Análise da discografia do Ramones (parte 3)

17 03 2010

Faz muito, MUITO tempo que eu escrevi a segunda parte. Já é mais do que hora de continuar. Peço desculpas pelo atraso na continuação, mas não deixarei de fazer a análise usando os mesmos critérios, totalmente subjetivos.

“C’mon, let’s rock ‘n roll with the Ramones”

Too Tough To Die (1984)

Complicado falar sobre esse disco. Muitos o detonam, indicando uma mudança muito grande no estilo musical da banda, incorporando excessivos elementos eletrônicos. Outros acreditam que a musicalidade é boa. Eu, pessoalmente, gosto desse álbum, pois tem mais coisas boas do que ruins. Mas os pontos negativos existem, não há como negar. Na análise individual das músicas, serei mais específico. Mesmo assim, classifico o disco como bom.

É o primeiro disco com Richie nas baquetas.

– lançamento: Outubro de 1984
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Richie (bateria)
– faixas:
1. Mama’s Boy: Um som cru, meio raivoso, bacana para os padrões punk. Ótima.
2. I’m Not Afraid of Life: Nunca fui muito com a cara desse som. Me parece meio repetitivo, algo depressivo, mas tem suas virtudes. Boa.
3. Too Tough To Die: Faixa título, certamente foi desenhada para ser a principal do disco. E é. É um som muito legal, punk, bem trabalhado, com dois momentos marcantes no refrão. Adoro muito. EXCELENTE.
4. Durango 95: Instrumental, resume em 55 segundos o que é o Ramones. EXCELENTE.
5. Wart Hog: Das 5 primeiras músicas, somente “I’m not afraid of life” não estava no legendário LOCO LIVE. Isso significa que essa pérola cantada por Dee Dee estava lá. Punk violento, muito bacana. Ótima.
6. Danger Zone: Essa faixa é bem interessante, punk cru, animado, com direito a um corinho no refrão. Ótima.
7. Chasing the Night: Esse som não tem muito a ver com o resto do disco. Aquele tecladinho no fundo e o refrão excessivamente melódico enchem muito o saco depois de um tempo. Mesmo assim, a música é bacana. Boa.
8. Howling at The Moon (Sha-la-la): O simples fato do título da música incluir SHA-LA-LA entre parênteses já deixa o vivente com uma ideia: WHAT THE FUCK? Aí todo o teclado absurdo te deixa ainda mais intrigado. Esse som é uma aberração, jamais poderia ter sido executado pelo Ramones. Péssimo.
9. Daytime Dilemma (Dangers of Love): Os detalhes eletrônicos continuam, mas de forma mais suave aqui. Esse som já tem muito do que seria o estilo ramonístico mais contundente no início dos anos 90. Esse som me agradou muitíssimo. Ótima.
10. Planet Earth 1988: Não sei o que o Dee Dee pensou ao escrever um som usando data de 4 anos para a frente. Tipo, se tu vai escrever sobre o futuro do planeta daqui a 20, 30 anos é uma coisa. Mas daqui a 4? O que vai mudar? Além disso o som é meio pobre, não curti muito. Mais ou menos.
11. Humankind: É algo interessante, rápida, dá o recado sem frescuras. É quase algo do tipo “desculpem por ter feito a Howling At the Moon, espero que vocês nos perdoem”. Sem problemas, Dee Dee, a gente perdoa. Boa.
12. Endless Vacation: Esse som é difícil de esquecer. Além de ser praticamente impossível de cantar. O Dee Dee simplesmente COSPE as palavras. Genial. Boa.
13. No Go: Tri massa, é quase algo como um som estilo anos 60, mas PUNQUIZADO. Boa.

Animal Boy (1986)

Talvez nem todos concordarão comigo, mas pra mim, Animal Boy representou o ponto mais baixo possível da criatividade dos Ramones. Menos criativo do que um disco cover, inclusive. É algo odioso, em comparação ao resto do acervo da banda. Mas, enfim, eles tentaram ao menos.

