O projeto ABC (parte 2)

28 05 2013

Esta é a sequência do meu artigo anterior, que está sendo escrito baseado em um discurso do presidente argentino Juan Domingo Perón, proferido na Escuela Nacional de Guerra em 1953. Neste discurso, Perón relata à plateia seus esforços na tentativa de realizar uma união entre Argentina, Brasil e Chile (daí o nome ‘ABC’), com o objetivo de proteger estas nações contra eventuais tentativas das grandes potências de tomar para si os recursos naturais abundantes e também para fortalecer as economias destes três países, num primeiro momento e, em seguida, de toda a América do Sul. Recorrendo a referências históricas, especialmente do sonho dos “Libertadores da América” (Simon Bolívar, San Martín, O’Higgins), Perón faz, no meu entender, uma excelente leitura dos riscos e oportunidades existentes no mundo imediatamente após a Segunda Guerra Mundial e lança uma ideia que, se executada adequadamente, poderia ter sido a base de um projeto muito mais ambicioso que o combalido Mercosul.

A partir de agora, uma análise do restante do discurso, quando Perón faz um relato dos problemas que experimentou ao tentar criar entendimento entre os três países e sua leitura das causas do fracasso.

Perón relata que falou com aqueles que seriam presidentes em seus países – Getúlio Vargas, no Brasil e o general Carlos Ibáñez, no Chile. Não menciona quando houve os contatos, mas deve ter sido em 1950 ou 1951, já que Vargas tomou posse em 1951 e Ibáñez, em 1952. Disse que Getúlio Vargas estava totalmente de acordo com a ideia e que a poria em prática tão logo estivesse no governo e que o Gen. Ibáñez tinha igual opinião. Igualmente JDP disse que não se iludia com essas promessas, já que muitas vezes entre o desejo e a execução há uma grande distância e que, no caso específico do Brasil, havia um empecilho adicional – o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) que era um órgão supranacional, não controlado pelo governo. Eu incluiria um outro e mais importante empecilho – as Forças Armadas, mas é claro que o General Perón não faria isso, especialmente na Escola Nacional de Guerra.

Segundo o mandatário argentino, o Itamaraty entendia que o Brasil deveria estar numa posição hegemônica na América do Sul e, nas palavras dele, por parte da Argentina “son Ustedes más grandes, más lindos y mejores que nosotros; no tenemos ningún inconveniente”. Evidentemente são palavras carregadas de sarcasmo.

Vargas teria dito a Perón, já como presidente, que precisava dominar as câmaras legislativas antes de encaminhar este assunto – lhe pediu um pouco mais de tempo – seis meses. Passado o período, a situação estava ainda pior (segundo Vargas, ele estava “num mar de lama”) e Perón conversa com Ibáñez, recém empossado, que lhe diz que está de acordo e que aceita fazer imediatamente a aliança.

Perón escreve uma carta a Vargas e a encaminha através do embaixador brasileiro na Argentina, pedindo autorização para fazer o acordo primeiramente com o Chile, já que o prazo acordado havia expirado e o presidente brasileiro não demonstrava condições de evoluir nesta questão. A resposta recebida não só lhe dava autorização para fechar o acordo com o Chile, como também lhe autorizava a Perón a representar Vargas a fazer o acordo em nome do Brasil.

Neste momento Perón faz um comentário curioso:

“Naturalmente, ya sé ahora muchas cosas que antes no sabía; acepté sólo la autorización, pero no la representación”.

Quais seriam estas “muchas cosas”? E como ele teria sabido disso?

De qualquer forma, Perón foi ao Chile e reuniu-se com Ibáñez que, após algumas ressalvas, aceitou o acordo com a Argentina. Segundo o mandatário argentino, no dia seguinte ao fechamento do acordo, ainda no Chile, chegam notícias do Rio de Janeiro dizendo que o Ministro das Relações Exteriores brasileiro da época – João Neves da Fontoura, ministro de extrema confiança de Getúlio, deu várias declarações contrárias ao Pacto de Santiago (como estava sendo chamado o acordo), dizendo que ia contra os pactos regionais e que era a destruição da “Unidade Panamericana”. Disse que ficou totalmente “sem cara” quando o presidente Ibáñez, ao dar o bom-dia ao presidente argentino, comentou: “Qué me dice de los amigos brasileños”?

