Para onde estamos indo?

3 03 2013

Como faz muito tempo que não escrevo nada decente, há muito para fazer. Por isso, vou começar demonstrando um pouco da minha preocupação com os rumos que o nosso país está tomando, ou aparenta tomar.

Sem querer parecer um daqueles pessimistas incorrigíveis, especialmente pelo fato de que o país está sendo governado por partidos com os quais não compartilho preferência (e nunca escondi isso de ninguém), vou começar este post usando o velho clichê de que coisas boas e ruins foram feitas por este governo. Mas não temo represálias em dizer que são mais coisas ruins que boas. E, pior, se tudo continuar como está atualmente, no primeiro momento em que os ventos mudarem e a tempestade se avizinhar, estaremos em maus lençois.

O problema é que, como já acontece há muito tempo, os grandes problemas estruturais não são tocados pelo governo. Reforma previdenciária, para quê? Redução da carga tributária? Não faça-me rir! Trabalhar para aumentar REALMENTE a competitividade da nação? Não vejo muito nesta direção.

Lembro-me que a presidenta Dilma Rousseff, em pronunciamento em rede aberta de televisão, por conta do feriado da independência do Brasil, ano passado, disse que o termo COMPETITIVIDADE passaria a ser um objetivo deste governo. Naquele momento, fiquei muito satisfeito, pois eu compartilhava desta ideia. O Brasil precisa ser competitivo para conseguir realmente prosperar a longo prazo. Logo em seguida, ela anuncia uma redução no preço da tarifa da energia elétrica, em nível nacional.

Uma presidenta da República anunciando redução de tarifa de eletricidade? Pensei: isso não está certo! Pior ainda foi quando eu descobri, nos dias seguintes, que esta redução nem havia sido negociada com as partes envolvidas. Um triste e lamentável canetaço, como tantos outros que já haviam acontecido antes ou seriam ainda realizados.

É este o meu principal ponto: o governo atual está muito dedicado a fazer pequenos arranjos de forma muito pontual, para setores específicos. Simplificando, eles estão aumentando ou tentando aumentar o controle sobre toda a economia, mexendo os pauzinhos de acordo às suas conveniências. Essa forma de agir lembra um pouco os governos planificados da União Soviética, antigamente, ou da China, atualmente. E lembra a forma de atuar da Venezuela e da Argentina, que dispensam comentários.

Para mim, o discurso não está consonante com a prática executada pelo governo do Brasil. Um outro e importante exemplo é a falência das negociações bi-laterais e multi-laterais do Brasil e do Mercosul com outros países e blocos econômicos. A verdade é que o Brasil e o Mercosul avançaram de forma extremamente tímida nas suas negociações de livre comércio, de um modo geral. Durante o governo Lula, praticamente só houve a inclusão de um acordo entre o Mercosul e Israel, que é relativamente abrangente mas é com um país pequeno. E houve um acordo com a Índia, que incluiu muitos poucos produtos e é pouco representativo. Fora estes dois, que já entraram em vigor, somente os países do sul da África, a Palestina (?) e o Egito têm acordos firmados, porém que ainda não vigoram com o Mercosul.

Fora isso, segundo o site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a única negociação em andamento é com a União Europeia, mas está travada por causa da Argentina e suas infames DJAIs (isso merece um post específico). É pouco, muito pouco para um país que deseja ser um dos líderes mundiais neste século.

O Brasil precisa de mais abertura e menos proteção para conseguir ser mais competitivo. O atual governo está fazendo exatamente o contrário. E é por isso que eu tanto temo pelo futuro, pois não me parece que estamos indo para a melhor direção.

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