– lançamento: Maio de 1986
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Richie (bateria)
– faixas:
1. Somebody’s Put Something in My Drink: Uma das melhores, com direito a riffs e uma bateria bem marcada. Mas a versão ao vivo (Loco Live) é melhor. Ótima.
2. Animal Boy: Não, não rolou. Era pra ser algo agressivo, diferente. Mas ficou apenas meio grosseiro. Mais ou menos.
3. Love Kills: Mais uma tentativa de Dee Dee nos vocais, mas não muito eficiente. Boa.
4. Apeman Hop: Cara, o que é isso? Ruim.
5. She Belongs to Me: Essa balada simplesmente não faz o menor sentido. Até porque o disco é basicamente agressivo, e aí eles colocam um som que poderia ser, sei lá, do BON JOVI. Reconheço que é uma boa balada, no entanto. Boa.
6. Crummy Stuff: A letra é meio idiota, mas o som é legal. Boa.
7. My Brain is Hanging Upside Down (Bonzo Goes To Bitburg): a melhor do disco, embora com excesso de tecladinhos. Mas o som é bastante valoroso (ainda que a do Loco Live, novamente, é melhor). Mesmo assim, pelo o que ela representa, conteúdo político e afins, dou um EXCELENTE pra ela.
8. Mental Hell: Boa tentativa. Falha, porém. Mais ou menos.
9. Eat That Rat: O Joey deveria ter se imposto mais na banda e não deixar o Dee Dee cantar qualquer bosta. Nessa faixa, visivelmente o baixista tinha COMIDO UM RATO. Péssima.
10. Freak of Nature: Esforçada, mas, como quase todo o disco, sem inspiração. Razoável.
11. Hair Of The Dog: Praticamente uma ilha de qualidade num mar de pobreza. Além do nome genialmente sem sentido, a música é muito bem feita. Ótima.
12. Something To Believe In: Com tecladitos eletroniquinhos e afins, uma musiquinha cumpridora, mas com muito pouco a ver com o Ramones. Boa.

Halfway to Sanity (1987)

A má fase continua, infelizmente. Com alguma evolução, é verdade, mas ainda algo pobre em comparação ao que já havia sido feito pela banda. Comparando com o paupérrimo disco anterior, parece grande coisa, mas a gente sabe que o quarteto poderia fazer muito mais do que isso. Mas eu gosto desse disco, não vou crucificar ninguém. Gosto muito, na real.

– lançamento: Setembro de 1987
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Richie (bateria)
– faixas:
1. I Wanna Live: Grande som, bem trabalhado, produzido e executado. Um som marcante do Ramones. EXCELENTE.
2. Bop ‘Til You Drop: Simples mas eficiente. Difícil não gostar. Boa.
3. Garden of Serenity: Tem início de música épica, mas o conteúdo não acompanha. Tem coisas melhores. Razoável.
4. Weasel Face: Sem sentido e sem qualidade. Ruim.
5. Go Lil’ Camaro Go: WAT? O começo é esquisitíssimo, mas o som é muito bom. Tem inclusive backing da Debbie Harry, do Blondie. Ótima.
6. I Know Better Now: De novo se vê um estilo que seria consagrado mais para a frente. Não é genial, mas é boa.
7. Death of Me: Hey, ainda não é BRAIN DRAIN! Se esse som estivesse naquele disco faria todo o sentido. Letra simples, música mais complexa e boa. Na verdade, ótima.
8. I Lost My Mind: Lá vem o Dee Dee se metendo nos vocais. Não chega a ser ruim. O som é bem violento, meio desesperado até. Mas eu ponho um razoável.
9. A Real Cool Time: Não sei porque, mas eu acho essa uma das melhores músicas do Ramones. Eu adorei esse som desde a primeira vez que o ouvi. Portanto, nada mais justo que dar um EXCELENTE.
10. I’m Not Jesus: Uma batida praticamente Thrash (batubatu). Boa.
11. Bye Bye Baby: Uma baladaça poderosíssima. Rola até um FACE TO FACE com a guria, se tocasse numa festa. EXCELENTE.
12. Worm Man: Som curto, mal trabalhado, inexplicável. Verdadeiramente ruim.

Como eu já adiantei, a próxima e decisiva fase se iniciou dois anos depois do lançamento deste disco. E significou o retorno da banda a um patamar superior de qualidade, que havia sido abandonado no final dos anos 70. BRAIN DRAIN e o emplacamento de um mega-hit (Pet Sematary), talvez pela primeira vez na história da banda, fez grande diferença pra moral e pra continuidade dos Ramones. Pra nossa alegria.

STAY TUNED FOR MORE ROCK AND ROLL. ;)

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Análise da discografia do Ramones (parte 2)

6 07 2009

End of the Century (1980)

Um marco, de um novo estilo, de um novo Ramones. Se é melhor ou não, é irrelevante. É novo, apenas.

PÉSSIMA capa. Absolutamente brega.

PÉSSIMA capa. Absolutamente brega.

Esse disco foi produzido por Phil Spector, conhecidíssimo e badaladíssimo produtor, conhecido inclusive por ter lançado Let it Be, dos Beatles, entre outros. O forte de Spector era o pop. Evidentemente, esta foi a roupagem sugerida para o novo trabalho dos Ramones, muito pouco a ver com o ainda cru (e não menos EXCELENTE) Road to Ruin, seu antecessor. Imagino que, na época, muitos fãs de Ramones devem ter ficado um pouco decepcionados com este álbum, pois a mudança exagerada na musicalidade deve ter sido chocante para os aficcionados. Porém, o disco tem muito valor, com várias faixas de excelente qualidade.