Quando Perón voltou a Buenos Aires, encontrou-se com o jornalista Geraldo Rocha, diretor de “O Mundo” e, segundo ele, muito amigo de Vargas. Rocha teria sido enviado por Vargas a Buenos Aires para informar-lhe que as coisas estavam muito complicadas no Brasil, seca no Norte, geadas no Sul, políticos em polvorosa e comunismo em alta. Que ele (Vargas) não pensava assim (da forma como disse o ministro Neves da Fontoura) mas que não podia mandar nele.

De fato, a situação de Vargas era complicadíssima. As coisas estavam tão fora de controle que, um ano depois, depois do atentado da rua Tonelero, em que o principal adversário político de Vargas, Carlos Lacerda, é alvo de uma tentativa de assassinato na frente de sua residência (acabou falecendo um major da aeronáutica, que estava no carro junto de Lacerda e seu filho).  Este fato desencadeia uma forte oposição dos militares ao governo Vargas (a quem foi atribuído o mando do atentado) que culminou no suicídio do presidente brasileiro.

Após este fato, o discurso de Perón encaminha-se para seu final, dizendo que os países têm de preparar-se para os grandes conflitos, não apenas entre dois países, que estava confiante de que a Argentina seguia pelo bom caminho e que acreditava que, em algum momento, isso (o acordo ABC) evoluiria. Inclusive mencionam o Paraguai como um possível próximo entrante e, de acordo com ele, eles poderiam incluir este e outros países sulamericanos no acordo até que não restasse opção ao Brasil senão aderir também.

Vou transcrever integralmente o último parágrafo, que diz muito desta visão muito peculiar do presidente argentino:

“La unión continental a base de Argentina, Brasil y Chile está mucho más próxima de lo que creen muchos argentinos, muchos chilenos y muchos brasileños; en el Brasil hay un sector enorme que trabaja por esto. Lo único que hay que vencer son intereses; pero cuando los intereses de los países entran a actuar, los de los hombres deben ser vencidos por aquéllos, ésa es nuestra mayor esperanza.

Hasta que esto se produzca, señores, no tenemos otro remedio que esperar y trabajar para que esto se realice; y ésa es nuestra acción y ésa es nuestra orientación.

Muchas gracias.”

Não sei se este discurso é sincero, se é demagógico (provavelmente não, já que este tipo de assunto não gera popularidade interna) ou se havia alguma intenção obscura por trás. Mas a verdade é que me surpreendeu muito que a Argentina tivesse esta visão de unificação da América do Sul no pós 2a Guerra Mundial. E, creio que se tivesse sido executada na época, estaríamos numa situação totalmente diferente hoje.

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O projeto ABC (parte 1)

6 05 2013

Gostaria de compartilhar com vocês um assunto que me foi apresentado durante o meu MBA Executivo Internacional, que cursei na UFRGS entre 2011 e 2012. Foi na disciplina do meu caro professor (e agora orientador da minha dissertação de mestrado) Walter Nique, que estava apresentando as origens do Mercosul. Confesso que nos meus 5,5 anos do curso de Comércio Exterior não passamos nem perto deste texto, que muito me estarreceu.

Vamos a ele.

Em 1953, muitos países da América Latina era comandada por ditaduras, militares ou civis. Ou por ex-ditadores. A Argentina estava quase no fim do segundo mandato do General Juan Domingo Perón, possivelmente o mais popular de todos os presidentes daquele país. Tanto que até hoje, uma das vertentes do Partido Justicialista é denominada de “Peronista”. O Brasil era comandado por Getúlio Dorneles Vargas, democraticamente eleito, que viria a suicidar-se no ano seguinte. O Chile era presidido por Carlos Ibáñez Del Campo, militar democraticamente eleito, também.

Perón era um presidente amplamente popular, tendo sido responsável por uma legislação que ampliava direitos dos trabalhadores, embora seu país estivesse passando por dificuldades, algumas delas atribuídas às leis potencialmente “populistas” aprovadas por ele. Muitos argentinos reconheciam uma “semidivindade” na figura do viúvo de Evita.

