Mais uma quarta gordacha

16 06 2009

A quarta-feira, 17 de junho de 2009, reserva fortes emoções para os amantes do ludopédio. O “processo” inicia ainda pela manhã, com os jogos do grupo 1 da Copa das Confederações – a Espanha enfrenta o Iraque, às 11h e a anfitriã, África do Sul joga contra a Nova Zelândia, às 15:30h.

Mas o que realmente importa virá à noite.

Às 19:20, o jogo de volta entre Nacional de Montevideo e Palmeiras. O primeiro jogo foi 1×1, no Palestra Itália, que dá a vantagem ao time uruguaio de jogar pelo empate sem gols.

Depois, os dois gigantes gaúchos entrarão em campo, em cidades diferentes, por competições distintas.

O Internacional visitará o Corinthians, no Pacaembu, valendo pelo primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil. O Inter terá 4 desfalques: Kléber e Nilmar, que estão com a seleção, Bolívar, suspenso e D’Alessandro, lesionado. Acredito que os colorados ficarão felizes se sairem de São Paulo “vivos”, mesmo que com uma derrota de 1 gol de diferença, especialmente se o Inter conseguir marcar gols. Já o Corinthians precisa muito vencer por mais de 1 gol de diferença, para poder ter uma vantagem “real” para a decisão em Porto Alegre.

Infelizmente não poderei acompanhar o jogo do Palmeiras nem o do Inter, pois estarei em Porto Alegre para ver, pessoalmente, o segundo jogo entre Grêmio e Caracas, também pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América. O primeiro jogo, na Venezuela, foi 1×1, portanto, o Grêmio tem vantagem. Porém, espero que joguemos pela vitória. Estou confiante, porém, todo cuidado é pouco.

O adversário de Grêmio ou Caracas virá do jogo entre São Paulo e Cruzeiro, que será disputado amanhã, no Morumbi. O primeiro jogo foi 2×1 para o Cruzeiro, que deixou o SPFC vivo para o jogo de volta. Acredito que o tricolor paulista passará, embora não esteja em uma de suas melhores fases técnicas. O time que enfrentará Nacional ou Palmeiras será definido também amanhã, entre Estudiantes de La Plata e Defensor Sporting. O Estudiantes jogará a volta com a vantagem de ter vencido o primeiro jogo, em Montevideo, por 1×0. É uma senhora vantagem.

Portanto, meu acompanhamento será por rádio mesmo. Mas será excelente. Ainda não havia assistido a um jogo da Libertadores este ano e estou muito ansioso por amanhã.





89%

29 04 2009

Ontem o Grêmio goleou o Boyacá Chicó por 3×0 e garantiu seus 16 pontos em 18 disputados, valendo-lhe a melhor campanha da primeira fase da Libertadores. O grupo era fraco e era imperativo impor-se. Não por menos, obteve 5 vitórias em 6 jogos, sendo que naturalmente teriam sido 6 em 6, não fosse o acidente geológico da primeira rodada.

Já tinha dito que, depois do jogo do Aurora, não seria absurdo se o Grêmio vencesse os 3 jogos que faltavam. E foi o que aconteceu. Estou até assustado com a minha previsão acertada.

Por isso, faço outra, o Grêmio sairá campeão desta Libertadores. Apenas para registro.

Não posso falar muito do jogo, pois 2 dos 3 gols aconteceram enquanto eu ainda levantava pesos, reclamando a cada exercício. Mas logo voltei pra casa e consegui assistir ao terceiro gol, pelo menos. Na hora me deu a impressão de impedimento do Léo, mas depois ficou claro que ele estava atrás da bola no momento do cruzamento.

é pilhaaaaaaa! (foto Valdir Friolin/RBS)

"é pilhaaaaaaa!" (foto Valdir Friolin/RBS)

Antes do terceiro gol, eu também pude ver uma linda jogada dentro da área, iniciada por um passe de calcanhar de Máxi Lopez para Souza, que tocou para Jonas, que girou e mandou por cima. Teria sido o mais lindo gol de todos, apesar dos dois tentos do Souza terem sido interessantes, especialmente o primeiro (sem querer, certo).