Não consigo julgar negativamente a tentativa dos Ramones de buscar espaço maior junto às rádios e, por que não dizer, vender mais e faturar mais. E no final das contas, o álbum ficou ótimo com a melhoria dos arranjos e complexidade das músicas. Eu, pelo menos, gostei muito deste esforço em fazer algo melhor para nós. Mais adiante eles veriam que seria possível fazer algo MUITO MELHOR simplificando as coisas.

– lançamento: 4 de Fevereiro de 1980 (10 dias depois do meu nascimento)
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Marky (bateria)
– faixas:
1. Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio?: foi feita para ser um sucesso. E foi. O som é orquestrado, algo ULTRA INÉDITO na história da banda, além de ter vários detalhes interessantes, como o início com som radiofônico. EXCELENTE (apesar disso, digam o que quiserem, mas eu prefiro a versão do “Loco Live”).
2. I’m Affected: tenho a sensação que este é um daqueles sons que eram para ser mais do que foram de fato. Pode ser LOUCURA da minha TÊTE, mas eu noto uma semelhança incrível nos arranjos desta música com os da primeira faixa de Road to Ruin, “I Just Want to Have Something to Do”. Mesmo assim, é uma faixa de grande qualidade. Ótima.
3. Danny Says: nada a ver com o Ramones clássico. É uma baladinha. E daí? Eu gosto particularmente da progressividade da guitarra e de todos os instrumentos do início ao meio da faixa, fica, sei lá, emocionante. EXCELENTE.
4. Chinese Rock: eu tendo a gostar sempre mais das músicas que foram escolhidas para “Loco Live”. Mas este som é muito massa, punk, mas evoluído, com até uns solinhos de guitarra (vê se pode!). Uma das melhores coisas que este álbum nos trouxe. EXCELENTE.
5. The Return of Jackie and Judy: é, literalmente, uma continuação da faixa “Judy is a Punk”, do álbum de estreia, “Ramones”. Deveriam ter feito no mesmo estilo da primeira, inclusive com a gravação estilo “antigo”. Boa.
6. Let’s Go: eu podia viver sem ela. Mais ou menos.
7. Baby I Love You: uma música assinada pelo produtor, Phil Spector. É uma balada romântica. Porque punks também dançam de rostinho colado. Não vou dizer que é a melhor faixa do disco, mas aprecio o fundo orquestrado e os solos de VIOLINO desta faixa. EXCELENTE.
8. I Can’t Make It On Time: ok, vamos voltar ao punk. Mas em doses homeopáticas. Ótima.
9. This Ain’t Havana: Ba-ba-banana. Este é um som ba-ba-bacana. Ótima. (podem me matar agora)
10. Rock ‘n’ Roll High School: outro clássico locolaivano. Simples, uma música que mantém a base punk da banda, retornando aos anos 60 e dando um clima “escolar”. Tenho certeza que este som foi FEITO para ser um HIT. E deve ter conseguido. Com toda a razão, pois é EXCELENTE e é a melhor faixa do disco (será que as explosões no final são BOMBAS na escola?).
11. All The Way: muito muito boa. Ótima, na verdade.
12. High Risk Insurance: o refrão desta faixa destoa do resto do som. Mas isso não é ruim. Ótima.

Pleasant Dreams (1981)

Os Ramones não poderiam perder o ritmo de um disco por ano. Porém eles demoraram o ABSURDO (irony mode on) de UM ANO E MEIO para lançar o trabalho seguinte a “End of the Century”. E eles não contavam mais com Phil Spector, sei lá por que. Mas o resultado não foi NADA ruim. Pelo contrário, conseguiram fazer um disco impecável, talvez o melhor de todos os discos do Ramones. Mantiveram a complexidade, mas eliminaram os arranjos orquestrados e bobajeiras deste tipo. Quer dizer, voltaram a ser um pouco mais Ramones.