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O que me deixou impressionado foi o conteúdo desse discurso de Perón. Na minha humilde opinião, é um ponto de vista inovador para os padrões da época e que poderia perfeitamente posicionar o mandatário argentino como um visionário, já que, se a sua ideia tivesse sido bem recebida pelos três países e sido aplicada ainda naquela época, talvez poderíamos ser nações bem-sucedidas hoje. Quero me aprofundar e vou citar alguns trechos do texto aqui. Mas recomendo sua leitura integral.

Perón, em 1953, abriu seu discurso afirmando que o mundo estava SUPERPOVOADO e super industrializado também. É um pouco engraçado, já que em 1953 o mundo deveria estar com aproximadamente 2,5 bilhões de habitantes, muito menos da metade dos atuais 7 bilhões. O Brasil tinha uns 55 milhões (hoje são 200 mi) e a Argentina tinha cerca de 17 milhões e hoje conta com pouco mais de 40 milhões de habitantes. Provavelmente, com esta visão algo malthusiana, ele dificilmente imaginaria que o mundo estava longe de estar superpovoado. E que a industrialização ainda tinha muito campo para crescer, especialmente na Ásia. Mas, com base nessa lógica, ele percebeu que a América do Sul, relativamente menos populosa e com grande oferta de recursos naturais e terras aráveis, poderia ser chave para alimentar (literalmente) este crescimento.

Es indudable que nuestro continente, en especial Sudamérica, es la zona del mundo donde todavía, en razón de su falta de población y de su falta de explotación extractiva, está la mayor reserva de materia prima y alimentos del mundo. Esto nos indicaría que el porvenir es nuestro y que en la futura lucha nosotros marchamos con una extraordinaria ventaja frente a las demás zonas del mundo, que han agotado sus posibilidades de producción alimenticia y de provisión de materias primas, o que son ineptas para la producción de estos dos elementos fundamentales de la vida.

(Ele repete MUITAS vezes a palavra “indudable”, inclusive em temas meio duvidosos. Acho que ouvindo o discurso isso talvez não incomodou tanto, mas ao ler a transcrição, salta aos olhos).

Depois, ele expõe que a falta de alimentos ou matérias-primas poderiam fazer as nações superpovoadas e superindustrializadas e, portanto, detentoras de grande poder, de usá-lo para obterem o que necessitassem, “quitándolos por las buenas o por las malas”, usando as palavras do próprio Perón. Eu não gosto nada de teorias conspiratórias nem de paranoias, mas, nos tempos atuais e principalmente nos futuros, quem pode descartar essas hipóteses?

Em seguida, enumera diversas oportunidades de união continental na América do Sul desde 1810, com San Martín, Bolívar, Congressos do México, admitindo que a Argentina foi uma das principais culpadas pelo fracasso destas tentativas, por uma visão “isolacionista
e egoísta” de seus antecessores. Segundo ele, o Chile foi um dos principais defensores da iniciativa. É importante ressaltar que, num primeiro momento, o discurso de Perón está mais justificado na união dos países pela DEFESA do continente, considerando a visão meio paranoica, meio realista de que somos (América do Sul) vulneráveis.

Los grandes imperios, las grandes naciones, han llegado desde los comienzos de la historia hasta nuestros días, a las grandes conquistas, a base de una unidad económica. Y yo analizo que si nosotros soñamos con la grandeza que tenemos la obligación de soñar para nuestro país, debemos analizar primordialmente ese factor en una etapa del mundo en que la economía pasará a primer plano en todas las luchas del futuro.

La República Argentina sola, no tiene unidad económica; Brasil solo, no tiene tampoco unidad económica; Chile solo, tampoco tiene unidad económica; pero estos tres países unidos conforman quizá en el momento actual la unidad económica más extraordinaria del mundo entero, sobre todo para el futuro, porque toda esa inmensa disponibilidad constituye su reserva. Estos son países reservas del mundo.

