Crise: ações inúteis

11 02 2009

Notícias como esta me fazem pensar na inutilidade de determinadas ações e instituições.

A notícia fala que a CUT fez manifestação, bloqueando a rodovia Anchieta, em frente a fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, São Paulo.

Vejam os cartazes dos manifestantes:

Me chamou a atenção deste: “Trabalhadores não podem pagar pela crise”. Ora, porque não? Será que eles realmente acreditam que esta crise é “dos outros” (LULLA, 2008)?

Uma empresa da Romênia resolve comprar toda a sua necessidade de, sei lá, CABIDES de uma empresa brasileira. Isso aumenta as vendas desta empresa, que contrata 50 funcionários, só para atender à demanda maior.

Como é boa a globalização, né?

Aí os bancos americanos fecham, em virtude de maus empréstimos. Outros bancos do resto do mundo possuiam ativos deles, gerando problemas financeiros em efeito dominó.

Como é PERVERSA essa globalização…

Os países não são mais envoltos em redomas como eram há 20, 30 anos atrás. O que afeta um, afeta muitos. Quando atinge diretamente a maior economia do mundo, TODOS sofrem. Aqueles que “torcem contra” os Estados Unidos deveriam pensar nisso.

Os manifestantes do ABC deveriam ter certeza de uma coisa: se fosse possível manter os empregos, vale sempre mais a pena para o empresário mantê-los. Demitir no Brasil custa muito caro, a despeito do que disse o presidente nacional da CUT, Artur Henrique. E recrutar e treinar nova mão-de-obra é ainda mais oneroso, sem dizer que demora muito.

Na empresa onde trabalho, era comum a queixa da gerente de RH sobre a dificuldade de se conseguir mão-de-obra qualificada, em Bento Gonçalves. Os bons trabalhadores estavam todos empregados. Passei 5 anos ouvindo isso. Considerando-se que era muito difícil conseguir mão-de-obra, vocês acham que o poder de negociação estava nas mãos de quem? Dos trabalhadores. Tanto é que foi possível conseguir dissídios de 6 ou 8% em anos que a inflação não passava de 2 ou 3%.

Exigir do governo algum tipo de auxílio? Isso talvez possa ajudar. Como a ampliação do seguro-desemprego para até 7 meses. Programas de treinamento e qualificação da mão-de-obra. Liberação de crédito a custo mais baixo, para movimentar a economia ou mesmo a redução dos juros básicos para patamares mais condizentes com a realidade atual.

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Sexta-feira 10. Mas poderia ser 13

10 10 2008

Após uma quinta-feira de relativa tranquilidade, quando os principais mercados financeiros apresentaram resultados pouco negativos ou até positivos, a sexta-feira foi tumultuada na Ásia e não está sendo diferente na Europa e, agora, nas Américas.

Hoje a bolsa do Japão fechou em queda de 9,6%, somando 24% de perdas só nesta semana. A situação japonesa foi agravada pelo anúncio da falência da seguradora Yamato Life Insurance, de capital fechado.

Neste momento, a Bovespa opera em queda de 5,99%, enquanto o dólar está sendo negociado a R$ 2,29, alta de 4% em relação ao fechamento de ontem (R$ 2,20). O euro está praticamente estável (US$ 1,356) e a libra, em ligeira alta (US$ 1,713). Provavelmente estas moedas estejam próximas do fechamento do dia, assim como as bolsas européias, que apresentam forte queda (Espanha -6,77%, Frankfurt -5,62, Paris -5,51%, Londres -6,89%).

Dow Jones abriu há pouco, a -3,86%.

Mais informações, no PLANTÃO DO CABEÇA, a qualquer momento. :D





Lulla não sabe ser mau

25 09 2008
te pego na saida

"te pego na saída"

O que aconteceu com Lulla sindicalista, aquele sujeito com cara de mau que metia medo em todo mundo? Ok, sabemos que houve o momento LULLINHA PAZ E AMOR, que lhe rendeu duas eleições com votação recorde, mas afinal, o homem realmente se transformou?

Faço essas perguntas porque esta semana o presidente do Equador, Rafael Correa, resolveu seguir o exemplo de seus “faixas”, Evo Morales e Hugo Chávez e embargou obras da empreiteira brasileira Odebrecht, inclusive impedindo 4 executivos brasileiros da companhia de deixarem o país. Dois deles já haviam viajado de volta ao Brasil, mas os outros dois estão abrigados na embaixada brasileira em Quito, alegando falta de segurança (jura?).

O problema está relacionado com a construção da hidrelétrica San Francisco, a segunda maior do país e a primeira totalmente subterrânea. Aparentemente, problemas técnicos estão causando interrupções no funcionamento da usina, afetando o fornecimento de energia do país. O governo do Equador está pedindo o pagamento de indenização pelos transtornos causados e, diante da negativa da empresa brasileira, resolveu ordenar ao exército a ocupação das obras da Odebrecht no país, além do escritório da empresa.

Hoje, em Nova York, ao ser questionado sobre o assunto, Lulla comparou o Equador a um irmão mais novo. E, assim, vai “passando a mão” na cabeça de Rafael Correa, que provavelmente se sentirá bastante à vontade para tomar atitudes mais drásticas e menos democráticas. É difícil entender o que impede o nosso presidente bonachão de fechar a cara e, sem ser necessariamente rude, dizer palavras graves em relação às inaceitáveis atitudes dos vizinhos sulamericanos.

Enfim, mais uma bola fora da diplomacia brasileira. E Lulla entende que as relações internacionais do Brasil estão entre os pontos mais positivos do seu governo. Não sei como.