– lançamento: Julho de 1981
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Marky (bateria)
– faixas:
1. We Want the Airwaves: seria um protesto pela falta de espaço nas rádios americanas? O fato que este som é muito bem elaborado, forte, incisivo. Se eu fosse um alto executivo do setor, provavelmente seria induzido a liberar, sei lá, 50 INSERÇÕES por dia só desta faixa, na minha rádio. EXCELENTE.
2. All’s Quiet on the Eastern Front: simples, mas sem deixar de ser ótima.
3. The KKK Took My Baby Away: impossível não CHORAR quando ouço este som. EXCELENTE. Muito perfeita. É, sem dúvida, a melhor do disco, apesar de ter uma CARALHADA de músicas excelentes. Ainda que a Wikipedia diga Joey escreveu este som porque Johnny teria “roubado” uma namorada dele…
4. Don’t Go: impressionante a capacidade dos Ramones em fazer sons românticos mantendo a punquidade. EXCELENTE.
5. You Sound Like You’re Sick: massa o “oooo”, que tem ao final de cada frase. E as palmas? EXCELENTE.
6. It’s Not My Place (in the 9 to 5 world): Joey não quer que os Ramones percam sua identidade. Nem nós. Legais as batidas deste som. Legal tudo desta faixa, pensando bem. EXCELENTE.
7. She’s a Sensation: se me dessem duas palavras para descrever este som, sem dúvida eu usaria “DO CARALHO”. Mas, como tenho mais, posso dizer que é uma balada punk muitíssimo bem arranjada. Outro som para chorar. De prazer. E ainda está sendo usada na trilha do filme brasileiro “A Mulher Invisível”, que está em cartaz neste momento – parece até que eles sabiam que eu estava fazendo esta série de posts… EXCELENTE, claro.
8. 7-11: hoje a música se chamaria 7-Eleven, pois é assim que a rede de lojas de conveniência citada na música se apresenta nos tempos atuais. Balada romântica um pouco menos punk que a anterior. Grande coisa. EXCELENTE.
9. You Didn’t Mean Anything to Me: vamos voltar um pouco ao punk. Mas sem perder a qualidade. EXCELENTE.
10. Come On Now: muitas palmas neste som. Tchê, os Ramones estavam realmente muito inspirados neste disco, impressionante. EXCELENTE.
11. This Business Is Killing Me: uma faixa meio diferente do que vínhamos ouvindo. Não chega a ser excelente, classifico-a como ótima, mas não faltava tanto.
12. Sitting in My Room: uma música ótima para fechar muito bem um disco perfeito.

Nada menos do que 9 músicas Excelentes e 3 Ótimas neste álbum. Ainda não sei se este feito será superado por outro álbum (estou classificando na medida que vou escrevendo). Duvido.

Subterranean Jungle (1983)

Subterranean Jungle é mais punk que Pleasant Dreams. Para os fãs de punk simplesmente, deve ter sido uma boa notícia, pois devem ter detestado o disco anterior. Mas eu, que gostei PROFUNDAMENTE de “Pleasant”, também gostei do trabalho seguinte dos Ramones. Não dá pra negar que os anos 80 estavam pegando forte no trabalho deles e os elementos eletrônicos começavam a despontar, mesmo que sutilmente (em Too Tough To Die eles explodirão, aguardem).

– lançamento: Maio de 1983
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Marky (bateria)
– faixas:
1. Little Bit O’Soul: um cover, bem executado. Ótima.
2. I Need Your Love: outro cover, não muito punk ainda, com um coro no refrão. Uma batida meio repetitiva, sem perder a ternura, no entanto. Ótima.
3. Outsider: agora sim, punk na veia. Rola até um vocal do Dee Dee, muito massa. Ótima.
4. What’d Ya Do?: coo coo coo coo? Ótima.
5. Highest Trails Above: ouvindo este som lembro bastante dos primeiros discos. É sempre uma ótima lembrança. Ótima.
6. Somebody Like Me: os primeiros acordes são de Blitzkrieg Bop. Depois o som parte para algo bem diferente, bem musical. A letra diz muito: “I’m just a guy who likes Rock ‘n’ Roll, I’m just a guy who likes to get drunk, I’m just a guy who likes to dress punk”. Dá vontade de dizer: “me too!” EXCELENTE.
7. Psycho Therapy: eu já falei que tenho uma quedinha pelas músicas do “Loco Live”. Mas, não só por isso, este som é punk puríssimo, violento, DESLEAL (ns). EXCELENTE.
8. Time Has Come Today: outro cover. Não gostei muito. Mais ou menos.
9. My-My Kind of a Girl: balada romântica, mas sem perder a distorção da guitarra. Eu sou um cara romântico, que posso dizer? EXCELENTE, a melhor do disco.
10. In The Park: lindo trabalho, devemos dizer. EXCELENTE.
11. Time Bomb: toda cantada por Dee Dee. Mandou bem, só não precisava dizer “I’m gonna kill my mom and dad”, vai que alguém resolva seguir a “dica”? Ótima.
12. Everytime I Eat Vegetables It Makes Me Think of You: maior nome de música possível. E te digo que a música é, digamos, GRANDIOSA. A letra é muito massa. Eu achei EXCELENTE.