Grifei algumas frases do parágrafo acima que dão conta da ideia da união ABC (Argentina, Brasil e Chile) como forma de criar a “unidade econômica mais extraordinária do mundo” entre os “países reservas mundiais”. Há de se lembrar, sempre, que a realidade de 1953 certamente diferia muito da atual, embora o agronegócio e a extração mineral continuam sendo os carros-chefe da economia dos três citados países.

Não disponho atualmente de tempo para aprofundar-me melhor sobre outras fontes de informação que pudessem “casar” melhor este discurso com dados brasileiros e chilenos, além de outros comentários da própria Argentina. Desejo muito fazê-lo logo em breve. Portanto, tomarei aqui somente o conteúdo deste discurso, supondo que algumas de suas afirmações sejam verdadeiras. Faço esse parêntese porque Perón diz, um pouco mais adiante, que esteve, nos seis anos de seu primeiro mandato, preparando o povo para aceitar esta proposta. Diz também que conversou tanto com Vargas como com Ibáñez e ambos receberam muito bem a ideia.

Perón diz não se iludir demasiado com tais manifestações, pois tinha consciência de que o desejo do presidente pode passar bem longe da possibilidade de torná-lo realidade. E que sua concretização passaria pela oposição de setores muito poderosos nos três países. No seu entendimento, essa união teria que emergir do povo, não dos governos. Gostei muito dessa frase, pois ajuda a explicar porque a União Europeia é um sucesso (e é sim um sucesso, mesmo com a atual crise) e porque o Mercosul está definhando.

Nos próximos dias publicarei a continuação dessa análise, especialmente sobre o resto do discurso de Perón, onde ele descreve os fatos seguintes e as tentativas de firmar os acordos com o Chile e o Brasil.





Melhor brasileiro na Liber

16 04 2009

O Grêmio venceu seu jogo de ontem a noite, em Santiago, e assumiu a liderança isolada do grupo 7 da Libertadores 2009, sem possibilidades de ser alcançado pelo segundo colocado mesmo que perca seu último jogo, contra o Boyacá Chicó. De quebra, por enquanto, é o melhor brasileiro na primeira fase da Copa, com uma campanha invicta, tendo empatado 1 jogo e vencido 4, sendo que três deles fora de seus domínios.

O fato mais importante, na minha opinião, é que minha nova camisa deu sorte em sua estreia.

esqueçam minha cagada, ok?

"esqueçam minha cagada, ok?"

O jogo começou com o Grêmio preocupantemente recuado, permitindo o avanço da Universidad de Chile a todo momento, ainda que tropeçando em sua própria incapacidade de gerar jogadas qualificadas. Cuevas levava algum perigo pelo lado esquerdo e a defesa tricolor parecia pregada ao chão, dada a sua dificuldade em antecipar-se e evitar os dribles dos atacantes chilenos.

Aos poucos, o Grêmio foi ganhando algo de autoconfiança e equilibrar um pouco o volume de jogo.

Um lance emblemático aconteceu aos 22 minutos, quando Léo tentou afastar uma bola fácil, mas chutou em cima do atacante de “La U” e a bola voltou violenta em direção ao gol gremista – Victor estava atento. Léo não estava inspirado, havia tomado um cartão amarelo com 1 minuto de jogo, ficando “pendurado” desde então.

Por sorte, o Grêmio aproveitou seu relativo controle do jogo e converteu a sua primeira chance de gol na partida, aos 31 minutos. Falta cobrada por Souza no lado esquerdo da intermediária, bola alçada na área – Jonas dá uma casquinha de costas e a bola explode na trave (parece a sina do camisa 7 tricolor), mas a bola sobra para Léo que capricha no cabeceio e manda para as malhas. 1 x 0.

A partir daí, novo recuo e muito espaço para o time chileno, que pareceu nervoso com o gol tomado. Mesmo assim, não conseguiu criar muito e o placar ficou justo ao final do primeiro tempo.