No primeiro tempo, o Grêmio jogava fácil e entrava como queria na defesa chicoense (ou seja lá como se diz isso). No segundo tempo recuou o time e permitiu ao Boyacá tentar alguma coisa. O lance do pênalti, assim como algumas outras jogadas do time colombiano foram visivelmente facilitadas pela sonolenta defesa tricolor. Eu seria insolente se não admitisse que o jogo estava ganho e o relaxamento era natural. Só espero que isso não ocorra em jogos decisivos.

Nem me importei quando Caneo marcou o gol de pênalti, mas o juiz Jorge Larrionda mandou voltar, por causa da invasão de outro jogador do Boyacá Chicó. Aí Victor fez o certo, foi para o lado onde o jogador chutou da primeira vez – a maioria dos cobradores de pênalti repetem o lado. Bingo!

Continuo não entendendo porque Rospide continua colocando Orteman no segundo tempo. Será que eles querem manter o uruguaio no grupo? Eu realmente espero que não, pois sempre joga mal.

Enfim, vitória e primeiro lugar na classificação geral. Agora é esperar pelo próximo adversário que poderá ser o Defensor Sporting de Montevideo (a pronúncia é deFÊNsor) ou Universidad San Martín de PORRES, do Peru. Por enquanto o time uruguaio é o pior segundo colocado, mas o San Martín jogará amanhã contra o River Plate e, caso perca por 2 gols de diferença, ficará com saldo -1 e, consequentemente, ficará na última colocação entre os classificados.

Nada sei sobre o San Martín, mas classificar-se com uma rodada de antecipação no grupo que tinha Nacional do Uruguai e River Plate não é fácil. Já o Defensor eu pude ver parcialmente dois de seus jogos, contra o SPFC, tive a impressão de um time organizado, mas fraco tecnicamente. No entanto, a forma como se classificou, marcando o gol decisivo aos 46 do segundo tempo, pode ter injetado grande ânimo na torcida violeta.

O segundo colocado do grupo do Grêmio foi a Universidad de Chile, como eu já imaginava. Porém, não da forma como aconteceu. Aparentemente o único time que conseguiu golear o Aurora em Cochabamba foi o Chicó, talvez porque manda seus jogos em altitude semelhante à da cidade boliviana. La U teve as mesmas dificuldades que o Grêmio: saiu ganhando, cedeu o empate e conseguiu a vitória quase terminando o jogo. Caso tivesse permanecido a igualdade, o Boyacá teria se classificado.

Hoje o jogo entre Colo-Colo e Palmeiras é o grande confronto da rodada, pois ambos times estão com chances de classificação. O time chileno joga pelo empate. Já ao Palmeiras, só a vitória interessa. A LDU está eliminada e o Sport já está classificado. O segundo classificado sairá do confronto em Santiago.





Por dentro da decisão

8 12 2008

Saí de minha cidade às 12:30, com o objetivo de ir ao apartamento dos meus irmãos para depois nos deslocarmos até o Olímpico. O trajeto foi tranquilo, sem congestionamentos, mas repleto de automóveis e ônibus cheios de torcedores, exibindo suas bandeiras, bradando seus gritos de apoio.

Só entre Carlos Barbosa e Bento Gonçalves foram 5 ônibus lotados, organizados pelos consulados destas cidades. Sem contar os que se deslocaram por conta própria, como foi o meu caso.

Logo recordei-me da final da libertadores, quando, por chegar muito em cima da hora (“só” uma hora e vinte minutos antes do jogo), não conseguimos um bom lugar nas sociais do Olímpico. Portanto, era necessário chegar lá com mais antecedência, desta vez.

Bom, conseguimos chegar no estádio com duas horas de antecedência. Os lugares centrais das sociais estavam totalmente tomados, mas consegui ficar mais ou menos alinhado com a risca da grande área, no lado em que o Grêmio atacou no primeiro tempo. Consegui também ficar já na sombra (apesar de não ter evitado queimaduras, só por ter caminhado da avenida Florianópolis até o portão 1 no sol!), mas os bancos de concreto ainda ferviam. Dava pra fritar um ovo, sério.

Havia um sentimento de desconfiança sobre a rodada como um todo, resultado da polêmica Tardelli. Também contribuíram a muito questionável mudança do local do jogo Goiás x São Paulo além da inacreditável e inexplicável TOMADA do vestiário principal do Bezerrão pelo tricolor paulista. A sensação era de “que bosta, não dá mesmo pra confiar num campeonato organizado no Brasil”.