“Stay tuned for more rock ‘n’ roll”, já dizia Rock ‘n’ Roll Radio. Continuem sintonizados que logo logo sai a continuação desta saga impiedosa.





Michael Jackson, Rest In Peace

26 06 2009

Algumas linhas para fazer uma homenagem póstuma ao grande cantor e astro Michael Jackson, falecido ontem, aos 50 anos de idade.

Não vou sair dizendo que eu era um grande fã dele nem nada. Obviamente fiquei muito chateado com a forma como ele “terminou” sua carreira, envolvendo-se em escândalos de pedofilia e tendo um comportamento ultra-excêntrico. Porém, marcou uma época. Isso não se pode negar.

Que descanse em paz.





Análise da discografia do Ramones (parte 1)

21 06 2009

Esses dias me dei conta de que este blog está muito monopolizado no assunto futebol. E não era a minha intenção quando eu o criei – a ideia era falar sobre coisas que eu gosto e que eu domino. Portanto, vamos variar um pouco.

Agora que meu carro finalmente tem um rádio com MP3, resolvi preparar um CD com a discografia completa (de estúdio) do Ramones. Os arquivos somaram o curioso valor de 666 Mega. Já faz alguns dias que tenho me deleitado com os discos que ouvi EXAUSTIVAMENTE durante minha adolescência. Minto, pois eu nunca me cansei de ouvi-los. É provavelmente a banda que mais me influenciou naquela época, apesar de que várias outras entram neste “hall da fama” da minha mente. Pra vocês terem uma ideia, eu AINDA lembro da maioria das letras das músicas do Ramones. E fazia uns bons anos que eu não ouvia (e lamento muito).

Hoje, enquanto ouvia MONDO BIZARRO, tive a ideia de fazer uma avaliação destes discos. Afinal, hoje, após tantos anos de distância da maior banda punk de todos os tempos (Sex Pistols é bom, mas Ramones é melhor), creio que posso fazer uma análise sem vícios e comentários do tipo “todos os discos são excelentes”, comuns entre os fãs. Pode parecer SACRILÉGIO, mas nem todos os discos do Ramones eram excelentes. E uns eram melhor do que outros. É isso que eu tentarei resgatar, a partir de hoje. Óbvio que farei isso em ordem cronológica, de RAMONES (1976) até ADIÓS AMIGOS (1995).

EVIDENTEMENTE, trata-se da minha opinião, pessoal e intransferível. Não me linchem, mas comentem caso tenham opiniões contrárias. A discussão é sempre bem vinda.

Ao trabalho, então.

Ramones (1976)

sempre ri muito do Joey nessa foto, todo torto

sempre ri muito do Joey nessa foto, todo torto

É o primeiro disco. Levou 2 dias para ficar pronto e custou apenas US$ 6.400. É AUDÍVEL a baixa qualidade das gravações, que tem um pouco a ver com a época em que foi gravado, mas muito também pelo baixo custo e a qualidade duvidosa do estúdio utilizado, penso eu. No entanto, é um conjunto de músicas ótimas, simples, cruas, que dizem muito sobre o que foi a banda. Sem dizer na importância de ter sido um dos primeiros discos do gênero.

As letras são geniais. Falam de amor (muito), mas falam também de “bater no pirralho com um taco de baseball” (melhor frase de todos os tempos), ou de “agora quero cheirar um pouco de cola”. Muito mestres.

– lançamento: Abril de 1976
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Tommy (bateria)
– faixas:
1. Blitzkrieg Bop: o que dizer de “hey ho let’s go”? SENSACIONAL.
2. Beat on the Brat: ótima. Espero que ninguém tenha feito isso de verdade.
3. Judy is a Punk: sempre achei “Sheena is a punk rocker” tivesse algo a ver com esta música. E talvez tivesse. Ótima.
4. I Wanna Be Your Boyfriend: é uma balada romântica. A prova de que os punks também amam. Ótima.
5. Chain Saw: o barulhinho da serra no começo é massa. Boa.
6. Now I Wanna Sniff Some Glue: 4 frases repetidas várias vezes, como tantas outras músicas dos Ramones seriam no futuro. Ótima.
7. I Don’t Wanna Go Down to the Basement: “ei pai, eu não quero ir pro porão. Tem algo lá”. Excelente.
8. Loudmouth: é a que eu menos gosto deste disco. Mais ou menos.
9. Havana Affair: “baby baby make me mambo”. Boa.
10. Listen to My Heart: Ótima.
11. 53rd & 3rd: evidentemente trata-se de um endereço, uma esquina, de NY. Fala aparentemente de um garoto de programa. Excelente.
12. Let’s Dance: é um cover, muito bem executado. Ótima.
13. I Don’t Wanna Walk Around With You: duas frases, o título (repetido TROCENTAS vezes) e “I Don’t Wanna Go Out With You” (dita uma única vez). Ah, esqueci de outra palavra: “ooooo”. Excelente.
14. Today Your Love, Tomorrow The World: visivelmente a letra é de Dee Dee Ramone, que passou a infância na Alemanha, poucos anos depois do fim da 2a Guerra Mundial. SENSACIONAL. A melhor do disco.