O segundo tempo começou pior do que o primeiro. Muitos passes errados de ambos os lados. Muitas faltas e cartões amarelos sendo distribuidos aos jogadores defensivos do Grêmio. Victor fez pelo menos duas grandes defesas nos dezenove primeiros minutos da segunda etapa. Mas aos 20′, Souza roubou bola na lateral-esquerda, passou lindamente por um marcador e deu um passe-lançamento fantástico a Maxi López, que posicionou-se de frente ao gol e bateu de direita, deslocando o goleiro e definindo o placar do jogo – 2 x 0.

e deu de chupar o dedo, faz favor

"e deu de chupar o dedo, faz favor"

O Grêmio ainda teve outra chance de marcar o terceiro, em boa jogada de Souza, novamente pela esquerda, que deu ótimo passe para Fábio Santos, dentro da área, cruzar com qualidade para Herrera, que havia entrado no lugar de Jonas, concluir, para defesa do goleiro chileno.

Não foi um jogo primoroso do Grêmio, mas uma partida do time melhor que se impõe sobre o pior, mesmo fora de casa. O sistema defensivo foi o ponto que deixou mais a desejar, especialmente a atuação de Léo, apático. As duas alas estiveram bem ruins. Makelele está péssimo pela direita e Fábio Santos não está bem. Insisto que seria lógico dar uma oportunidade para Jadilson começar o próximo jogo como titular. A contratação de mais um lateral-direito também se faz necessária. Makelele é volante e está rendendo menos do que o normal, como ala. Tcheco ficou no meio-termo, mais negativo do que positivo, infelizmente. Adilson novamente teve boa atuação, apesar de continuar colecionando cartões desnecessários.

Marcelo Rospide tem a seu favor não ter deixado a peteca cair, após a saída de Celso Roth. Porém, insiste em dar chances a Orteman, que, ao meu ver, deveria ser dispensado tão logo seu contrato expire. Me parece mais lógico tentar algum outro jogador nesta função.

Concordo com o André K: não entendi a expulsão de Olivera, da Universidad de Chile.

Apesar de tudo, mesmo com a iminente vitória do Boyacá sobre o Aurora, que deverá acontecer nesta noite, a Universidad acabará se classificando, pois jogará contra o time boliviano a última rodada (mesmo fora de casa) enquanto o Boyacá enfrentará ao Grêmio. Se der a lógica, o time chileno vencerá e irá a 10, contra os 9 do time colombiano, que deverá perder seu confronto com o tricolor.

Evidentemente, isso não passa de uma estimativa e depende também do sucesso do Boyacá hoje. Se ele não vencer o Aurora hoje pode praticamente dar adeus à segunda fase.

Abaixo, a tabela do Grupo 7, sem contar com o jogo entre Boyacá Chicó e Aurora, que será disputado hoje, em Tunja.

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Fotos: Impedimento e Grêmio 1983. Tabela do Terra.





Noite crucial

15 04 2009

O Grêmio vai a campo daqui há uma hora,  no famoso Estádio Nacional em Santiago do Chile, para enfrentar o time da Universidad de Chile (la U para os íntimos). Aparentemente o clima está bom na capital chilena, sem chuva e temperatura em torno de 20 graus. Um clima excelente para o futebol.

Luiz Onofre Meira já disse que o campo é neutro, alegando que a distância entre a torcida e o campo é benéfica à equipe adversária. Tudo o que o futebol não precisa, muito menos o Grêmio, é de dirigentes fanfarrões que fazem comentários idiotas como esse. Sinceramente espero que o grupo não tenha este pensamento internalizado, pois o salto alto é amigo do desastre.

A julgar pelo jogo de estréia  contra a mesma equipe, o Grêmio tem muito mais time e, como cansamos de dizer, aquele jogo deveria ter sido uma goleada a favor do Grêmio, fato negado pelos deuses do ludopédio. Porém, as circunstâncias são outras, o momento do time também. A Universidad tem o fator casa a seu favor, desta vez e tem a chance, caso vença, de se igualar ao Grêmio na liderança do grupo 7 da quinquagésima Copa Libertadores.

O Grêmio terá de jogar com muita inteligência e alguma qualidade para evitar a derrota e, assim, ficar mais tranquilo na liderança do grupo. Como eu já disse várias vezes aqui neste blog, não é absurdo querer que o Grêmio vença inclusive este jogo. Mas o importante é não perder, em primeiro lugar.

