Índice de posts sobre a viagem

30 08 2011

Pra facilitar a consulta da série de posts sobre a nossa viagem à Europa, coloco abaixo os links em ordem cronológica:

Milão. Como?: sobre Milão e, principalmente, Lago di Como e Lugano (Suíça)
Onde estás, Julieta?: sobre Verona
O que esses caras tinham na cabeça?: sobre Veneza
Nas grotas: sobre o interior do Veneto (Pádua, Miane)
Entre Dante e Michelangelo: sobre Florença
Capital da paz: sobre Assis
Quem tem boca…: sobre Roma
O menor país do mundo: sobre o Vaticano e Pompeia
Che bella costiera! Bellissima!: sobre a costa amalfitana e a ilha de Capri
Adieu, mes chèrs amis: sobre Paris, o final da viagem.

Bom proveito!





Adieu, mes chèrs amis

28 08 2011

Dando sequência ao meu último post, o penúltimo desta série, nós embarcamos na segunda-feira, 4 de abril de 2011, para a derradeira etapa de nossa viagem à Europa – uma rápida visita à la ville lumière. É isso aí, mes amis, essa era uma excelente oportunidade para eu pôr em prática meus conhecimentos da língua francesa. Será?

Chegamos em Paris na metade da tarde daquele dia. Como nosso aeroporto de destino era o Roissy/Charles de Gaulle, estávamos bastante distantes do centro. Nosso hotel, o Hôtel du Printemps, ficava no 12ème Arrondissement, portanto, o taxi saiu CAAARO. E tivemos que contratar dois, pois eles não tinham uma van no aeroporto para levar-nos até o nosso hotel. Se estivéssemos em menos pessoas e com menos bagagem, teríamos pego o RER-B até Châtelet, depois o metrô 1 até Nation e então o Metrô 6 até Picpus, que era na frente do nosso hotel. Mas em 6 pessoas isso seria bastante inconveniente…

Chegamos no hotel, colocamos uma manta (estava consideravalmente mais frio em Paris do que estava em Nápoles) e já saímos para a rua. Compramos um cartão Paris Visite para 3 dias, o que nos deu a possibilidade de usarmos transporte público entre as zonas 1 e 3 de Paris de forma ilimitada durante este período. Com uma cidade com uma rede de transporte público TÃO BOA quanto Paris, nada mais é necessário. Custou 20,70 euros cada um.

Para começarmos bem o nosso período na cidade mais linda do mundo (minha classificação), fomos direto para a Île de la Cité, onde está a Catedral de Nôtre-Dame. Na verdade paramos no Hôtel De Ville, onde está atualmente a prefeitura de Paris, às margens do rio Sena.

Daí cruzamos o rio a pé (o que já é uma experiência interessante por si só) e fomos caminhando até Nôtre-Dame. Como já tínhamos visto TODAS AS IGREJAS da Itália (nenhum sentido) e comparado bastante umas às outras, podíamos julgá-la. Nôtre-Dame é bastante grande, mas não é bonita.

Depois pegamos o metrô até o Jardin des Tuileries, onde está o Museu do Louvre, onde iríamos no dia seguinte (era o que achávamos). Como era início da primavera, o jardim já estava bastante bonito, cheio de tulipas (minha mãe é fascinada por esta flor) e outras belas plantas. O jardim estava com uma grande quantidade de pessoas, muitas sentadas ao redor do lago que fica no meio, apenas curtindo o final da tarde. Imagino que um artista poderia ficar inspirado neste local.

Nosso maior erro naquele dia foi cometido logo em seguida: caminhar demais. Resolvemos caminhar até o final do jardim, onde está o Obelisco de Luxor, no meio da Place de la Concorde, onde inicia (ou termina) a Avenue des Champs-Elysées. Aí comemos um típico crêpe, que infelizmente não estava tão bom (não era de Nutella, era de um produto similar – nada a ver). Resolvemos que éramos fortinhos e continuamos caminhando pela avenida mais famosa da cidade. Na verdade, andamos por TODA a avenida, desde o obelisco até o Arco do Triunfo. Paramos numa boulangerie para comer uns sanduíches de baguette e seguimos até o símbolo das conquistas militares de Napoleão.

A natureza cobrou a conta logo depois: estávamos EXAUSTOS. Não fizemos outra coisa que não pegar o metrô de volta e capotar em nossos quartos. O dia estava encerrado.

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Na terça-feira despertamos razoavelmente cedo e decidimos começar nossos passeios por perto – então a primeira coisa que fizemos foi ir até a estação “Bastille” do metrô e sair no meio da Place de la Bastille, um local onde em 14 de julho de 1789 ROLARAM CABEÇAS. Em seguida voltamos ao Louvre, mas, desta vez, para entrar. Só que eu tinha esquecido de um detalhezinho: sauf Mardi significa “exceto às terças-feiras”. Bem que estranhamos o quanto estava vazio aquele lugar…


Allons enfants de la Patrie, le jour de gloire est arrivé

Onde mais poderíamos ir? Bem, em uma INFINIDADE de locais. Mas resolvemos ir no mais óbvio de todos. Estava incrivelmente frio na parte do meio da torre, quando a gente baixa do primeiro elevador para pegar o segundo. O problema é que havia uma fila considerável para pegar o segundo elevador e então ficamos pegando frio até conseguir “embarcar”.

Abre parênteses: o meu sogro, Elias, estava levando uma bandeira do Internacional para todos os lados nesta viagem, desde o primeiro dia em Milão até Paris. A ideia dele era fazer fotos em locais turísticos com a bandeira para sair no site ou na revista do clube. Só que, ao passarmos pela segurança da torre, o guarda disse que ele não poderia entrar com a bandeira. Daí eu expliquei que não era bandeira de entidade governamental, era de um clube de futebol… o cara disse que é proibido qualquer tipo de bandeira na torre Eiffel, inclusive de clubes de futebol! Por menos que eu gostasse daquela bandeira, não poderia deixá-la perdida por lá. Então, quando descemos da torre, fui até o guichê do guarda e resgatei a danada. Um dia cobrarei essa dívida… hehehe! Fecha parênteses.

A vista da torre é muito bela e, apesar do dia estar meio nublado, conseguíamos enxergar bastante longe desde lá.

Logo após a visita à torre, cruzamos o rio e fomos até o Trocadéro, onde dá pra fazer a melhor foto da Eiffel. Nós nem havíamos nos dado conta de que a Gra estava usando um vestido com desenhinhos de Paris, incluindo a torre e uma turista japonesa quis fazer uma foto com ela! Mas eles nos ajudaram e fizeram uma foto de todos nós.