Mas, eu já havia dito para muita gente e minha esposa, a Gra, pode confirmar: eu iria para esse jogo independente de chance de título ou não. Queria me despedir do Grêmio 2008, queria estar lá para confraternizar. Por sorte (ou azar), ainda havia uma pequena esperança de conseguir o caneco.

Curiosamente eu jamais havia assistido a uma partida contra o Atlético Mineiro, possivelmente o único grande clube brasileiro que eu não “conhecia” ao vivo.

Chegou a hora do jogo e o Grêmio começou metendo um pouco de pressão. Até comentei com um amigo meu: estou gostando de ver o Marcel, está brigando nas bolas aéreas e ganhando. Fiz muito mal em comentar. Afinal, ele realmente estava guerreando de forma positiva, mas logo desapareceu do jogo. O mesmo aconteceu com Perea, que, no começo do jogo, até ameaçou aprontar pra cima do galo.

Quando aconteceu o gol do São Paulo, marcado por Borges, UM METRO E MEIO impedido, vi uma das cenas mais tristes de toda a minha existência. Ou melhor, ouvi: o muxoxo da DESILUSÃO. O gemido da perda da ESPERANÇA.

Me deu vontade de chorar, juro. Mas não chorei.

Pior é que, na mesma hora, deu o gol do Inter contra o Figueirense. Parece até piada.

O time logo ficou sabendo, dentro de campo, não tinha como evitar. E, quase que imediatamente, piorou terrivelmente. A partir daí, o Galo passou a dominar a partida, tendo inclusive dois gols impedidos (corretamente assinalados). Cheguei a pensar na derrota.

O Grêmio ameaçou reagir, inclusive teve um PETARDO desferido por Souza, depois de boa jogada de Willian Magrão. Mas a posse continuava do Clube Atlético Mineiro, que avançava com perigo pelas laterais, principalmente pela direita, com SHESLON (pior nome de todos os tempos PARA TODO O SEMPRE). No final das contas, a melhor chance do Atlético foi num chute de Castillo, livre, que visou o ângulo esquerdo da meta tricolor, mas foi defendido com BELEZA PLÁSTICA por Victor.

O segundo tempo não começou melhor do que terminou o primeiro, com a posse de bola do Galo. Mas aí, Celso Roth resolveu mexer, tirando Rafael Carioca, que não estava em grande jornada e trocando por Felipe Mattioni. O guri entrou com a mensagem de que, de nada adiantaria torcer por um milagre em Brasília se o tricolor não garantisse os 3 pontos. E o rapaz tocou o terror na defesa atleticana, fazendo excelentes jogadas. Numa delas, cavou o necessário pênalti, convertido com maestria por Tcheco.

A partir daí, as coisas mudaram, a favor do Grêmio. A posse passou a ser tricolor e o Galo praticamente jogou a toalha, naquele momento. A entrada de Soares no lugar de Marcel também ajudou, pois foi da cabeça dele que aconteceu o segundo gol gremista, que consolidou o resultado.

Antes disso, uma jogada incrível: Tcheco passou por dois marcadores AO MESMO TEMPO, deixando-os cair de bunda no chão. Cena fantástica, mesmo.

E, também antes disso, um momento constrangedor: alguns torcedores ouviram o TERCEIRO gol do Figueirense sobre o Inter e se CONFUNDIRAM, acreditando que fosse gol do Goiás. A empolgação destes DESAVISADOS levou o estádio inteiro DE ARRASTO, causando a maior confusão coletiva da história do Olímpico. Logo em seguida, todos nos demos conta da besteira feita.

Evidentemente, a única informação que importava era o gol do Goiás, que nunca aconteceu. Talvez foi a primeira vez em que a torcida não comemorou nenhum dos três gols sofridos pelo Internacional, já que o jogo do “Campeão de Tudo” pouco importava.

O jogo se encaminhava para o final e o Grêmio esbanjava erros de passe no ataque. Poderia ter tido chance de multiplicar o placar, caso tivesse maior interesse. Mas àquela altura, a vitória já lhe bastava. Ainda houve tempo para uma dificílima defesa de Victor, em arremate de Beto. A defesa lhe rendeu um estrondoso coro de VICTOR, VICTOR. Aposto que, desde aquele momento, ele já caiu nas lágrimas.