Leave Home (1977)

Este é o primeiro dos dois discos lançados pelos Ramones em um mesmo ano. O conteúdo é parecidíssimo com o do primeiro disco, com a manutenção do mesmo estilo e músicas curtas e eficientes. Parece que a banda estava mais experiente e o resultado ficou ainda melhor. Adoro muito este disco, com todas as minhas forças. Assim como no caso do álbum anterior, praticamente todas as músicas são ótimas.

Pra variar, o segundo LEMA dos Ramones (depois de Hey Ho Let’s Go) saiu deste álbum – no final de “Pinhead”, Joey canta o indefectível e INESQUECÍVEL “Gabba Gabba Hey”.

– lançamento: janeiro de 1977
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Tommy (bateria)
– faixas:
1. Glad To See You Go: uma música ligeiramente diferente dos sons do primeiro disco, especialmente no refrão: “glad to see you go go go go good bye”. Excelente.
2. Gimme Gimme Shock Treatment: mais um título genial. Ele quer ir fazer um tratamento de choque, por indicação de um amigo, pra ficar sempre feliz. Excelente.
3. I Remember You: balada romântica. Ótima.
4. Oh, Oh, I Love Her So: me parece que tem algo de anos 50, mas não consigo explicar. Talvez os “ooooh ooooh” do início. Excelente.
5. Sheena Is a Punk Rocker: nem me lembro de quantas vezes me esgoelei no banheiro cantando este som (e provavelmente fazendo os vizinhos duvidarem da minha sanidade). Esta música substituiu “Carbona Not Glue”, que foi BANIDA pelos censores americanos, por isso “Sheena” está presente também no álbum seguinte, “Rocket to Russia”. Excelente.
6. Suzy is a Headbanger: “Ooo Whee, do it one more time for me”. Excelente.
7. Pinhead: “I don’t wanna be a pinhead no more”. Pasmem, mas eu acho este som apenas EXCELENTE. E não é a melhor do disco.
8. Now I Wanna Be a Good Boy: ótima.
9. Swallow My Pride: as palmas são geniais. Excelente.
10. What’s Your Game: baladinha. Mais ou menos.
11. California Girls Sun: cover dos Beach Boys (que eles adoravam) de Joe Jones (obrigado ao Álvaro Neto pela correção). Excelente.
12. Commando: “they get them ready for Vietnam”. “First rule is: the laws of Germany. Second rule is: be nice to mommy”. Ótima.
13. You’re Gonna Kill That Girl: começa tipo balada depois volta ao ritmo normal dos Ramones. Excelente.
14. You Should Never Have Opened That Door: 3 frases. Menos de dois minutos. A letra é FREAKING GOOD. SENSACIONAL.

Rocket To Russia (1977)

simples. p&b. melhor impossível

simples. p&b. melhor impossível

Este foi o primeiro disco dos Ramones que eu conheci – meu amigo José Mathias (a.k.a. ZEMA) tinha o vinil dele. Pra mim é o melhor disco da banda. Impossível não ficar cantando 100% das músicas, com entusiasmo total. Eu pelo menos me vi fazendo isso, dentro do carro, de forma irreversível.

Visivelmente, os Ramones são influenciados pelo SURF ROCK neste álbum, não apenas pela faixa “Surfin’ Bird” (ultra-mega clássica), mas por várias outras. Um grande erro estratégico terem lançado este disco no inverno. Se tivessem lançado no verão, talvez tivesem vendido mais.

