A fonte da riqueza

24 03 2013

Estou de volta das minhas curtas mas muito proveitosas férias. Foi nossa primeira viagem “de avião” com o Gui, mas infelizmente não é nada que merecesse um ou mais posts, como em outras viagens que já fizemos e relatei bem neste espaço.

Quero comentar um texto do Juremir Machado, colunista do Correio do Povo, abertamente esquerdista. Não pretendo criticar o teor do texto em si, já que seria injusto, uma vez que eu não me considero de esquerda e isso acabaria sendo uma briga de gato e rato. Mas, a bem da verdade, eu acho que ele acerta em explicar a alta popularidade da presidenta Dilma, comparando-a com FHC e o próprio Lula, nos seus primeiros dois anos de mandato. Não sei se alguém em sã consciência negaria que aumentou a distribuição da renda e que a classe média cresceu e se fortaleceu durante o período do governo do PT. E compara corretamente com a situação da Venezuela, que usou de artifícios semelhantes durante o reinado de Chávez e agora colhe popularidade infinita, que deverá eleger facilmente Maduro como seu sucessor, dentro de alguns dias. Juremir parece criticar, em seu texto, aqueles que tentam enxergar pontos falhos nesta estratégia, taxando-os de quererem o “ideal”, não o “real”. Essa é a minha deixa.

Parece que todos se esquecem que todo dinheiro, sem exceção alguma, vem de algum lugar. No caso da Venezuela, vem da imensa reserva de petróleo, que ampliou sua valorização enormemente durante o mandato de Chávez, gerando igualmente imensas reservas financeiras para o país. O petróleo é finito, todos sabemos, mas a Venezuela garante que tem reservas para muitas décadas ainda, mesmo considerando a rápida expansão do consumo. E, embora todas as commodities possam ter reduções em suas cotações, parece pouco provável que isso aconteça com o petróleo. Ou seja, é garantia de muita grana para o país caribenho, que pode continuar sendo distribuída aos mais necessitados sem alterar a matriz produtiva do país. Pode inclusive tornar o país o caso comunista de maior sucesso desde a União Soviética.

No caso do Brasil, também está relacionado ao preço das commodities, mas dos produtos agrícolas e dos minérios. Os gordos superávites na balança comercial em vários anos consecutivos deu ao país margem para várias experiências populistas, algumas pragmáticas, como as diversas BOLSAS e outras ufanistas, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas com dois anos de diferença entre ambos eventos. A gastança é gigantesca e parece estar cada vez maior. Além disso, o Brasil está aumentando muito o controle e o intervencionismo sobre a economia, fatores que sempre aumentam a desconfiança dos investidores e, por conseguinte, reduzem o investimento privado. Mas essas ações, segundo Juremir, devem ser boas, pois a presidenta é super popular e é o povo que sabe mais, pois julga pelo real.

Pela lógica do Juremir, o futuro não é importante, o importante é o agora, a necessidade imediata. Pragmatismo. É óbvio que o imediato é importante para quem nada ou muito pouco tem. Mas, como bem diz a velha parábola “melhor que dar o peixe é ensinar a pescar”, temos que pensar no futuro, pois essas condições favoráveis podem ir embora amanhã. Educação e competitividade. O que está acontecendo?

Enfim, acho que mesmo os jornalistas de esquerda precisam aprender a enxergar mais de longe. E entender que o comodismo pode ser o começo do fim. Criticar não é necessariamente descartar o que houve de bom, mas ajustar para ficar ainda melhor.





E como fica sem o comandante?

11 03 2013

Terça-feira passada tivemos o anúncio oficial do falecimento de Hugo Chávez Frías, o controverso ditador PRESIDENTE da Venezuela. Ou, como ele mesmo re-denominou, República BOLIVARIANA da Venezuela. Seja lá o que este grifo signifique.

Muita gente, mesmo pessoas que não estavam acompanhando esta situação com tanta atenção, estão dizendo que o Chávez já estava morto antes mesmo de retornar à Venezuela. Se isso é relevante ou não, prefiro nem opinar. Realmente não me importa se foi semana passada ou há dois meses.

Mas se este tipo de questão está sendo levantada, a culpa é do falecido mandatário. Pois foi ele que bagunçou a estrutura institucional de SEU país, a ponto de sentir-se mais seguro tratando sua doença em Cuba do que na sua própria nação. Ele que combateu a imprensa livre tão ferozmente que hoje ninguém confia nas informações oficiais. Fechou o país.