Daí fomos para a região de Montmartre, para visitar a Sacré Coeur, esta sim uma igreja muito bonita, na minha opinião. Ela fica no alto do Montmartre e, para chegar lá, dá pra subir uma BAITA escadaria ou pegar um trenzinho (o funiculaire de Montmartre). Obviamente os preguiçosos resolveram pegar o trem…

Mas antes do trem, tivemos uma situação meio engraçada. Próximo da “estação” deste funicular, tinha um banheiro público na calçada. É um desses banheiros de limpeza automática, gratuitos, parece uma cápsula de alta tecnologia, coisa mais linda. O problema é que eles levam uns 7-8 minutos SÓ PARA SE LIMPAR, sem contar o tempo de uso de cada pessoa. No final das contas, uns 4 de nós quiseram usar, ficamos quase UMA HORA nessa função… Se alguém estivesse MUITO apertado, teria sérios problemas.

Após a Sacré-Coeur, resolvemos voltar a um lugar que já havíamos ido: a Champs-Elysées. É que queríamos aproveitar algum tempo para fazer umas compras. Nessa avenida tem várias lojas de grife (nessas tínhamos medo de entrar), mas também tinha lojas acessíveis, como a H&M, Fnac e uma loja francesa que não conhecíamos, chamada Celio. Lá fizemos boas compras, com certeza.

Mais tarde teríamos a cereja da nossa TARTE TATIN (que não vai cereja, por sinal): o passeio de barco pelo Sena (ou La Seine, como os franceses costumam dizer). No entardecer de Paris, nós entramos no Bateau Parisien, navegamos pelo Sena, passando debaixo de dezenas de pontes (não sabia que eram tantas), dando uma volta na Île de la Cité e retornando ao local de partida. É um belo passeio, mas confesso que depois de alguns minutos, enche o saco. Pior é que estávamos com muita fome, mas teríamos um jantar à beira do Sena, num restaurante anexo ao local de embarque da Bateaux Parisiens, que estava incluso no nosso bilhete.

O jantar não foi magnífico, mas também não foi nada ruim. O melhor de tudo é que a Tour nos vigiava, onde estávamos. E, a cada hora cheia, ela começava a piscar majestosamente.

Isso fechou nosso segundo dia em Paris (e nossa última noite lá). A manhã seguinte seria de fechar malas em definitivo. Quando a gente começa uma viagem longa como essa, não parece que esse dia vai chegar, de tanta coisa que há para fazer… Mas ele chega e eu não nego: já começou a me dar saudades tão logo me dei conta. Às vezes as pessoas ficam com saudades de casa. Eu não estava.

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Quarta-feira, 6 de abril de 2011.

Nosso último dia na Europa…

Empacotamos tudo, fizemos check-out, guardamos todas as malas e saímos para aproveitarmos o melhor que pudéssemos. O bom é que aquela friaca já tinha passado e o dia estava até quente… bom para quem estava prestes a retornar a uma realidade mais quentinha – apesar de que já tinha começado o outono no Rio Grande do Sul, as temperaturas ainda estavam razoavelmente altas. Basicamente, nosso dernier jour en Paris foi composto de 4 atividades:
1) visitar o Louvre
2) almoçar
3) ir às Galeries Lafayette
4) chorar porque já havia terminado tudo…

Primeiramente, o Louvre, que já deveria ter sido visitado. Mas não foi problema e novamente descemos na parada “Musée du Louvre” da linha 1 do metrô, que dá uma entrada subterrânea para o museu. Assim, não é necessário entrar na famigerada pirâmide de vidro. O que parece ser um problema, é uma vantagem, pois a fila é maior pela entrada principal…

Mas fila era algo meio inevitável, afinal é sempre uma multidão que diariamente passa pelas IMENSAS galerias do museu mais famoso do mundo. Se no dia anterior não havia viva alma por lá, desta vez TODAS as almas resolveram ir para o mesmo lugar. Mas estou exagerando, o acesso foi bastante rápido – havia uma certa fila para passar pela segurança, mas fora isso não demoramos muito, inclusive compramos os ingressos num equipamento de autosserviço, muito fácil.

Vocês já devem imaginar quais seriam os problemas de nossa visita ao Louvre… com base em alguns elementos que já estão bastante óbvios nos últimos posts – reclamações crescentes – enfim: o museu é grande demais e nossa energia e tempo… curtíssimos. Então, não dava pra gente se iludir que conseguiríamos visitar ao museu inteiro – tempo até havia, mas a STAMINA já tinha chegado ao nível crítico.

Portanto, decidimos ABREVIAR a visita. Fizemos um recorrido iniciando pela parte medieval do Louvre – antigo castelo e palácio real, vendo um pouco da estrutura antiga restaurada – calabouços e tais. Depois passamos por artes e objetos do antigo Egito e da antiga Grécia. Para chegar aos renascentistas e, por fim, à GIOCONDA.

Nem é legal se espremer entre 835 pessoas tentando fazer fotos do quadro. Como se ela fosse ficar melhor que a própria pintura. Lógica, não trabalhamos.

Depois disso, voltamos ao hall principal, para tomar alguma coisa e as mulheres se entregaram. Quer dizer, a minha mãe e a mãe da Gra. Os três homens e a Gra resistimos firmes e continuamos nossa visita. Quer dizer, fomos apenas para mais um local: os aposentos de Napoleão.

Legal, luxo por todos os lados. Engraçado, pois isso aconteceu DEPOIS da Revolução Francesa… Acho que certas coisas a gente não consegue mudar tão fácil, não é?

Depois disso nosso “saco” pra continuar visitando o museu. Acho que o lance de que estávamos finalizando nossa longa viagem pesou. Sei lá se a galera ainda tinha espírito para visitar locais turísticos ou fazer qualquer tipo de turismo. É apenas uma hipótese, pois ninguém reclamou.

Então, saímos do museu, desta vez pela entrada principal.

Depois do museu, concordamos em almoçar. Então fomos para um lugar tipicamente parisiense…


Ok, enganei vocês, mas tenho culpa se a galera gostou mesmo do HRC?

E estava tudo muito delicioso, fazer o quê? E para finalizar nossas visitas desta viagem, passamos num símbolo de Paris, que ficava bastante perto do Hard Rock.

Muito luxo e muitos brasileiros dentro das Galeries Lafayette. E tem gente tentando me convencer de que as coisas não estão caras demais no Brasil. Eu fiquei impressionado: primeira vez que eu fui para Paris, essa loja simbolizava tudo o que havia de mais caro e impossível de se adquirir no mundo. Agora está forrada de terceiro-mundistas. O mundo dá voltas…

Depois disso, foi pegar nosso velho metrô, parar na velha e très petite estação PICPUS e voltar ao hotel, para pegarmos nossas bagagens e aguardar pela van que nos buscaria para levar-nos à Roissy-Charles de Gaulle. Agora sim, era hora de dizer: “adieu, ma chère Paris”. Espero que a Gra e eu possamos voltar mais vezes. Espero que meus queridos pais e sogros também façam isso.

