E como fica sem o comandante?

11 03 2013

Terça-feira passada tivemos o anúncio oficial do falecimento de Hugo Chávez Frías, o controverso ditador PRESIDENTE da Venezuela. Ou, como ele mesmo re-denominou, República BOLIVARIANA da Venezuela. Seja lá o que este grifo signifique.

Muita gente, mesmo pessoas que não estavam acompanhando esta situação com tanta atenção, estão dizendo que o Chávez já estava morto antes mesmo de retornar à Venezuela. Se isso é relevante ou não, prefiro nem opinar. Realmente não me importa se foi semana passada ou há dois meses.

Mas se este tipo de questão está sendo levantada, a culpa é do falecido mandatário. Pois foi ele que bagunçou a estrutura institucional de SEU país, a ponto de sentir-se mais seguro tratando sua doença em Cuba do que na sua própria nação. Ele que combateu a imprensa livre tão ferozmente que hoje ninguém confia nas informações oficiais. Fechou o país.

Agora, como em todo caso de falecimento, há uma tendência em se amplificar seus feitos e qualidades. Acontece sempre que alguém morre, nenhuma surpresa nem erro nisso. Porém, há um agravante: já se marcou novas eleições presidenciais para 30 dias. Não me surpreendeu nada o interesse dos chavistas nessa convocação relâmpago: querem justamente aproveitar o endeusamento de Hugo Chávez para rapidamente eleger um sucessor do mesmo partido, ainda que sem reconhecimento popular. A cada dia que o embalsamado corpo da reencarnação de Símon Bolívar esfriar, as chances do Partido Comunista Venezuelano se perpetuar no poder diminuem.

Mesmo que Nicolás Maduro vença (e eu apostaria uma boa grana nisso, se a tivesse), já não haverá a BONACHONA figura para odiar. Mas não nos preocupemos. Há pelo menos uma excelente candidata ao seu posto.

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Oi Cris





Nova polêmica de Chávez

13 08 2009

Estou lendo no G1 mais uma notícia estarrecedora sobre o governo de Hugo Chávez na Venezuela: sua reforma educacional. Nem tudo na proposta é absurdo, mas pouca coisa se salva.

Pelo o que eu pude ver, os aspectos positivos da reforma proposta pelo governo da Venezuela são, basicamente:
– desenvolvimento do pensamento crítico e a capacidade de fazer perguntas: isso é algo que deveria ser feito em todos os sistemas educacionais. No Brasil, os estudantes estão acostumados a responderem perguntas prontas – e que são cada vez mais fáceis, diga-se.
– Responsabilidade Social e solidariedade constituem princípios básicos para a formação de estudantes em todos os níveis: responsabilidade social e solidariedade não tem, necessariamente, a ver com Socialismo. Isso, além da ecologia, tem que estar cada vez mais presentes na vida de todos.
– obrigatoriedade dos meios de comunicação, públicos e privados, em conceder espaço para programas com finalidade educativa

Agora, os pontos negativos, infelizmente, sua maioria:
– Proibição às instituições de ensino da difusão de “doutrinas e ideias contrárias à soberania nacional”: como sempre, o ultra-paranoico Chávez vai podando a população. Mas querer moldar as pessoas desde cedo, é demais. Sem falar na contradição entre esta proposta e aquela que eu citei como positiva, do “desenvolvimento do pensamento crítico”. Quer dizer, ele quer que os estudantes aprendam a questionar, desde que não seja o seu governo e a sua doutrina.
– desenvolvimento de “uma nova cultura política”, fundamentada no crescimento do poder popular: WHAT THE HELL IS THAT??? Visivelmente, Chávez está querendo “criar” militantes, ainda infantis.
– o Estado controlará o ingresso de professores, mesmo no ensino privado. Não vejo lógica nisso, se o Estado já controlará a qualidade do ensino. Para mim, é uma forma de intervenção.
– Para o ensino superior, “algumas carreiras” serão reservadas à “algumas instituições”, por sua “natureza, alcance, impacto social e interesse nacional”. Basicamente, o governo escolherá quem seguirá determinadas carreiras. Isso é DEVERAS GRAVE.

Especialmente enquanto estou lendo o livro 1984, estas “pequenas alterações” propostas me causam muito pavor.

Cada vez mais claro que VENEZUELA IS THE NEW CUBA.





Eixo do Sul

5 08 2008

Os presidentes de Brasil, Argentina e Venezuela tiveram uma reunião, em Buenos Aires, para tratar de fortalecimento regional, blá blá blá. Na verdade, a ida de Chávez a esta reunião não estava prevista pela diplomacia brasileira, mas o presidente venezuelano foi convidado por Cristina Kirchner.

Os jornais argentinos dão como turbulenta a situação atual das relações internacionais entre Brasil e Argentina, especialmente pela postura tomada pelo Brasil na reunião da OMC. O Brasil votou sem discutir o assunto com a Argentina e isso está sendo entendido como traição, em Buenos Aires. Diz-se por lá que o Brasil está se bandeando pros lados dos ricos (EUA e UE). Lulla, por sua vez, fingiu que nada havia e continuou esbanjando sua pose de presidente do universo.

O perigo da iniciativa é uma união demasiado íntima das três potências sulamericanas esquerdistas, que pode enfraquecer demais a direita na região. Isso significa, principalmente, isolamento à Colômbia. Eu não veria problemas em fortalecer laços com um país cujo subsolo valoriza-se exponencialmente, porém, ser amigo de um lunático traz mais problemas do que benefícios. Penso que, pelo bem da democracia, o Brasil deveria posicionar-se contra a política de Hugo Chávez. Mas isso não acontecerá com Lulla no poder.

Dar demasiada trela para Chávez é errado. Entendo que a Argentina o faça, já que o déspota bolivariano tem financiado largamente o país platino. Mas a postura correta seria deixá-lo falando sozinho.