– lançamento: dezembro de 1977
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Tommy (bateria)
– faixas:
1. Cretin Hop: viciante. “my feet won’t stop doin’ the cretin hop”, “Four five six seven, all good cretins go to heaven”. SENSACIONAL.
2. Rockaway Beach: surf e punk. Provou ser uma bela combinação. SENSACIONAL.
3. Here Today, Gone Tomorrow: a primeira balada do álbum. Meio enjoada. “Apenas” ótima.
4. Locket Love: Ramones em sua essência. Mas com novo romantismo. Excelente.
5. I Don’t Care: de novo, 3 frases. Ramones é genial por essas coisas. Ótima.
6. Sheena is a Punk Rock: tão excelente quanto no “Leave Home”.
7. We’re a Happy Family: diz-se que essa música refere-se à infância de Joey. Será que seu “daddy likes men”? Excelente.
8. Teenage Lobotomy: letra bizarra (alguns amigos meus entendiam “o pai e a mãe” no começo da música). Música SENSACIONAL. (cara o que que é “DDT keeps me happy”?)
9. Do You Wanna Dance?: mais um som “coverado” dos Beach Boys, embora haja uma versão famosa de Johnny Rivers. Lamento, mas esta versão ficou muito melhor que a original. SENSACIONAL.
10. I Wanna Be Well: totalmente FREAK. Apologia não só às drogas, mas à VENENO, qualquer coisa que faça mal. SENSACIONAL.
11. I Can’t Give You Anything: se os Beatles admitiram que eram pobres mas se esforçavam, porque os Ramones não poderiam fazer o mesmo? Excelente.
12. Ramona: balada. Excelente.
13. Surfin’ Bird: cover de uma banda chamada “The Trashmen”, de 1963. Totalmente surf, até no nome. Impossível alguém não ter PIRADO em alguma festa quando esta música tocava (e sempre tocava). SENSACIONAL é pouco pra ela.
14. Why Is It Always This Way?: “now she’s lying in a bottle of formaldehyde”. Lembro da contracapa do vinil, com o desenho da mulher dentro de um frasco de vidro. Letra totalmente mórbida. Música totalmente SENSACIONAL. Pra mim, a melhor do álbum.

Estes três primeiros álbuns representam a primeira fase da banda, com o punk mais cru possível. Embora estejamos falando de apenas dois anos. O quarto disco já mostra uma diferença considerável no estilo musical, que seria intensificada nos discos seguintes. Nesta “parte 1” da minha análise, incluirei ainda o quarto álbum, pois é uma espécie de “álbum de transição”.

Road To Ruin (1978)

acho esta capa muito massa

O álbum “Road To Ruin” marcou a saída de Tommy das baquetas ramonísticas, passando o bastão (literalmente) para Marky, que viria a ser o baterista que mais tempo ficaria na banda. Como eu já disse acima, este disco mostra mudanças consideráveis no estilo musical e na harmonia de suas músicas, em geral. Acredito que eles queriam mostrar que podiam fazer mais do que 3 acordes.

Não se preocupem, apesar das mudanças, este disco continuou sendo excelente.  Talvez seja o álbum com o menor “índice de rejeição”, por assim dizer. E tem “Needles and Pins” que é um cover, não tem nada a ver com os Ramones, mas é MARAVILHOSA.

– lançamento: setembro de 1978
– formação: Joey (vocais), Johnny (guitarra), Dee Dee (baixo e vocais) e Marky (bateria)
– faixas:
1. I Just Wanna Have Something To Do: aqui a mudança já se vê com muita força. Parece que eles tocam com mais seriedade, mais peso, mais força. O resultado é SENSACIONAL.
2. I Wanted Everything: Ramones are back. Ao que era antes. Mas não exatamente. Ficou excelente.
3. Don’t Come Close: balada romântica. Algo de country também. SENSACIONAL.
4. I Don’t Want You: punk natural. Excelente.
5. Needles and Pins: cover de um som gravado por Jackie DeShannon, em 1963 (thanks Wiki). Difícil explicar o que é esta música. Não tem absolutamente NADA A VER com Ramones. Mas ficou SENSACIONAL com a voz lúgubre de Joey. Pra mim, divide o ranking de melhor do álbum com outro som. Fácil de entender.
6. I’m Against It: só pra não deixar a galera esquecer o que eles são de verdade. Ótima.
7. I Wanna Be Sedated: vejam o clip abaixo pra entender porque este som é SENSACIONAL e é também o melhor do disco:

8. Go Mental: básica. Ótima.
9. Questioningly: música de Dee Dee, uma verdadeira balada country. Linda. SENSACIONAL.
10. She’s The One: roots, mas romântica. Excelente.
11. Bad Brain: outra bem tradicional. Ótima.
12. It’s a Long Way Back: três frases – você ao telefone, você totalmente sozinho, é um longo caminho de volta à Alemanha. Obviamente de Dee Dee. SENSACIONAL.

A partir daqui, o troço passa a ser mais PROFISSA. É, os Ramones contrataram Phil Spector para produzir o disco seguinte, END OF THE CENTURY. As mudanças foram gigantescas. Parece que algo se perdeu…

Mas deixarei isso para a Parte 2.