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Pessoal, levei 4 meses para descrever uma viagem de pouco mais de 2 semanas. É um exagero, mas o tempo era curto e eu não queria poupar esforços em colocar o máximo de detalhe possível na nossa fabulosa experiência. Vocês precisam entender o que isso significa, muito mais para os nossos pais do que para a Gra e eu. Eles nunca tinham ido à Europa. Eles nunca haviam conhecido a Itália, a pátria-mãe de todos nós. Isso foi muito mais do que uma simples viagem de turismo – foi um retorno às origens, a busca da compreensão do que somos hoje.

Não creio que a viagem tenha “resolvido o problema”. Na verdade, acho que só criou mais dúvida e deixou uma saudável PULGUINHA atrás das orelhas dos nossos velhos. Sim, porque eu acredito que eles ficaram com um gostinho de “quero muito mais” nas suas bocas e agora sabem que podem e devem colocar seus esforços em conhecer mais do mundo, abrir seus horizontes, conhecer novas culturas. Foi a primeira de muitas grandes viagens, tenho certeza.

É emocionante terminar aqui uma épica jornada que tomou, literalmente, um ano inteiro para ser construída e descrita, entre o momento da sua concepção, planejamento, realização e relato. Foi fabulosa e espero voltar a fazer posts homéricos como estes em breve, com histórias de nossas viagens, experiências e aventuras. E espero encorajar os leitores a fazer coisas semelhantes. Vale muito a pena e pode custar muito menos do que se imagina.

Agora, minha próxima viagem é muito, muito diferente desta.

É a viagem ao mundo da paternidade.

Continuem visitando meu blog, pois estarei escrevendo sobre esta fantástica jornada. Até mais!





Che bella costiera! Bellissima!

9 08 2011

Havíamos recém finalizado nossa rápida visita à cidade perdida (e depois encontrada) de Pompeia. Era sábado à tarde e, felizmente, ensolarado. Estávamos a poucos quilômetros do nosso próximo destino: a cidade de Amalfi, a cidade que dá nome à região que queríamos visitar – a Costiera Amalfitana. O que poderia dar errado?

Bem, errado não deu. Mas foi um pouco diferente do que eu havia imaginado… o caminho para Amalfi (o melhor deles, no caso), faz com que a gente vá pela autostrada A3 até a altura de Vietri sul Mare, quando saímos para a SS163, que passa por toda a Costa Amalfitana, desde Maiori até Positano. O problema é que essa estrada é MUITO ESTREITA. E vai ficando cada vez MAIS ESTREITA, na medida em que avançamos em direção a Amalfi. E, pior ainda, é uma ODISSEIA DE CURVAS. Sério, descer a Serra do Rio do Rastro é menos apavorante do que isso que passamos… ok, talvez no mesmo nível…

O meu pai me disse depois que ele tinha gastado a sola do sapato de tanto “frear” o carro durante o percurso. As mulheres evitavam olhar para o lado esquerdo, para não ter vertigens. Estávamos literalmente entre uma montanha e um penhasco. Se, por algum motivo, a estrada cedesse, cairíamos diretamente no mar. Era deliciosamente apavorante, mas eu sabia que os riscos eram muito pequenos, especialmente com as fortes proteções que a estrada apresentava (e ótimas condições de pavimentação também).

O motorista tem um pouco de prejuízo neste tipo de viagem, pois não consegue prestar muita atenção na paisagem, ao contrário dos demais ocupantes do carro. E eles devem ter aproveitado muito, pois era tudo muito lindo. O mar, azul e amplo. Os limoeiros (que eram inúmeros). As enseadas. E as mansões, algumas pareciam escavadas nas paredes rochosas das montanhas. De curva em curva, passamos por Maiori e Minori, as primeiras praias da costa amalfitana, bastante procurada por turistas. Não chegamos a parar nelas, depois descobriríamos que elas são muito semelhantes umas das outras, então, não chega a ser um grande prejuízo deixar de conhecê-las todas a fundo. Acredito que, com bem mais tempo (uma semana, por exemplo), seria ideal para poder explorar melhor as várias praias desta região.

Depois de umas dezenas de curvas adicionais, chegamos enfim a Amalfi.

A cidade de Amalfi representa a capital do que já foi uma república independente, basicamente de mercadores marítimos. Sua localização costeira lhe permitia empreitadas de navegação às Índias e ao norte da África. O estilo de várias de suas construções é “mourisco”, ou seja, influenciado pelos povos árabes da África Setentrional. Por mais estranho que pareça, eu fiquei com essa impressão em relação ao Duomo de Amalfi, logo uma igreja católica!

Nessa altura estávamos razoavelmente acostumados às “estranhezas” das cidades italianas, com suas ruas estreitas, sinais confusos e edifícios antigos. Mas parece que sempre tem algo a mais para se deslumbrar. E não foi diferente em Amalfi. Logo que chegamos, tinha dúvidas sobre o que fazer para guardar o carro e ir ao hotel. Nós nos hospedamos num hotel boutique (claro) chamado Hotel Floridiana, uma indicação do Trip Advisor, como não poderia deixar de ser. Se eu tivesse TRÊS polegares, todos estariam para cima em relação ao hotel – excelente. Antes de sair de Pompeia, liguei para o hotel para pedir mais informações de como proceder (é impressionante como eu já tinha tranquilidade para fazer ligações e conversações em italiano nessa altura – eu nem me dei conta dessa ‘fluência’ adquirida). Eu já tinha recebido um e-mail com instruções, mas achei tão confuso que nem parecia verdade. Mas era.

Saca só:

1) a galera baixa na entrada da cidade. Havia um CARRINHO DE GOLFE no estacionamento beira-mar aguardando para retirar a bagagem e levá-la ao hotel. O acesso ao mesmo era por muitas escadas, então o hotel oferecia este serviço.

2) na frente do Duomo tem a praça principal da cidade (piazza Duomo, claro). Aos fundos, um semáforo e uma rua muito estreita em seguida. Este semáforo não é comum – está vermelho na maior parte do tempo. Ele é o instrumento que permite o trânsito nesta via, que só pode ser feito em um sentido por vez. Enquanto os carros descem a rua, ninguém sobe, e vice-versa.

3) a 3 metros (dizia exatamente isso) do semáforo, há um vicolo (beco) à direita com uma escadaria. Subi-la e logo em seguida pegar a escada à esquerda. Eu juro pra vocês: se tivéssemos chegado à noite dificilmente subiríamos aquelas escadas naquele beco pouco iluminado. Mas valia a pena, o hotel é muito lindo internamente, os quartos são modernos e espaçosos e a sala de jantar (onde tomamos o café da manhã) era um capítulo à parte.