É preocupante a ausência de um treinador qualificado no banco do Grêmio. Tomara que esta espera seja abreviada ao máximo e que um bom treinador  desembarque no Aeroporto Salgado Filho sem muita demora.

No momento que eu finalizo este post, o Palmeiras vai empatando em 1 x 1 com o Sport. Resultado terrível para o Palmeiras e bom para o Sport. No entanto, o verdão continua com chances de classificação, porém, mais remotas. Mas ainda tem metade do 2do tempo.





Preferia jogar mal e ganhar

26 02 2009

Sério.





Final da 24 rodada (bonus track: Chile x Brasil)

8 09 2008

Sábado, dia 6/8, houve a finalização da vigésima-quarta rodada do campeonato brasileiro, com a realização de 4 jogos. Vamos aos comentários sobre os mesmos:

– Fluminense 0 x 0 Grêmio: um jogo meio murrinha, com poucas finalizações e chances de gol de cada lado. O time da casa mostrou um pouco mais de entusiasmo na primeira parte do jogo, especialmente na segunda metade do primeiro tempo, quando conseguiu duas chances incríveis para abrir o marcador. Na primeira, um cruzamento da direita com furo de Pereira e Leo travado no chão – Washington dominou, girou e chutou em cima de Victor. No último lance do primeiro tempo, escanteio da esquerda, a defesa afasta, um jogador do Fluminense joga pra dentro da área, novo furo da defesa e Washington tenta tirar de Victor. A bola bate na trave, no goleiro e é afastada pelo zagueiro gremista. O Grêmio teve uma chance importante, quando Souza fez linda jogada individual pela direita, entrando na área a dribles e chutando forte no meio do gol, onde estava o goleiro Diego.

No segundo tempo, o Fluminense teve grande queda de rendimento, provocada pelo mau condicionamento físico, creio eu, e o Grêmio conseguiu “tomar as rédeas” da partida. Isso não significou criar grandes quantidades de chances de gol, mas na segunda etapa o Fluminense não ameaçou o tricolor gaúcho. O Grêmio meteu um pouco de pressão e quase marcou, especialmente numa cobrança de falta de Tcheco espalmada pelo goleiro do Fluminense, mas o rebote foi mal aproveitado. No final do jogo, Washington perdeu a cabeça e empurrou Victor, sendo expulso imediatamente. Mas o Grêmio não teve forças para atacar o Fluminense e o empate persistiu. Um péssimo jogo.

Souza, apesar do lindo lance do primeiro tempo, não teve boa atuação. A posição dele é MEIA-ATACANTE, jogar no ataque ou na ala não dá certo com ele. Tcheco jogou medianamente, gostei mais do Orteman, no segundo tempo. Os dois alas jogaram MUITO MAL, especialmente Paulo Sérgio, que errou TODOS os cruzamentos. Leo vem comprometendo a vários jogos. Estranha e preocupa muito a queda no rendimento deste jogador.

Vejo que o Grêmio joga com muito pouca qualidade especialmente em GRANDE SUPERFÍCIE, como é o caso do Maraca. Num campo mais compacto, o rendimento pode ser melhor, já que a marcação é sob pressão e leva menos tempo para ir da defesa para o ataque. Mas o empate não pode ser desvalorizado inteiramente, já que põe o Grêmio, no final de uma rodada na qual jogou fora de casa, com um ponto a mais de diferença para o segundo colocado, em comparação à rodada anterior. O cenário é bastante positivo, pois o Grêmio jogará sábado com o Goiás, em casa. Uma vitória, combinada com um empate entre Palmeiras e Cruzeiro, poderá aumentar ainda mais a diferença, mesmo que o Botafogo vença e assuma a segunda colocação.

– Internacional 1 x 0 Portuguesa: apenas vi os melhores momentos do jogo, já que ocorreu simultaneamente ao do Grêmio, mas deu pra ver que foi uma partida fria, assim como a noite que congelava Porto Alegre e fez com que menos de 10.000 expectadores encarassem as arquibancadas do Beira-Rio (creio que foi o menor público da dupla, este ano). No primeiro tempo, Clemer bateu roupa feio e quase entregou. Mas foi num cruzamento de Alex que Magrão, mais SOZINHO que ROBINSON CRUSOÉ, cabeceou pras malhas.

não tenho OTITE

"não tenho OTITE"

Na comemoração, o principal lance do jogo: Magrão praticamente esquivou-se dos colegas em campo e foi direto comemorar com BOLÍVAR, no banco, sem sequer olhar para o técnico TITE. Acho que a cabecinha do pastor já era.

