Estável como um redemoinho

13 10 2008

Os mercados financeiros estão exatamente assim: tranquilos como um TSUNAMI. Bastou os governos e bancos centrais europeus se mexerem (matéria em inglês), que as bolsas, que haviam caído vertiginosamente na última semana, começassem a se recompor.

A Inglaterra confirmou um ajuda financeira de 37 bilhões de libras, enquanto que a França ofereceu 360 bilhões de euros e a Alemanha, pode chegar a disponibilizar até 500 bilhões de euros. Além destes gigantes, Itália, Espanha, Portugal, Suécia, Noruega e Holanda já confirmaram ajudas significativas a seus bancos.

Com estas notícias, hoje as bolsas européias subiram, quase todas elas, 10% ou mais, significando a maior alta diária em toda a história. A Bovespa vai tendo alta de 10% também neste dia e o dólar está sendo negociado a R$ 2,16, uma queda de cerca de 7% em relação ao fechamento anterior.

Até o Banco Central Brasileiro já anunciou alteração no sistema de depósitos compulsórios dos bancos, o que poderá devolver à circulação até R$ 100 bilhões.





Loucura mercadológica

7 10 2008

Se essa crise é maior do que a gerada em virtude dos atentados de 11/9/2001 ou do que a crise russa e asiática? Sim, sem dúvida, pois ela está sendo gerada na maior economia do mundo. A última vez que isso aconteceu? Deixe-me ver… 1929.

Os efeitos são devastadores. O pânico é o sentimento de ordem na Ásia, Europa e América do Norte, porque seria diferente na América do Sul?

Vamos aos fatos: o dólar americano, em relação ao real brasileiro, está acumulando valorização, só nos últimos 30 dias, de 26,4%, passando de R$ 1,74 no dia 7/9 para R$ 2,20 no dia 6/10. Evidentemente, os últimos 5 dias foram ainda mais determinantes nesta tendência. O gráfico abaixo mostra exatamente o efeito desta variação.

O euro teve desempenho um pouco diferente neste último mês. A primeira metade foi de tentativa de re-valorização frente ao dólar, para novamente despencar de forma acentuada nas últimas semanas. A cotação mais alta, do dia 22/9, foi de US$ 1,48 enquanto que no fechamento de ontem, a moeda da União Européia foi cotada a US$ 1,36 – uma desvalorização de 8,1%. O gráfico abaixo demonstra isso muito bem.

Isso faz com que o real esteja sendo desvalorizado com maior intensidade em relação à moeda norte-americana, mas também com alguma intensidade em relação ao euro. Isso é positivo, considerando a competitividade geral a longo prazo.

Porém, não dá para termos ilusões sobre o desfecho desta história toda. Eu não acredito na manutenção da cotação do real numa taxa extremamente alta, como a obtida no dia de ontem. De alguma forma, o pacote norte-americano de US$ 700 bilhões de ajuda financeira às instituições locais deve refletir positivamente nos ânimos globais. Eu acreditava que os efeitos já seriam sentidos no dia de ontem (6/10), mas enganei-me, e feio.

Ontem a BOVESPA teve queda de 5,43%. Se o percentual é considerado elevado, nas circunstâncias atuais acabou sendo excelente – o pregão teve de ser interrompido por 2 vezes durante o dia e a queda chegou, durante a tarde, a ser de 15%. Ontem, quase todas as principais bolsas européias tiveram quedas superiores a 7%, sendo que Lisboa teve quase 10% e Moscou, 19,9%. Dow Jones foi menos intenso – 3,58% de queda.

Hoje, a maioria das bolsas européias está operando em alta, neste momento, ainda que não tão significativa. As principais asiáticas – Tóquio e Hong Kong – tiveram quedas. Pensava até 2 minutos atrás que hoje seria dia de recuperação aqui no Brasil. Mas o dólar, neste exato momento (9:40) está sendo negociado a R$ 2,26 – 2,7% de valorização em relação ao fechamento de ontem.

Pelo jeito, teremos mais pânico no dia de hoje.





Dólar bate com força no peito e diz: EPA!

5 09 2008

Ou, em outras palavras, dólar volta a valorizar-se diante das moedas mais importantes do mundo (ah e do Real também). Aparentemente, isso tem a ver com a instabilidade das bolsas no mundo todo, associada com informações negativas sobre as economias americana e européias.

A verdade é que temos dois indicadores que estão movendo-se de forma favorável à economia: o petróleo, que reduziu bastante em relação aos patamares recordes que vinha sendo negociado – voltou à casa dos US$ 100 ao barril – e o dólar, que volta a valorizar-se em relação ao real e também ao euro.

Segue gráfico com a evolução do dólar nesta semana:

Só nesta última semana, o dólar passou de R$ 1,63 em 29/8 para R$ 1,72 neste momento, representando 5,5% de valorização – expressivo, por se tratar de uma única semana. No mesmo período, o euro passou de US$ 1,47 para US$ 1,42, desvalorização de 3,4%. Se tomarmos como referência os últimos 30 dias, o euro teve desvalorização de 7,1%, enquanto que o real, 8,8%.

Resta saber se é uma tendência ou somente um momento de instabilidade passageiro. Essa retomada da valorização do dólar era necessária para reequilibrar o poder de compra das moedas e aumentar a competitividade do Brasil perante o resto do mundo.





Real valorizou-se 124% durante o governo Lula

28 07 2008

Segundo estudo feito pela Economática, o Real foi a moeda que mais se valorizou desde 31/12/2002, em estudo feito com outras 7 moedas. Se considerado apenas o ano de 2008, a “liderança” está com a Colômbia, com 13,6%.

Na minha opinião, em 2002 houve uma grande desvalorização do Real, causada pelo efeito “Eleição do Lula”, que, durante o ano seguinte, foi dissipada, causando grande valorização da moeda brasileira. O problema foi que a trajetória de queda manteve-se firme por todos os anos seguintes, incluindo 2008. Portanto, é provável que, mesmo que não tivéssemos tido a grande desvalorização em 2002, mesmo assim o Real seria a moeda mais valorizada no período.

Segundo a mesma pesquisa, o Peso Colombiano valorizou-se 61,6% de 2002 a 2008, em segundo lugar. Ou seja, é menos da metade da valorização do Real. O Euro valorizou-se 50%, no período.