4) tive que subir a rua (essa mesma do semáforo) uns 500 metros, até uma casa com portões verdes. Aí era o estacionamento do hotel e eu teria que deixar o mesmo com o Gianluca (me confundi e pedi pelo Gianluigi – ouch!). Depois ainda tive que deixar o número da placa do carro na recepção do hotel, para que eles pudessem informar à polícia, para que não me cobrassem multa por transitar em ZTL (obviamente todo o centro da cidade era uma Zona a Traffico Limitato).

Por sinal, tomei uma multa em Como por causa dessa maldita ZTL. Soube disso há alguns dias. Ainda bem que é só financeiro – não conta pontos na minha carteira de motorista brasileira…

Nosso plano inicial para a costa amalfitana era circular em toda a região de carro, visitando as diferentes cidades (Maiori, Minori, Praiano, Positano) e também subindo a montanha até a cidade de Ravello. Mas, com a minha chegada CAMBALEANTE em Amalfi, todos fomos unânimes em NÃO fazer isso. Verificamos o horário dos ônibus e, no dia seguinte, iríamos até Sorrento de BUSÃO para depois irmos até a Isola di Capri. Assim, la nostra macchina ficou descansando até a segunda-feira.

Era final do dia quando terminamos os procedimentos de check-in no hotel e nos acomodamos. Deu pra aproveitar e dar uma circulada pela praia, não muito movimentada pelo fato de ser início de primavera – obviamente fora de temporada para eles. Mesmo assim, por ser um fim-de-semana, tinha uma quantidade razoável de pessoas na praça, nos cafés e nas gelaterias. A temperatura estava agradável. E era realmente prazeroso ficar no cais, curtindo o ruído da água batendo nas pedras…

O pessoal do hotel era muito atencioso, nos deram duas indicações: uma de gelateria – uma barraca que ficava próximo do pequeno “túnel” na saída da praça. Um gelato realmente delicioso, só eu tomei uns 3 ou 4 durante nossa estadia na Costa Amalfitana. Outra, foi uma trattoria, chamada Il Tarí. Gostamos tanto do restaurante que voltamos lá na noite seguinte. Serviço atencioso, comida deliciosa a um preço muito justo. Aproveitamos para provar um vinho da própria Amalfi – esse já não era genial.

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No dia seguinte, acordamos cedo para podermos pegar um dos primeiros ônibus para Sorrento, que nos desse tempo suficiente para pegar um barco até Capri e para que pudéssemos aproveitar um pouco nossa estadia na ilha. O ceu estava meio nublado e estava um pouco mais frio do que no dia anterior. Pelo menos, até aquele horário. De ônibus não rola cansaço para transitar pelas ainda sinuosas estradas que nos levavam até a cidade de Sorrento, mas chamava muito a atenção a facilidade com que o motorista fazia o trajeto – o que não faz a experiência, não é?

O tipo de vista que pudemos apreciar durante a viagem não chegou a ser uma novidade, pois havíamos visto muita coisa durante a chegada até Amalfi. Para mim, talvez foi mais relevante, já que eu tinha prestado pouca atenção na paisagem enquanto tentava permanecer na estrada para Amalfi (que exagero!).

Em 1 hora, chegamos a Sorrento, que fica a TRINTA QUILÔMETROS de Amalfi. Sim, essa foi a velocidade média da viagem. Estão começando a entender agora?

Sorrento é uma bonita cidade, que não chega a fazer parte da chamada Costa Amalfitana, pois está posicionada em uma baía própria, no lado norte da península sorrentina. Não chegamos a explorar esta cidade, pois nosso objetivo lá era pegar um catamarã que nos levaria à Ilha de Capri, nosso destino daquele dia.

Felizmente, quando chegamos à estação rodo-ferroviária de Sorrento, fomos imediatamente à marina e descobrimos que não tardaria muito para partir o barco seguinte a Capri. Com isso, aproveitamos um pouco para fazer umas fotos à beira da marina, antes de zarparmos. O barco é rápido e levou apenas uns 35 minutos para chegar à Marina Grande, em Capri.

Da Marina Grande o transporte tradicionalmente utilizado seria o funicolare, que nos levaria até o centro de Capri. Porém, o mesmo estava em greve naquele dia, então haviam ônibus fazendo o mesmo transporte. Eram microônibus e estavam saindo sempre muito lotados. Tivemos que nos espremer para chegarmos lá.

A comune de Capri fica numa posição razoavelmente alta em relação ao nível do mar – 140 metros – mas chama a atenção, justamente por subirmos toda essa distância em pouco mais de 1 quilômetro. Ao chegar lá, nota-se a grande presença de marcas de grife nas pequenas lojas dispostas ao longo das estreitas ruelas. Os hoteis também dão pinta de serem de altíssima classe. No entanto, a presença de turistas no dia em que fomos para lá era apenas razoável, pois era baixa temporada para um local de veraneio. Chamava a atenção a quantidade de asiáticos fazendo turismo naquele momento…

Em Capri não fizemos muito – demos uma volta pelas ruazinhas e depois voltamos. Havia lugares para visitar, como a Villa Jovis, uma das residências do Imperador Tibério, quando estabeleceu a sede do Império Romano em Capri, entre 27 e 37 d.C. Porém, tínhamos muito pouco tempo para isso…

Então resolvemos ir até a outra comune da ilha – Anacapri, que fica ainda mais alta – a 275 metros do nível do mar. Também demos uma circulada por lá, pela strada Anacapri que passa por várias construções pitorescas. Depois almoçamos na praça principal da vila, aos pés do Monte Solaro, o mais alto da ilha.

A cereja do bolo de nossa breve passagem pela Ilha de Capri foi subir o Monte Solaro através da seggiovia, ou seja, o teleférico que leva até o alto da montanha. Infelizmente minha mãe não se sentiu à vontade para fazer o passeio – acho que ela se arrependeu depois, de tanto que falamos disso…

São 2 km de extensão de subida em cerca de 15 minutos até chegar ao alto do monte, que tem 589 metros de altitude, em relação ao nível do mar. A vista que se tem durante o passeio é incomparável.

Chegando ao topo do Monte Solaro, víamos as nuvens abaixo, como se estivéssemos voando, algo muito incrível. E de lá dava para ver o mar, lá embaixo.

Uma experiência que vale muito a pena, recomendo para qualquer um.

Descendo novamente, pegamos um ônibus até a vila de Capri e outro para retornar à Marina Grande. Estava bastante preocupado com o horário, pois precisávamos chegar na estação rodo-ferroviária de Sorrento antes das 17 horas, para pegarmos o ônibus até Amalfi. Do contrário, somente às 19:30. Eu estava meio descrente, mas conseguimos chegar na marina de Sorrento às 16:50. Corremos para pegar um taxi e o loco voou, não sei como. Chegamos justamente às 17 horas na rodo-ferroviária, o ônibus estava ligado e mal tinha lugar para nós 6. Conseguimos!