Antes do apito final, mas já sabedores de que o jogo em Gama – DF havia acabado, TODA  a torcida do Grêmio uniu-se em uma ensurdecedora SALVA DE PALMAS. Foi algo DEVERAS emocionante, que foi confundido por SECADORES como uma comemoração. Não foi. Foi apenas um agradecimento pelo empenho e pela vontade de vencer, que superou a inferioridade técnica. Que garantiu uma diferença de 18 pontos sobre o tradicional rival. Que lhe permitiu sonhar com a conquista do título até a última rodada, apesar da evidente frustração de ter liderado o certame por mais de 20 rodadas.

Enfim, OBRIGADO GRÊMIO e estaremos juntos, em 2009, para a conquista do tri da Libertadores.

Em tempo: um certo aviãozinho resolveu sobrevoar as imediações do estádio Olímpico, ontem, a partir dos 35 minutos do segundo tempo, quando já havia a certeza de que o Goiás não cometeria o crime no Distrito Federal.

Em resposta, tenho outra imagem:

Campeão de tudo MY ASS!





Motoristas embriagados não poderão acionar seguro

1 09 2008

Essa é uma grande notícia que foi divulgada hoje: o STJ decidiu que motoristas embriagados não poderão acionar seus seguros automotivos, mesmo que estejam totalmente em dia. O Superior Tribunal de Justiça teve o entendimento que, ao dirigir embriagado, isso passa a ser um agravante ao risco do seguro, alterando decisão anterior do STJ.

Importante entender que as decisões do STJ tornam-se jurisprudência e, portanto, os próximos casos serão regidos por este dispositivo.

Parabenizo o STJ por ter tomado tal decisão. É mais um passo para acabar com o consumo de bebidas alcoólicas no volante, uma das principais causas de acidentes e mortes no Brasil.





Decisão histórica na Argentina

18 07 2008

Assim como acontece no Brasil, com as famigeradas Medidas Provisórias – amplamente utilizadas por FHC e ainda mais intensamente aplicadas por Lula – na Argentina é possível aplicar medidas imediatas, através de resoluciones assinadas pelo presidente. Foi o que Cristina Kirchner fez em março deste ano, criando as retenciones móviles, que se tratam de impostos sobre as exportações de alguns produtos agrícolas, cujos percentuais variam de acordo com a variação dos preços internacionais – daí o termo móvil.

Retenciones sobre exportações já vinham sendo aplicadas desde o governo de seu marido, Nestor Kirchner, porém em percentuais menores e sem a mobilidade da nova proposta. O setor agropecuário, como um todo, levantou-se contra a medida autoritária, gerando a maior crise política desde a maxidesvalorização de 2001, que permitiu à Argentina alcançar o recorde de 3 presidentes diferentes em 1 semana, após a deposição de Fernando de la Rúa.

Com o paro general proporcionado pelo setor agrícola, bloqueando caminhões com cargas agropecuárias por mais de um mês, o prejuízo causado foi fenomenal, chegando ao extremo insólito de faltar carne em Buenos Aires, num país onde a pecuária é orgulho nacional. A popularidade de Cristina foi ao solo, especialmente por sua postura intransigente e arrogante em relação ao problema – praticamente chamando os grevistas de vagabundos (a/c Kassab).

Porém, como acontece também no Brasil, uma resolución deve ser votada no Congresso e no Senado, para que se torne lei. O partido Justicialista, da presidente da república argentina possui ampla maioria em ambas casas. Porém, como eu já havia informado antes, o cenário começava a mudar, gerando rebeldias dentro do partido. O principal inimigo começou a despontar como sendo o próprio vice-presidente argentino, Julio Cobos (a/c Yeda), que passou a manifestar-se contra o projeto das retenções móveis.

Nem o mais incrível enredo ficcionista poderia prever o sensacional desfecho ocorrido. Após o projeto ter sido aprovado no congresso, uma tensa e longuíssima votação (18 horas) no Senado terminaria empatada em 36 votos para cada lado. Adivinha quem desempatou?