Agora, como em todo caso de falecimento, há uma tendência em se amplificar seus feitos e qualidades. Acontece sempre que alguém morre, nenhuma surpresa nem erro nisso. Porém, há um agravante: já se marcou novas eleições presidenciais para 30 dias. Não me surpreendeu nada o interesse dos chavistas nessa convocação relâmpago: querem justamente aproveitar o endeusamento de Hugo Chávez para rapidamente eleger um sucessor do mesmo partido, ainda que sem reconhecimento popular. A cada dia que o embalsamado corpo da reencarnação de Símon Bolívar esfriar, as chances do Partido Comunista Venezuelano se perpetuar no poder diminuem.

Mesmo que Nicolás Maduro vença (e eu apostaria uma boa grana nisso, se a tivesse), já não haverá a BONACHONA figura para odiar. Mas não nos preocupemos. Há pelo menos uma excelente candidata ao seu posto.

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Oi Cris





Para onde estamos indo?

3 03 2013

Como faz muito tempo que não escrevo nada decente, há muito para fazer. Por isso, vou começar demonstrando um pouco da minha preocupação com os rumos que o nosso país está tomando, ou aparenta tomar.

Sem querer parecer um daqueles pessimistas incorrigíveis, especialmente pelo fato de que o país está sendo governado por partidos com os quais não compartilho preferência (e nunca escondi isso de ninguém), vou começar este post usando o velho clichê de que coisas boas e ruins foram feitas por este governo. Mas não temo represálias em dizer que são mais coisas ruins que boas. E, pior, se tudo continuar como está atualmente, no primeiro momento em que os ventos mudarem e a tempestade se avizinhar, estaremos em maus lençois.

O problema é que, como já acontece há muito tempo, os grandes problemas estruturais não são tocados pelo governo. Reforma previdenciária, para quê? Redução da carga tributária? Não faça-me rir! Trabalhar para aumentar REALMENTE a competitividade da nação? Não vejo muito nesta direção.

Lembro-me que a presidenta Dilma Rousseff, em pronunciamento em rede aberta de televisão, por conta do feriado da independência do Brasil, ano passado, disse que o termo COMPETITIVIDADE passaria a ser um objetivo deste governo. Naquele momento, fiquei muito satisfeito, pois eu compartilhava desta ideia. O Brasil precisa ser competitivo para conseguir realmente prosperar a longo prazo. Logo em seguida, ela anuncia uma redução no preço da tarifa da energia elétrica, em nível nacional.

Uma presidenta da República anunciando redução de tarifa de eletricidade? Pensei: isso não está certo! Pior ainda foi quando eu descobri, nos dias seguintes, que esta redução nem havia sido negociada com as partes envolvidas. Um triste e lamentável canetaço, como tantos outros que já haviam acontecido antes ou seriam ainda realizados.

É este o meu principal ponto: o governo atual está muito dedicado a fazer pequenos arranjos de forma muito pontual, para setores específicos. Simplificando, eles estão aumentando ou tentando aumentar o controle sobre toda a economia, mexendo os pauzinhos de acordo às suas conveniências. Essa forma de agir lembra um pouco os governos planificados da União Soviética, antigamente, ou da China, atualmente. E lembra a forma de atuar da Venezuela e da Argentina, que dispensam comentários.

Para mim, o discurso não está consonante com a prática executada pelo governo do Brasil. Um outro e importante exemplo é a falência das negociações bi-laterais e multi-laterais do Brasil e do Mercosul com outros países e blocos econômicos. A verdade é que o Brasil e o Mercosul avançaram de forma extremamente tímida nas suas negociações de livre comércio, de um modo geral. Durante o governo Lula, praticamente só houve a inclusão de um acordo entre o Mercosul e Israel, que é relativamente abrangente mas é com um país pequeno. E houve um acordo com a Índia, que incluiu muitos poucos produtos e é pouco representativo. Fora estes dois, que já entraram em vigor, somente os países do sul da África, a Palestina (?) e o Egito têm acordos firmados, porém que ainda não vigoram com o Mercosul.

Fora isso, segundo o site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a única negociação em andamento é com a União Europeia, mas está travada por causa da Argentina e suas infames DJAIs (isso merece um post específico). É pouco, muito pouco para um país que deseja ser um dos líderes mundiais neste século.

O Brasil precisa de mais abertura e menos proteção para conseguir ser mais competitivo. O atual governo está fazendo exatamente o contrário. E é por isso que eu tanto temo pelo futuro, pois não me parece que estamos indo para a melhor direção.