De volta a Amalfi, ainda aproveitamos um pouquinho do ambiente e voltamos a jantar no Il Tarí. Era muito agradável passear pelas ruas do centro de Amalfi, curtindo a temperatura amena (quase quente) dessa época do ano no sul da Itália. E tínhamos que curtir nossa última noite em terras italianas (agora derrubo uma lágrima de saudades…).

Na manhã seguinte (segunda-feira), demorei uns QUINHENTOS ANOS pra conseguir pegar o furgão na garagem, por causa das crianças indo pra escola – enquanto elas estão na rua, NECAS do semáforo abrir… Bom, melhor assim, não seria correto jogar FUMAÇA na cara da gurizadinha.

Levamos a van até o aeroporto de Nápoles, de onde viajaríamos para Paris. Alguma dificuldade para encontrar o local de devolução – na verdade é num local compartilhado por várias locadoras. Agora vamos para o meu erro – que poderia ter saído bem caro: quando peguei a Ford Transit em Roma, eu já havia visto que ela estava com uma lateral toda DETONADA. Literalmente amassada. O problema é que, neste tipo de estabelecimento, é comum ninguém acompanhar a retirada do veículo. No caso de Roma, a agência era um guichê dentro da Stazione Termini e o carro estava num estacionamento a umas 2 quadras de lá. Eles simplesmente me deram a chave e feito.

O correto era eu ter voltado lá no guichê da Hertz e dito: “qualé mermão, tentando me passar um carro detonado? Quer que eu chame o Capitão Nascimento?”, mas eu não fiz isso, pensei: ah, eles devem saber que o carro tá amassado… Na entrega do carro em Nápoles, o cara me falou: o carro estava assim antes da entrega? Eu confirmei e ele me pediu os papeis… daí ele disse pra mim: olha, eu sei que esse amassado não é recente por causa de alguns sinais, mas tu não podes pegar um carro assim, sem que esteja informado em algum lugar… Ou seja, o magrão me liberou, deve ter visto minha cara de NOVATO, mas se quisesse ter me GARFADO, teria feito e nós teríamos nos estrepado. Fica a dica.

Enfim, depois disso, fomos pro aeroporto e deixamos a Itália. Espero que voltemos algum dia…

ARRIVEDERCI!

Mas nossa aventura ainda não acabou. Temos mais dois dias e meio na capital do BAGUETTE. Não perca o último episódio da saga!





Quem tem boca…

26 06 2011

… vai a Roma ou vaia Roma? Eu acho que o melhor é ir a Roma antes e, caso não fique satisfeito, até pode vaiar depois.

Quando eu ouvia falar de Roma, algumas palavras-chave costumavam vir à minha mente: império, história, decadência, beleza, trânsito caótico, Coliseu, Vaticano, entre outras. Por incrível que pareça, normalmente a realidade é bem diferente do que se imagina inicialmente, mas não foi o caso da nossa experiência na capital da Itália.

Roma é a capital da Itália e também sua maior cidade, com cerca de 2.500.000 habitantes. Fica na região de Lazio e está a cerca de 200 km de Assis, nosso destino anterior. A saída de Assis foi na parte da manhã (em torno das 9 horas) e foi complicada, pegamos um engarrafamento significativo próximo a Perugia. Fora isso, a viagem não teve sobressaltos.

Ao chegar aos arredores de Roma, nos demos conta de que a realidade ali seria muito diferente da que encontramos em Assis e em todos os outros lugares que havíamos visitado na Itália, em geral. Lixo espalhado e sub-habitações estavam presentes na periferia, embora não em número tão expressivo assim. Avenidas abarrotadas de automóveis já davam a entender que o trânsito não era nenhuma lasanha. Mas, prevendo dificuldades para nos locomovermos de carro, já havíamos definido que a Vivaro seria devolvida ao chegar na capital e, por 3 dias, nós ficaríamos a pé.

Nosso hotel, um 2 estrelas chamado Domus Praetoria, ficava a 3 quadras da principal estação de trens de Roma – a stazione Termini que, para nós, significava acesso fácil às duas linhas de metrô da cidade e também a muitas linhas de ônibus. É curioso que tenhamos escolhido hoteis próximos às estações ferroviárias, mesmo que somente em Pádua (para ir a Veneza) tenhamos realmente utilizado trem. Mas se justifica.

Assim que estávamos plenamente instalados no hotel, imediatamente saímos para a rua, afinal, tempo é dinheiro (ns). A primeira parada, usando o metrô, foi o Coliseu.

O Coliseu nada mais é que uma Arena Romana de Verona, só que maior e mais destruída. Obviamente estou exagerando aqui, mas não muito. A finalidade do “Colosseo” era a mesma, mas ele foi realmente projetado para ser a maior arena de todas – daí o seu nome. Hoje, toda a parte das arquibancadas está destruída e a maior parte do piso principal, pela ação de um terremoto e também pelos saques por parte de moradores da cidade que usavam os materiais do Coliseu (principalmente mármore) para suas casas e mansões. Essa é a raça humana.

O Coliseu está localizado junto ao monte Palatino, que é uma das 7 colinas sobre as quais a cidade de Roma foi fundada e era justamente onde ficava os palácios imperiais e também o Fórum Romano de Roma (parece redundante, mas não é). Assim, logo que saímos do Coliseu, imediatamente subimos até o alto do Palatino, onde há ruínas de palácios e jardins romanos. Acho que não foi uma boa ideia, pois ficamos DESTRUÍDOS ao chegar lá…

Estávamos começando a sentir os efeitos de tantos dias de “turismo intenso”, correndo pra lá e pra cá. Se, ao final de uma viagem de mais de duas semanas em um único país (ok, e 2 dias em Paris) ficamos com a sensação de que vimos muito pouco, quanto tempo necessitaríamos para ver mais e sem forçar-nos tanto? É uma dúvida que ainda me incomoda…

Ao nos darmos conta desta situação, passamos a tentar fazer tudo com mais calma, sem tanta correria assim. Descansamos um pouco enquanto estávamos no alto do Palatino para, em seguida, descermos em direção ao Foro Romano, ou melhor, as ruínas dele.

Realmente as energias estavam no fim. Fomos até o Campidoglio, caminhando pela Via dei Fori Imperiali, mas não dava mais pra nada.

Mentira. Ainda pegamos o metrô e fomos até a Piazza di Spagna, ficar alguns minutos sentados na Scalinata della Trinita dei Monti até sentirmos que era hora de voltarmos ao hotel e CAPOTAR de vez.