No segundo tempo, o Inter teve ainda boas oportunidades de marcar e a Lusa teve poucas. Com isso, persistiu o resultado que o manteve na 11a colocação, empatado em pontos com o Goiás, mas perdendo no saldo. Caso o Inter vença seu próximo compromisso, contra o Botafogo no Engenhão, o Grêmio vença em casa o Goiás e o Sport não vença o Figueirense, em casa, o Inter poderá ultrapassar duas equipes na próxima rodada e aproximar-se verdadeiramente do batalhão de cima, além de fazer um lindo favor para o Flamengo.

– Coritiba 0 x 1 Botafogo: Nei Franco está nas nuvens. Além de manter a excelente campanha do Botafogo, a melhor entre todas as equipes no segundo turno, venceu um adversário direto fora de casa e ultrapassou o Flamengo, assumindo a quarta posição isolada e retomou sua vaga no G4. Agora joga contra o Inter sabendo que, no caso de um empate entre Cruzeiro e Palmeiras, poderá subir para a segunda colocação.

– Náutico 2 x 0 Ipatinga: embora nada imprevisível, o resultado serviu para enviar o Fluminense de volta à zona de rebaixamento, além de subir a linha da mesma – estava em 23 pontos e agora passou a 25. A próxima rodada terá novamente jogos entre equipes que se encontram dentro ou próximas da zona de rebaixamento, o que deverá dar ares de batalha nestes confrontos. Grandes chances de mudanças significativas nos times do G4 NEGATIVO.

De quebra, tivemos ontem o confronto entre Chile e Brasil, no CONVIDATIVO horário das 22 horas, num domingo à noite. De todas as pessoas com quem conversei hoje pela manhã, a maioria não assistiu ao jogo inteiro. A vitória brasileira foi merecida, mas 3×0 foi excessivo pelo futebol apresentado. Meus comentários acerca:

* o campo do Estádio Nacional de Santiago é relativamente pequeno, o que propicia rapidez na ligação entre defesa e ataque. Isso ajudou a dar velocidade à partida, tornando-a interessante.

* o Brasil jogou com marcação forte. Diego bateu como nunca havia feito antes, na vida. Os contraataques canarinhos eram rápidos, aproveitando-se da defesa completamente adiantada dos chilenos. Bielsa provou mesmo porque é conhecido como “loco”.

* o atacante chileno SUAZO errou um gol incrível, no começo do jogo. Dominou e chutou um ABACATE. Era o prenúncio de que a vida não seria vermelha naquela noite.

* o pênalti errado por Ronaldinho não foi tão mal batido. Justiça seja feita. Mas a partida do dentuço foi semelhante às anteriores: cisca-cisca e toquinho pro lado. Possivelmente jogará bem contra a Bolívia (= ÍNDIOS MANCOS) e garantirá titularidade por mais uns 5 jogos.

yo no hice nada, doctor!

"yo no hice nada, doctor!"

* dois lances cruciais da arbitragem de Carlos Torres, ambas desfavoráveis ao Chile: no segundo gol do Brasil, Luís Fabiano claramente domina a bola com seu braço direito, antes de girar e fazer o passe para o lindo arremate de Robinho (que jogou muito bem, ontem, sem firular). Além disso, a expulsão de Valdívia foi um exagero, já que ele não demonstrou maldade no carrinho. Amarelo era suficiente. Embora em termos de futebol o Chile jogou muito pouco, os dois lances poderiam ter modificado significativamente a história do jogo, especialmente considerando-se que o Chile poderia ter tido mais tempo para aproveitar a vantagem numérica.

* o “interessante” é que NINGUÉM, absolutamente NINGUÉM da Globo fez menção ao toque do Luis Fabiano. Simplesmente IGNORARAM o lance. Aliás, toda a imprensa o fez.