O show do ano

26 08 2008

Vocês não imaginam qual foi o tamanho de minha alegria quando soube disso: FITO PAEZ, de volta a Porto Alegre. Eu somente tinha visto um show dele em 1996 (ou 1997, não lembro direito), num dos primeiros Planeta Atlântida. O problema é que eu não conhecia o trabalho dele, na época e não curtia o som do argentino. Hoje me arrependo de não ter aproveitado melhor aquele show.

O criador de 11 y 6 (acima), Mariposa Tecknicolor, Al lado del camino, Lo que el viento nunca se llevó, A rodar mi vida e tantas, TANTAS outras fantásticas canções, merece muito mais destaque em nosso país do que efetivamente tem. Talvez por conta da XENOFOBIA idiota que temos e que, Fito, certamente não tem, já que fez duetos com muitos importantes intérpretes brasileiros em toda a sua carreira. Inclusive há uma versão de “La rumba del piano” cantada em português com Caetano Veloso, assim como “Mariposa Tecknicolor”, também com Caetano.

GÊNIO

GÊNIO

Para mim, Rodolfo Paez Ávalos é um dos maiores nomes do rock latinoamericano de todos os tempos. Para o meu gosto, é um dos maiores compositores e intérpretes de todo o mundo. O sensacional casamento entre o piano e voz, o sentimento impresso em cada canção, é difícil comparar.

Graças a Deus, a Gra já comprou nossos ingressos. O show será no dia 13/9, às 21 horas, no Pepsi on Stage. Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria do Teatro do Bourbon Country. Impossível perder.





Meu novo brinquedinho

10 07 2008

Minha esposa esteve 1 mês no Canadá, fazendo um curso de inglês e tendo uma experiência espetacular, uma vez que é completamente diferente estar “por conta”, em terra distante e tendo que se comunicar inteiramente em outro idioma. Como ela mesma diz, um mês não é tempo suficiente para uma pessoa aprender o inglês de forma completa, mas certamente faz uma grande diferença. Ela, hoje, está falando com desenvoltura e facilidade.

Um dos passeios que ela fez, estando lá, foi até New York, de ônibus, desde Toronto. Na grande maçã, ela obviamente se deslumbrou com uma tal de QUINTA AVENIDA, onde havia, entre tantas outras, uma loja da Apple.

Feinha a loja da Apple, né?

Feinha a loja da Apple, né?

Qual não foi minha surpresa quando eu descubro que ela havia me aprontado uma das grandes: me comprou um iPod Touch.

Várias imagens do ÁI PÓDE TÂTCH

Várias imagens do ÁI PÓDE TÂTCH

O troço é sensacional. É grandinho até – 11 cm de comprimento x 6,18 cm de largura x OITO MILÍMETROS de espessura. Ele é VIRADO em tela, sendo que todos os comandos são executados usando os DJDJINHOS. Obviamente, os indicadores fazem o serviço melhor, mas, em alguns casos, se utiliza também os polegares, menos o RAFAEL ILHA (ns).

Manja a finura do gurizinho?

Manja a finura do gurizinho?

Com conexão wi-fi, é possível, além de ouvir músicas (sério?) e ver filmes, fotos e programas de TV, navegar na Internet usando o browser Safari, baixar e ler e-mails – inclusive anexos PDF, Word e Excel, pesquisar no Google Maps, Metereologia e, pra fechar com chave de ouro, YOU TUBE, tendo um aplicativo instalado especialmente para este fim. Estes são os aplicativos que vêm junto ao iPod Touch, mas é possível baixar outros, inclusive jogos.

No aplicativo de mapas, clicando no botão “Localizador”, o aplicativo tenta encontrar tua posição atual. No meu caso, não funcionou. Mas acredito que em algumas cidades isso deva funcionar. Mas eu consegui localizar o meu apartamento o que significa que Carlos Barbosa está no Google Map. Tanto nos mapas quanto no browser, para diminuir ou aumentar o zoom, basta colocar dois dedos na tela (polegar e indicador) e afastá-los para aumentar o zoom e aproximá-los para diminuir.

Outra coisa MUITO bacana em relação ao iPod Touch é o lance do reconhecimento da posição da tela. Ou seja, se tu viras o iPod da posição vertical para a horizontal, a tela acompanha a mudança e fica em modo widescreen. É a melhor alternativa para surfar na internet, para mapas e para ver vídeos.

Tela horizontal

Tela horizontal

Ainda brinquei muito pouco com ele. Preciso dividir a atenção com outras coisas, tipo o Wii (que vida dura). Diz o SAITE da Apple que o tempo de duração da bateria é de 22 horas de música (duvido) e/ou 5 horas de vídeo (também duvido). Se for perto disso, tá bem bom.