No dia seguinte, resolvemos fazer um tour por Roma, através de um ônibus “hop-on/hop-off”, sendo que não saímos dele antes de completar uma volta inteira – aproveitamos para girar pelos pontos considerados mais relevantes de Roma, pelo menos aqueles em que se pode percorrer de automóvel. No final das contas as vistas mais relevantes eram justamente a do Coliseu, que já tínhamos visitado e a do Vaticano, que aprofundaríamos no terceiro dia em Roma. Mas foi bem legal para ter uma ideia do todo.

Ao final do “giro”, resolvemos parar no monumento a Vittorio Emanuele II, uma belíssima obra arquitetônica junto à Piazza del Campidoglio, que oferece uma boa vista panorâmica da cidade.

Dali fomos de ônibus urbano (pra aumentar a sensação de MULTIMODALISMO) até a Piazza Navona, para almoçar e curtir a grande concentração DI PERSONE e as três fontes que ali jorram suas frias águas. Comemos em um desses bistrôs onde a gente senta na própria praça. A comida foi boa, não genial, mas valeu o que custou, na minha opinião.


Sacaram o momento Grenal neste dia?

Enquanto estávamos na Piazza Navona, notamos que uma quantidade enorme de pessoas apareciam comendo um troço escuro em cima de um pratinho. Parecia torta de chocolate, mas era escuro demais! Descobrimos depois que era uma trufa (tartufo, em italiano) e é uma espécie de sorvete super concentrado. Não lembro o nome da gelateria onde o compramos, mas não deixamos de provar – eu nem consegui terminar o meu, de tão forte que era (eu=fraco).

Como curiosidade, nesta praça, também está a Embaixada do Brasil. Não, não quisemos entrar em nosso território, para não aumentar demais a quantidade de países visitados nesta viagem…

Após nossa experiência gastronômica no centro de Roma, fomos a pé até o Panteão, que era um importante templo romano e que, pra variar, foi transformado em igreja católica (povinho invejoso esse). Impressionante construção, especialmente a cúpula com seu óculo aberto. Estava ATROLHADO de gente, como não deveria deixar de ser…

Novamente a pé, fomos até a Fontana di Trevi, fazer nossa fezinha… E diferentemente do que muitos poderiam pensar, o mito diz que devemos lançar DUAS moedas, para que o pedido seja realizado.


Não… o pedido NÃO foi relacionado ao tricolor…

Em seguida, passamos por duas igrejas barrocas, San Carlo alle Quattro Fontane, projetada por Borromini e Sant’Andrea al Quirinale, projetada por Bernini, considerados “rivais” em sua época. Achei a de Sant’Andrea mais bonita que a San Carlo, mas ambas são muito interessantes. As duas estão em uma das sete colinas, neste caso, o Monte Quirinale.

E isso não é tudo. Teve mais um dia em Roma, mas isso vou deixar pro próximo post. Até mais!





Capital da paz

16 06 2011

Logo que a gente chega em Assis, vê uma placa dizendo “capital da paz” (ou ‘cidade da paz’, não lembro direito), algo neste sentido. Faz todo o sentido.

Assis (ou Assisi, em italiano) é uma cidade localizada na região da Umbria, pertencente à província de Perugia, com cerca de 28000 habitantes, incluídas suas “frazioni”. Segundo a Wikipedia, a zona de Assis já era habitada desde o século IX a.C., mas passou a ter uma aparência mais “urbana” a partir de 399 a.C., quando os romanos a tornaram colônia, com o nome de Asisium. Podemos confirmar que boa parte dos edifícios atuais da cidade são oriundos da Idade Média. Sem dúvida, há muita história neste lugar…

Chegando lá, depois de 175 km e uns 20 túneis, soube que não poderia transitar nas poucas ruas da cidade de carro, pelo fato de serem ZTL. Eu até já imaginava isso. Então deixei a Vivaro num estacionamento subterrâneo na praça que fica na entrada da cidade e fomos a pé até o hotel, que também era “boutique”, mas desta vez, com 3 estrelas. O hotel se chama Hermitage e nós adoramos! Mesmo que tenha sido necessário subir um generoso lance de escadas para chegar até a sua recepção.


Aqui está a prova!

Realmente uma experiência em Assis comprova a placa na entrada da cidade: é impossível não sentir paz enquanto se caminha pelas quietas ruelas, quando abrimos a janela do quarto e vemos campos verdes e também ao escutar o cantarolar de pássaros. Apesar de ser uma cidade turística, parece que as pessoas são proibidas de emitirem ruídos, mesmo quando elas queiram. Apesar de passarmos eventualmente por grupos de estudantes e visitantes diversos, em nenhum momento a gente se sente incomodado com isso.

A cidade é muito pequena e não tem muitos pontos turísticos, por isso reservamos apenas uma tarde e uma noite para a sua exploração. Basicamente fomos às basílicas de seus principais e ilustres habitantes do passado: São Francisco e Santa Clara.

Não vou entrar no detalhe da história de São Francisco aqui, não é o meu objetivo. Podemos dizer que é surpreendente e triste e que as palavras-chave do franciscanismo são “humildade” e “pobreza material”. Realmente, essas características são bastante presentes nas suas basílicas (são duas, uma em cima da outra). Dentro da inferior (a mais simples e – na minha opinião – a mais interessante), há a cripta de São Francisco, que infelizmente estava em restaurações. Além disso tem um “tesouro”, uma sala com objetos pertencentes ao santo, incluindo uma de suas vestes, completamente esfarrapada e um cilício, usado por Francisco para auto-flagelo.

Depois cruzamos a cidade para o lado oposto ao da basílica de São Francisco, passando pelo “centrinho” de Assis e chegando à basílica de Santa Clara. Lá passamos apenas rapidamente, pois havíamos nos separado involuntariamente em dois grupos (a Gra e eu estávamos juntos e os outros 4 também) e demorou um pouco até que novamente nos encontrássemos. Apesar da pequeneza da cidade e da improbabilidade de se perder lá, eu temia que a infinidade de becos pudesse causar alguma confusão. Mas a lógica prevaleceu e logo nos reencontramos.

Apesar do pouquíssimo tempo em que estivemos em Assis, posso dizer que a cidade me encantou. São poucos lugares turísticos urbanos que conseguem realmente transmitir tranquilidade e serenidade como Assis consegue. Evidentemente não é um lugar para se ficar muito tempo, mas eu seguramente ficaria uns 3 dias lá, descansando e meditando. Me faria bem e aposto que ajudaria muita gente também.

Decidimos jantar num restaurante que ficava em frente à Basílica de São Francisco – foi excelente, todos gostaram muito de seus pratos.

Esse foi um rápido passeio, mas marcante. Todos os 6 ficaram encantados com a cidade e gostariam de voltar no futuro – quem sabe?





