredito na manutenção da cotação do real numa taxa extremamente alta, como a obtida no dia de ontem. De alguma forma, o pacote norte-americano de US$ 700 bilhões de ajuda financeira às instituições locais deve refletir positivamente nos ânimos globais. Eu acreditava que os efeitos já seriam sentidos no dia de ontem (6/10), mas enganei-me, e feio.

Ontem a BOVESPA teve queda de 5,43%. Se o percentual é considerado elevado, nas circunstâncias atuais acabou sendo excelente – o pregão teve de ser interrompido por 2 vezes durante o dia e a queda chegou, durante a tarde, a ser de 15%. Ontem, quase todas as principais bolsas européias tiveram quedas superiores a 7%, sendo que Lisboa teve quase 10% e Moscou, 19,9%. Dow Jones foi menos intenso – 3,58% de queda.

Hoje, a maioria das bolsas européias está operando em alta, neste momento, ainda que não tão significativa. As principais asiáticas – Tóquio e Hong Kong – tiveram quedas. Pensava até 2 minutos atrás que hoje seria dia de recuperação aqui no Brasil. Mas o dólar, neste exato momento (9:40) está sendo negociado a R$ 2,26 – 2,7% de valorização em relação ao fechamento de ontem.

Pelo jeito, teremos mais pânico no dia de hoje.





Está o mundo a acabar?

16 09 2008

Impossível ficar indiferente às notícias que vêm bombardeando o cenário econômico mundial. Ontem a notícia da solicitação de proteção contra falência de um grande banco americano – o Lehman Brothers – somada à venda do Merrill Lynch ao Bank of America, fez as bolsas do mundo inteiro desabarem, tal e qual as tempestades que atormentaram o Rio Grande do Sul na última semana.

O Lehman Brothers é o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos e possuía grande posição em títulos sub-prime, os famosos créditos podres relacionados ao mercado hipotecário americano, que vêm causando grande estrago no país mais rico do mundo. Diziam as fofocas do mercado que esta quebra era esperada, mas o nome do banco “a quebrar” permanecia oculto. Agora, saiu do armário.

Os efeitos foram desastrosos, para dizer o mínimo. O Ibovespa, que já vinha acumulando quedas expressivas nas últimas semanas, despencou nada menos do que 7,59% no fechamento de ontem, a maior queda em um único dia desde 11 de setembro de 2001. O dólar foi menos afetado no dia de ontem, mas hoje já está sendo negociado a R$ 1,84. O Ibovespa está caindo mais 2,21%, agora.

Além dos problemas já relatados, existe o forte indício de que a AIG, uma das maiores seguradoras do mundo está indo pro vinagre também. No caso, eles estão pedindo ajuda financeira, para não quebrar. Este fato também está influenciando fortemente os mercados.

Momentos preocupantes, sem dúvida. O pior é que eu marquei viagem para daqui a duas semanas, espero que as moedas estejam mais “tranquilas” até lá. Seria excelente saber qual será o piso deste movimento de queda, já que seria o momento mais adequado para adquirir ações que, invariavelmente, voltarão a subir mais adiante.





Dólar em louca escalada

11 09 2008

Fazia muito, mas MUITO tempo que eu não via uma desvalorização tão acelerada. Provavelmente, desde 2002, quando o fator LULLA enlouqueceu os mercados, às vésperas das eleições presidenciais brasileiras que colocou o ex-sindicalista no poder. Mas, naquela ocasião, o mercado já estava extremamente turbulento, em especial pelo “recente” mega-atentado ocorrido na CAPITAL DO MUNDO, New York.

Por sinal, fazem FAZ 7 anos hoje.

Sem fugir do assunto, vejam no gráfico abaixo (extraído do site Invertia/Terra), a evolução do dólar americano em relação ao real brasileiro nos últimos 5 dias úteis. Nada menos do que 8,3% de valorização. Neste exato momento, está sendo negociado a R$ 1,82, 14 centavos a mais do que no fechamento da quinta-feira passada.

Motivos? Ninguém sabe ao certo. Certamente não se trata de um movimento específico do Brasil, já que outros emergentes e mesmo países desenvolvidos estão na mesma situação, com suas moedas perdendo valor frente ao dólar. Só posso dizer que este movimento era necessário e está ocorrendo com meses de atraso.