Entre Dante e Michelangelo

13 06 2011

Como vocês já sabem, o domingo não foi exatamente tranquilo pra mim. A Gra e eu passamos toda a manhã no hospital de Pádua, tentando resolver o meu… probleminha. Mas depois seguimos a nossa programação e à tarde fomos de carro até Florença – uma viagem de 240 km. Como eu estava ainda sequelado, o Elias fez questão de nos guiar até lá.

Fomos quase o tempo todo em autoestrada. Detalhe: passamos algo em torno de TRINTA túneis, uma estrada de dar gosto e uma vista fantástica, pra variar.

Logo que chegamos a Florença, deixamos a van no estacionamento. Porém, já era quase noite e não dava pra fazer muita coisa. Eu, com certeza não. Sem falar que começou a chover, então comemos alguma coisa na estação ferroviária Santa Maria Novella, muito próxima do nosso hotel e nem chegamos a ir pro centro da cidade.

Ficamos no Hotel Fiorita, um hotel boutique de 2 estrelas, há uma quadra da principal estação ferroviária da cidade e realmente em “walking distance” dos principais pontos turísticos de Florença. É um hotel que não tem cara de hotel, num prédio onde tem outros 2 hoteis (nunca tinha visto isso antes). Para chegar nele, é necessário pegar um daqueles elevadores mega antigos, que a gente precisa fechar uma grade pra ele poder se mover, com capacidade máxima de TRÊS pessoas! Mas os recepcionistas eram super simpáticos e atenciosos e os quartos eram lindos, espaçosos e confortáveis.

Apenas para registrar, sobre hoteis: com exceção do Ibis de Milão, todos os outros hoteis da nossa viagem foram encontrados através do site Trip Advisor, que é uma compilação de opiniões de usuários de hoteis em todo o mundo. Por a Itália ser um destino turístico dos mais importantes, a maioria dos hoteis consultados tinha sempre mais de 100 opiniões registradas, geralmente dando detalhes valiosos sobre as suas experiências. Com isso, foi possível encontrar essas “relíquias”, pagando pouco e tendo ótimas experiências. Não podemos nos queixar dos hoteis onde nos hospedamos e pagamos relativamente pouco (com o uso do Booking.com), entre 70 e 100 euros a diária, por casal. Claro que, para manter a “máquina girando”, fiz questão de dar minha opinião sobre todos os hoteis onde nos hospedamos, para ajudar os próximos hóspedes a ficarem mais tranquilos em suas decisões.

Infelizmente choveu toda a noite e também toda a manhã. Nós não poderíamos perder mais tempo, então resolvemos ir pra rua, mesmo que o céu estivesse chorando. Tomei um super café-da-manhã (uma fatia de pão torrado e água) e resolvi ir também pra luta. A primeira parada foi as Cappelle Medicee que, como o nome sugere, são capelas dos Medici, que foi a família predominante e mandatária de Florença, por vários séculos. Apesar de que era a família mais rica da cidade, isso não impedia a morte prematura de muitos de seus membros – vários dos que estão enterrados nas capelas viveram entre 35 e 40 anos, apenas. Infelizmente não eram permitidas fotos dentro das capelas, então não temos registros. Apenas é importante ressaltar que uma das capelas foi projetada por Michelangelo e contém várias obras de um dos principais artistas italianos de todos os tempos.

Depois fomos pra Basílica de San Lorenzo, construída no século XV, com projeto de Brunelleschi. Não entramos, pois não estava aberta para visitação ainda. Notamos que naquela rua seria montada uma feira, por isso, as mulheres já se ligaram e pediram para que voltássemos lá antes de sairmos de Florença. Obviamente atendemos.

Notem os guarda-chuvas… confesso que dificulta um pouco o turismo.

Em seguida, passamos pelo Duomo de Florença, dessa vez entramos nele. Apesar de não ter nada a ver com o de Milão, achei esse muito bonito externamente e um dos mais belos, internamente. Tem um ambiente iluminado, diferente da maioria das igrejas, que tende a ser mais lúgubre. Infelizmente não fomos no Batisttero, que estava ainda fechado naquele horário e chegamos a entrar na Campanile, mas desistimos de subir os quase 500 degraus para chegar até o topo.

Dali passamos pela Piazza della Signoria, onde estão o Palazzo Vecchio e a Galleria degli Uffizi. Originalmente nós havíamos reservado o domingo pela tarde para visitar esse, que é um dos museus mais famosos do mundo, mas o meu probleminha nos impediu de seguirmos esse plano. Porém, não me lembrava que segunda-feira é justamente o único dia em que o Uffizi FECHA. Isso nos fez mudar outro plano (que provavelmente seria alterado de todas as formas): decidimos ir no Uffizi na terça de manhã, deixando de ir para Siena. Acredito que foi uma ótima decisão…

Palazzo Vecchio, na Piazza della Signoria

Com isso, seguimos a caminhada – isso tudo se faz a pé, não há nenhuma vantagem em fazer este roteiro usando ônibus ou carros, provavelmente a pé se chega antes, considerando as ruelas estreitas do centro de Florença. No final do Uffizi estão as margens do rio Arno, cujas águas eram relativamente claras, considerando que estava chovendo há várias horas. Cruzamos o rio pela medieval Ponte Vecchio, que curiosamente é circundada por lojas de JOIAS! Imaginem a cena: “comprei um anel de brilhantes lá na PONTE” – não me parece razoável…

(apenas pra constar, Vecchio é a ponte lá atrás, não EU, ok?)

Cruzando a ponte e, graças a Deus, não comprando nada, paramos num café para fazer uma refeição. E, para mim, foi o ponto final para o passeio, pois meu corpo pedia ARREGO. Na verdade, não foi um ponto final naquele dia, foram apenas RETICÊNCIAS. Então, enquanto eu curtia uma caminha e eventuais idas ao banheiro, a galera continuou seu passeio. Vou falar no que eles fizeram, portanto.

Depois da Ponte Vecchio, eles voltaram a cruzar o rio Arno, dessa vez para ir até a igreja de Santa Croce, que dizem ter sido fundada pelo próprio São Francisco de Assis – e é a maior igreja franciscana do mundo. Nela estão enterradas algumas figuras famosas, como Galileu Galilei, Dante Aligheri e o sujeito aí de baixo:

Ok, eu sei que não dá pra ler direito. Mas se vocês aproximarem bem a foto, vão ver escrito na lápide MICHAELI ANGELO BONAROTIO, que seria a forma latina de Michelangelo Buonarotti.

Essa é a fachada da Santa Croce (ou Santa Cruz, como preferirem).

Nessa altura, já havia parado de chover. Então o pessoal retornou à Piazza Duomo, para curtir um pouco mais daquele lugar. Enquanto as nossas mães resolveram comprar um sorvete de QUINZE EUROS para cada uma (essa história rendeu muito durante toda a viagem), os outros três enlouqueceram e resolveram subir até o alto da cúpula do Duomo, que é ainda mais alta do que o Campanile. E subiram mesmo!

Eis a prova do crime.

Depois disso, resolveram voltar ao hotel, para ver se eu estava vivo (oh, coitadinho…). Na real, foram descansar um pouco. No final da tarde (no dia anterior, havia iniciado o horário de verão na Europa), resolvemos todos ir até a Piazzale Michelangelo, onde se pode ter uma vista excelente da cidade, por ser um lugar alto. Fomos de ônibus, pois dessa vez realmente NÃO DAVA pra ir a pé. Um lugar realmente muito bacana…

Só uma ressalva: esse não é o Davi original – aquele está na Galleria dell’Accademia.

Finalmente retornamos ao hotel para descansar, após tudo isso. Mas tínhamos cupons para um jantar de 3 pratos + sobremesa, que havíamos comprado no Groupon. Foi uma experiência super bacana, num restaurante em um bairro um pouco mais distante do centro, ou seja, não era um restaurante turístico. Nossos pais disseram que foi o melhor vinho que tomaram em toda a viagem (também estava incluso!).

No dia seguinte, ainda fomos pra Galleria degli Uffizi (não temos fotos) e, em seguida, pegamos o carro e nos mandamos para Assis. Essa fica para o próximo post, pois esse já está longo demais. Até mais!





Nas grotas

18 05 2011

No dia seguinte da nossa inesquecível visita a Veneza, havíamos programado não locais turísticos clássicos e, sim, um dia para voltar às raízes. Literalmente.

Na parte da manhã, aproveitamos para conhecer um pouco da cidade onde estávamos – Pádua. sabíamos que era a cidade onde Santo Antonio viveu seus últimos anos. Achamos Pádua uma cidade adorável, tranquila mas, ao mesmo tempo interessante. Valeria mais um dia por lá. Pena que eu tive esse desejo atendido, mas não do jeito que eu queria… essa história fica pra daqui a pouco.

Passamos por todo o Corso Garibaldi que é o caminho que passa pela cidade antiga de Pádua, chegando ao Prato, uma praça bastante grande, em forma oval, onde estava sendo montada uma feira. Nós realmente saímos MUITO CEDO de manhã para este passeio…

Mas derivo. O objetivo principal do nosso passeio em Pádua era conhecer a basílica de Santo Antonio, o padroeiro da cidade de Bento Gonçalves e preferido de muita gente daqui. A Rejane também gosta muito dele, até porque eles moravam justamente no bairro Santo Antonio, em Garibaldi. Pena que estava em reformas na parte externa, estragando um pouco a vista…

Ok. Pádua suficiente para nós. Voltamos ao hotel, pegamos a SUPER MÁQUINA e zarpamos para a importantíssima cidade de… MIANE. O que, vocês nunca ouviram falar? Bom, não se culpem, ela realmente não é nada conhecida. Mas é de onde saíram os Zanus e também os Monegat (que são parentes da minha sogra). Metemos no GPS e pé na tábua.

Quanto mais chegava próximo ao local indicado pelo GPS, mais aumentava a neblina (subíamos, sem piedade) e mais estreitas iam ficando as estradas. As vistas eram muito bonitas, lembrando muito a nossa região. Esses parreirais que passamos eram comuníssimos nesta área, conhecida pela produção de PROSECCO.

Até que uma hora o GPS me mandou subir nesse lugar da foto acima. Aí não tinha como. Eu subi até chegar numa parte em que só UMA BICICLETA passaria… tive que voltar e, literalmente, ARRISCAR outro caminho. Uma senhora com DOIS DENTES na boca até tentou nos explicar alguma coisa, mas nós não entendemos lhufas.

Mais pra frente, paramos numa cantina (de Prosecco, claro) e o meu pai foi lá tirar um DEDO DE PROSA e pegar informação de como chegar lá. Aproveito pra mostrar a SUPER MÁQUINA pra vocês:

Essa é uma Opel Vivaro 2010. Nos ajudou muito, não deu um probleminha sequer e foi incrivelmente econômica durante toda a viagem. Uma grande parceira!

Depois das informações, conseguimos acertar o rumo e o GPS voltou a nos ajudar. Mas continuávamos encontrando estradas onde só passava um carro por vez. Aparentemente não tínhamos muita escolha. Até que…

Chegamos. E, ao circular um pouco pelas ruas do vilarejo, me passou duas coisas pela cabeça:

1) não devia ser muito diferente lá por 1870, quando os Zanus saíram de lá e,

2) dá pra entender por que eles saíram

Rural, bucólica, atrasada, encantadora. Alguns adjetivos que se adaptam à cidade de Miane, que fica na província de Treviso, com 3661 habitantes (em 2004). Segundo a Wikipedia, a população atual é praticamente IGUAL à de 1871 (3596). Babyboom nem passou perto de lá.

Quando chegamos lá, não sabíamos ao certo o que fazer. Circulamos um pouco, parávamos aqui e ali, até que encontramos a igreja principal e uma praça na frente da prefeitura da comune, com uma homenagem aos herois de guerra da cidade. Tudo o que queríamos, para podermos encontrar alguns nomes.

Tada!

Como nós ficamos fazendo fotos e posando ao lado desta homenagem, isso chamou a atenção de alguém, que passou de carro e nos indagou. Daí explicamos que éramos do Brasil, samba, futebol e parará (mentira) e o cara se acalmou e nos convidou para irmos conhecer a sede da associação deles. Como não tínhamos nada pra fazer o mesmo, fomos lá.

Se tratava do Gruppo Alpini, formado por ex-militares que combateram ou serviram nos Alpes. Eles se reúnem e fazem encontros anuais em diversas partes da Itália e até de outros países. Ficamos lá um bom tempo, conversando e tentando nos entender. Foi legal!

Daí, famintos e sedentos, resolvemos voltar para Pádua. Agora vem a parte que eu falei no segundo parágrafo… no retorno, passamos em um supermercado e compramos coisas para comer e beber. Eu comi um sanduíche, desses prontos e pré-embalados. Depois que voltei pro hotel, comecei a me sentir meio  estranho… depois, MUITO estranho. Passei mal pra caramba, a ponto de resolver ir pro HOSPITAL no dia seguinte. Ou seja, quando já deveríamos estar a caminho de Florença, eu estava na sala de espera de um hospital universitário (mas em excelente estado) aguardando atendimento. Fui diagnosticado com GASTROENTERITE. Medicado, fiquei melhor, mas SEQUELADO por mais uns dois dias…

Mais uma historinha para contar. Essa eu passava, se pudesse.